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CRÔNICA

INDEPENDÊNCIA ou “sorte”! nem foi grito... foi O GEMIDO DA INDEPENDÊNCIA!

"Querem saber a verdade sobre a tal “independência”, da vida íntima do Pedroca (conhecido de vocês como D.Pedro)"
07/09/2020 09:49 - Edson Alkontar


Querem saber a verdade sobre a tal “independência”, da vida íntima do Pedroca (conhecido de vocês como D.Pedro), coisas tais. Acho que querem mesmo é fazer fofoca usando-me como delator premiado, já que sou a única testemunha viva daqueles fatos, sobrevivendo ao império, república e suas consequências.

Resisti o quanto pude, evitando envergonhar os autores que, ao longo do tempo, vêm fantasiando os verdadeiros fatos, e finalmente, curvo-me à vontade dos meus exploradores com um relato sucinto dos fatos que aconteceram às margens do regato, cujo nome inventaram só pra justificar a tela que o tal Pedro Américo inventou e superfaturou.

Em verdade vos digo que, desde o grito do “phico”, Pedroca pegou a mania de gritar e acabaram ouvindo lá na corte doutro lado do oceano. Percebendo que o rapazinho estava criando asas e poderia trazer problemas para os interesses lusos, mandaram que ele calasse a boca ou voltaríamos a ser colônia, e Pedroca seria rebaixado de príncipe regente ao humilhante cargo de gerente da biboca, sem os poderes de então. Isso significava também, que eu, Brizola, Darcy Ribeiro, Lacerda, Marinho( também conhecido como Bebeto) e a Derci Gonçalves perderíamos nossas bolsas imperiais, tickets boteco, cartão lupanar e passes de metrô, além de outras vantagens, sem falar no risco de eu perder meu título de Barão de Sanga Puitã.

Ora pois! Na verdade, a partir do “phico”, Pedroca, influenciado por seu conselheiro Zé Bonifácio de Andrada e Silva (talvez o último brasileiro honesto) e por sua prendada esposa Princesa Leopoldina (aquela que virou trem no samba do crioulo doido) , já vinha armando a independência do Brasil, tendo convocado uma assembleia constituinte, criado a marinha de guerra e mandado de volta pra Portugal as tropas lusas que infestavam o mangue de doenças mil e andavam fuçando nossas escravas, gerando lindas mulatas (a melhor coisa que fizeram por aqui).

Começou sua campanha por Minas Gerais, onde realizou grandes comícios e deu entrevistas nas rádios e TVs das alterosas, pregando a separação definitiva do Brasil com Portugal. Usou a imagem de Tiradentes, o dentista comunista que foi enforcado por liderar a tal “inconfidência”, prometeu transformar Minas na capital industrial do pão de queijo, asfaltar a Savassi e tornar o mineirês língua oficial do novo Brasil. Foi um sucesso, uai!

Ao retornarmos ao Rio de Janeiro, lá estavam Bonifácio e a Princesa Leopoldina esperando-nos na Rodoviária Velho Rio. A ideia era que nossa turma viajasse imediatamente para São Paulo, onde, no entender de Bonifácio, seria o lugar ideal para dar o grito da Independência, visto que, no Rio de Janeiro, nunca levavam a sério as coisas, correndo-se o risco do brado virar piada, grito de torcida do Flamengo ou enredo de carnaval. Para não chamar a atenção do inimigo, optamos viajar em lombo de mulas, evitando as estradas oficiais, cujos pedágios eram ainda explorados pelos portugueses fiéis à coroa.

Mal deu tempo de trocarmos as malas, Pedroca dar uma bimbada na Leopoldina e, já estávamos à caminho, numa comitiva, que além da guarda de honra, íamos, eu, Chalaça (um capanga fofoqueiro metido a dar conselhos pro Pedroca) e outras pessoas menos votadas. Nosso destino final seria Santos, onde, além de visitar uma tal Domitila, Pedroca visitou as obras do estádio de Vila Belmiro, desprezando o da Portuguesa Santista, num flagrante desafio aos lusos que lá viviam.

Antes, passamos por várias cidades, até chegar à capital da poluição, onde fizemos um super showmício com a dupla sertaneja Tom e Vinícius, encerrando o evento. No caminho, Pedroca, sempre fiel às suas mulheres, visitou Maria Benedita Bonfim (em Sorocaba), Maria Del Carmen Garcia (urugaia), Ana Augusta (que morava num convento) e as francesas Noémi e Clémence (em assentamentos na região de Rezende), além da preferida Domitila, que virou marquesa de Santos. Não à toa, teve 13 filhos reconhecidos e mais 5 naturais. Além de músico, pintor, poeta e cozinheiro, Pedroca era um senhor garanhão, sossegador de furores uterinos e adepto do fuk fuk, ritmo que precedeu ao funk.

