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CELEBRIDADE

Deborah Secco relembra os bastidores de “Laços de Família”, novela de Manoel Carlos

A atriz interpretou a controversa Íris, personagem que foi odiada e amada na mesma medida
25/01/2021 18:00 - Geraldo Bessa/TV Press


Deborah Secco já era uma atriz em ascensão na virada dos anos 1990 para os 2000. Então com 20 anos e personagens de destaque em tramas como “A Próxima Vítima” e “Vira-Lata”, ela estava em plena transição entre papéis juvenis e adultos. Faltava, entretanto, um trabalho que pudesse mostrar a maturidade artística acumulada ao longo dos anos. E foi com a maliciosa e intensa Íris, de “Laços de Família”, de 2000, que a atriz ganhou o público e entrou no primeiro time da Globo. 

A personagem foi odiada e amada na mesma medida. Como ela falava e fazia o que bem entendia, acabou virando a justiceira da história. Eu nunca tinha tido um papel tão popular na carreira e esse encantamento provocado pela Íris permanece até hoje”, conta a atriz, que tem acompanhado a atual reprise da trama no “Vale a Pena Ver de Novo” e se diverte com as peripécias da personagem. “Ela vai mostrando seu poder aos poucos. Começa bem menininha e vai amadurecendo por conta dos traumas e das próprias escolhas”, analisa.

Na trama de Manoel Carlos, Íris está no centro nervoso da delicada e problemática relação entre mãe e filha que movimenta a história. Passando uma temporada na casa da meia-irmã, Helena, de Vera Fischer, a personagem logo encontra diversas diferenças com a sobrinha Camila, de Carolina Dieckmann. A tensão só aumenta com o repentino envolvimento entre Camila e o até então namorado de sua mãe, Edu, de Reynaldo Gianecchini. 

O autor usou a Íris para dar vazão aos sentimentos do público diante daquela situação. Camila foi muito atacada pela Íris e as cenas eram bem complexas por conta da coreografia das brigas”, relembra. 

Apesar das sequências pesadas e realistas, o clima de disputa só existia mesmo no estúdio. Deborah e Carolina são contemporâneas de profissão e já haviam contracenado anteriormente em peças de teatro e na novela “Vira-Lata”. “Eu e Carol já éramos muito amigas e vizinhas antes da novela. Então, a gente ficava muito à vontade em cena, éramos muito felizes fazendo as personagens”, explica.

Além de infernizar a vida da sobrinha, Íris também tinha uma trágica história própria dentro de “Laços de Família”. O pai, Aléssio, de Fernando Torres, morre logo no início da novela. Tendo a mãe, Ingrid, de Lília Cabral, como sua grande parceira de vida, a menina precisa lidar com o luto novamente após as duas sofrerem um sequestro em plena Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio de Janeiro. 

Os bastidores da icônica cena que retratava o caos de violência urbana da Cidade Maravilhosa ainda ecoam na memória da atriz. “Toda a sequência foi de muita emoção, tensão e entrega. Lembro como se fosse ontem, paramos a Lagoa para gravar, foi incrível”, empolga-se. 

Até bem pouco tempo, Deborah ainda carregava consigo uma lembrança de Íris no armário: o macacão vermelho e branco que a personagem usou na cena da morte de Ingrid. Recentemente, a atriz passou por um processo de desapego e acabou doando o item. “Já fui guardar muita coisa de trabalhos antigos. Hoje em dia, nem foto eu tenho. Mas está tudo na cabeça e no coração”, assume.

Natural do Rio de Janeiro, aos sete anos de idade Deborah já atuava em comerciais e espetáculos infantis. Sua primeira oportunidade na tevê foi em 1990, com a esperta Denise, de “Mico Preto”. Após muitas peças e algumas participações em séries como “Confissões de Adolescentes”, da TV Cultura, Débora retornou à Globo na pele da espevitada Karina, de “A Próxima Vítima”. 

Seu bom desempenho em tramas como “Era uma Vez...”, “Suave Veneno” e, sobretudo, “Laços de Família”, a transformaram em um dos nomes mais disputados da emissora, tanto que acabou ganhando sua primeira protagonista em “A Padroeira”, de 2001. 

Mais recentemente, Deborah acabou colocando o pé no freio na carreira por conta do nascimento da filha, Maria, em 2015. Por isso, vem sendo mais criteriosa com suas personagens. “Tento manter o equilíbrio. Não quero ficar tanto tempo longe do trabalho, mas preciso estar perto da minha filha. Tenho sido bem feliz com as escolhas que venho fazendo”, ressalta.