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PONTO DE VISTA

Degustação fraca

Segunda temporada de “Mestre do Sabor” mantém requinte técnico, mas ainda carece de emoção
07/05/2020 10:29 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Já tem muitos anos que a gastronomia “invadiu” a tevê brasileira. Das receitas dos programas de variedades, passando pelos diversos formatos dos canais pagos e chegando ao sucesso do “Masterchef Brasil”, da Band, a cozinha se tornou uma grande fonte de entretenimento. Por muito tempo, a Globo tentou concentrar sua programação gastronômica dentro do “Mais Você”, seja nos “menus” criados por Ana Maria Braga ou nas disputas “Super Chef” e “Super Chef Celebridades”. De forma bem atrasada, só no ano passado a emissora percebeu o grande potencial de unir histórias de vida e disputas culinárias no horário nobre com a estreia do “Mestre do Sabor”. Formato original, o programa chega à segunda temporada ajustando os problemas de seu primeiro ano e investindo em outras possibilidades. A apresentação continha a cargo da dupla Claude Troisgros/Batista, mas ganha um toque feminino com a presença de Monique Alfradique como repórter. É um ganho na fluidez do programa, visto que, apesar da vasta experiência na tevê paga, a dupla do “Que Marravilha!”, do GNT, parecia meio perdida no suntuoso cenário da competição culinária.

Com uma primeira temporada sem grandes comoções nas redes sociais e audiência modesta, em torno de 18 pontos, a continuação do programa na grade da emissora era uma incógnita. Porém, disposta a aproveitar todo o investimento em cenários e de olho no pomposo faturamento promovido por grandes marcas de alimentos, a Globo optou por gravar a segunda temporada ainda entre dezembro de 2019 e março de 2020. Sem grandes modificações técnicas e com o mesmo time de jurados – o mineiro Léo Paixão, a carioca Katia Barbosa e o português José Avillez –, o programa peca pela sensação de parecer uma reprise de tudo o que já foi visto no ano passado, o que torna cansativa até a simpática audição às cegas, esquema “roubado” do formato do “The Voice Brasil”. Com “chefs” renomados, em sua maioria já bem estabelecidos em restaurantes próprios e cozinhas premiadas, falta emoção genuína entre quem perde e quem ganha a cada novo episódio. E nem o polpudo prêmio de R$ 250 mil faz os participantes entrarem em uma disputa mais acirrada.

Do elenco, é nítido que o antes sisudo Léo Paixão volta um pouco mais simpático nessa temporada. Aliás, o carisma concentrado apenas na figura leve e divertida de Kátia Barbosa revela um o desequilíbrio no apelo popular do programa. Com a presença de dois homens e uma mulher, é fato que a Globo quis emular a dinâmica do “Masterchef Brasil” em seu time de jurados. A falha, entretanto, reside na falta de sintonia entre os três, que mesmo que forcem em personalidade e intimidade, soam artificiais em grupo. Assim como faz a Band com o francês Erick Jacquin, a Globo bem que poderia adotar legendas para alguns momentos mais “enrolados” de Claude que, apesar dos mais de 30 anos de Brasil, ainda apresenta uma certa dificuldade linguística, que pode soar charmosa em um canal pago, mas compromete no alcance da tevê aberta. Depois de uma temporada de “The Voice Kids” cancelada por conta da pandemia de Coronavírus e uma edição vitoriosa do “Big Brother Brasil”, o “Mestre do Sabor” até pode tentar, mas dificilmente conseguirá saciar a fome de “reality show” do telespectador brasileiro.

 

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!