Porra!... grita-me Bonifácio. –Você está desvirtuando a história!

Retorno então aos fatos do grito, recomeçando por Santos, onde tivemos um lauto banquete oferecido por uns puxa sacos que esperavam receber de Pedroca títulos de nobreza, monopólio de suas negociatas, ministérios etc., tudo qui nem que hoje! Aconteceu então a famosa diarreia que está ai a manchar os livros e Pedroca teve que suportá-la durante todo o caminho de volta tomando chás de Quininha, a quina da cloro que tá dando briga hoje.

Subimos a serra e retornamos ao planalto, viajamos dias e noites de volta à cidade maravilhosa, sem sabermos que o plano de Bonifácio já estava em andamento.
Pedroca era um destempero só... Não podia ver moita, agachava!
Até que chegamos, à beira do tal rego, onde nos abastecemos de água e paramos para esperar Pedroca em mais uma investida mato adentro. Foi quando avistamos dois mensageiros dos correios trazendo um sedex urgente para o Imperador, no qual havia cartas de Boni e da Princesa, conclamando Pedroca a dar o grito final, pois exigiam, lá em Portugal, o fechamento da constituinte, seu rebaixamento a gerente da (outra vez) colônia, como queria a Metrópole.

Sem poder sair da moita, Pedroca recebeu e leu as cartas, fazendo delas uso que preferimos não comentar, levantou-se, ajeitou-se, desembainhou a espada e gritou, assim meio que gemendo: Tô andando pra Portugal! Estamos de mal, come sal e agora o negócio é Independência ou mooorte!!!! Vivaaaaaaa!!!! Eu teria oferecido a opção de independência ou sorte, pois fiquei temeroso de uma invasão lusa, causque Pedroca desobedeceu.

E o cara voltou correndo pra moita. Até hoje, há quem diga que essa foi a maior cagada de Pedroca em todo o percurso, mas pra não ficar feia a imagem de tão importante fato, mandamos que o Higa, fotógrafo da comitiva, fotografasse e melhorasse, no photoshop, aquela cena deprimente e, mandamos o Américo fazer o quadro que até hoje aparece aí nos livros de história. Pura enganação.

No Ridijaneiro (já usando a nova língua oficial), Boni elaborava nova constituição, a Princesa foi ao shopping ver uns vestidinhos para os festejos, Brizola começou a planejar emendas que tornassem o Brasil numa república socialista morena, no que foi desaconselhado por Darcy Ribeiro, que sugeria a criação de CIEPS para uma transformação lenta e gradual da mentalidade jovem brasiliana.

Ao mesmo tempo, Mirinho preparava seu pedido de concessão para um canal de TV, com o nome de TV Mundo (nome que foi alterado logo depois). Pedroca virou Imperador Constitucional do Brasil, chutou o balde, garantiu nossa boquinha no mensalão, e sem saber ficou nas mãos dos políticos e passou a viver com um olho na missa e outro no cofre. México e Estados Unidos foram os primeiros a reconhecerem a independência do Brasil varonil, o primeiro pedindo em troca o livre comércio dos filmes de Cantinflas, programas do Chaves e das novelas mexicanas.

Já os abutres do norte exigiram a instalação de lojas MacDonald’s e indústrias de coca cola em território brasileiro, sem cobrança de impostos e exclusividade na comercialização com o palácio imperial.

Portugal exigiu o pagamento de dois milhões de libras esterlinas e, Pedroca teve que pedir emprestado pra Inglaterra, inaugurando aí a nossa dívida externa.

Depois disso tudo, Pedroca , talvez saudoso das moitas, andou fazendo novas "defecagens", culminando com sua abdicação nove anos depois. Mas aí já é outra história e, eu preciso matéria para o livro. Portanto, o resto fica pra depois!

Eddson C Contar (Alkontar) – Barão de Sanga Puitã, amigo e fiel escudeiro do Imperador, enquanto beneficiado.

Do mesmo autor, no livro “ A Estante Maluca”: - “O Descobrimento da Pátria amada” , “Phoda-se a Corte!” , “O Golpe Militar de 1889”, “Pedrinho II -o Filho de Pedroca-” (Em edição).


FOTOS...A VERDADEIRA E A FALSA...QUE VERGONHA!
E NÃO SEI QUEM ROUBOU MEU CHAPÉU!

 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!