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121 ANOS DE CAMPO GRANDE

Documentários sobre Delinha e dupla Beth e Betinha são exibidos nesta quarta no Autocine

Cineasta mostra trajetória da cantora que formou dupla com Délio e das irmãs que fazem parte da história da música de MS
25/08/2020 07:30 - Marcos Pierry


“A tela iluminada, como uma vela de aniversário para a cidade”. 

Assim Marinete Pinheiro, diretora do curta-metragem “Beth & Betinha” (2019) e do longa “A Dama do Rasqueado” (2017), define a projeção dos dois documentários, programada para amanhã, no Autocine, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), como forma de celebrar os 121 anos de Campo Grande.  

Serão duas sessões com a exibição dos dois filmes. A primeira, às 18h, e a segunda, às 20h. 

O local tem capacidade para 70 carros, com lotação máxima de cinco pessoas por veículo, posicionados a dois metros de distância um do outro.  

 
 

A sessão é uma iniciativa do Sesc Mato Grosso do Sul, da UFMS e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

“O Autocine é um lugar histórico, que estava fechado há muito tempo; estou muito feliz por exibir os filmes lá, ainda mais nesta data”, diz Marinete, atualmente diretora do Museu da Imagem e do Som da Fundação de Cultura do Estado (MIS/MS). 

“São três mulheres incríveis, com histórias de vida diferentes, mas as três se tornaram precursoras de Mato Grosso do Sul. Beth & Betinha é a primeira dupla de mulheres sertanejas e a dona Delinha tem a maior discografia, com mais de 30 discos lançados”, afirma a cineasta, que se formou na Escola de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños (Cuba).

Filmar a trajetória daquela que, por mais de 50 anos, foi a metade feminina da dupla Délio & Delinha surgiu como possibilidade durante uma conversa com o cantor Jerry Espíndola, que apresentou a cantora para a diretora e acabou se tornando produtor executivo do longa documental. 

“Estávamos em 2013 e eu tinha recém-chegado de Cuba”, conta Marinete. 

“Eu queria muito fazer um filme sobre mulher, porque tinha feito a minha tese sobre uma cantora de bolero cubana e estava nessa energia de me redescobrir e de me reconhecer dentro do universo feminino”.

 
 

Mergulho

Em “A Dama do Rasqueado”, que tem 76 minutos de duração, Marinete se propõe a um mergulho na trajetória de Delinha. 

Filmado quando “a grande dama de Mato Grosso do Sul”, como a artista é conhecida, estava com 80 anos, o documentário mostra os caminhos que fizeram da cantora um nome precursor do rasqueado, desde os anos de 1950, quando iniciou a dupla de sucesso com o primo e ex-marido Délio. 

Diversos convidados, como a dupla João Bosco & Vinícius, participam da produção, exaltando o legado de Delinha e relembrando suas canções. 

Tanto reconhecimento em cena, atribui ao documentário uma pegada de homenagem não somente à personagem em destaque, mas à própria música regional do Estado.

“Optei por uma narrativa não linear para encarar esse grande desafio de resumir 80 anos de vida e mais de 60 anos de música em pouco mais de uma hora”.

 
 

Beth & Betinha

Josabeth Ferreira dos Santos e Eleonor Aparecida Ferreira dos Santos, que nasceram em Rio Brilhante, fizeram a primeira gravação em 1962 e já ganharam prêmio cantando até em guarani. 

Ninguém sabe quem é? Trata-se de Beth & Betinha, as duas filhas de um maestro uruguaio, conhecidas como “a voz de ouro do pantanal”, que viriam a compor a primeira dupla sertaneja formada por mulheres.  

As irmãs são o tema do curta-metragem “Beth & Betinha”, que abre as duas sessões de amanhã no Autocine.

Leve e despretensioso, o documentário de 18 minutos apresenta as irmãs contando detalhes do início na música e momentos curiosos da carreira, como as festas de santo que duravam “nove dias de baile” e o fato de terem se casado com os irmãos da dupla Rodrigues & Rodriguinho. 

Foi com a música que conseguiram o sustento para criarem os sete filhos. Beth teve quatro – uma mulher e três homens – e Betinha, três – uma mulher e dois homens.

Uma vez, depois de se apresentarem por horas a fio em uma região de garimpo, foram cumprimentar um fã inconsolável que dissera ter vindo de longe. Percebem, então, de repente, que o fã tinha morrido durante o show. 

Cheia de humor, a dupla parece intacta ao relembrar canções de outrora. Entre os números musicais, destacam-se “Baião, Homem de Bigode Grande” e “Paloma Branca”, essa última de autoria de Neneco Norton.

“Se no primeiro filme havia muita gente envolvida cantando e regravando dona Delinha, com Beth e Betinha foi literalmente elas por elas”, diz Marinete Pinheiro sobre o curta, que teve orçamento estimado em R$ 35 mil e contou com verbas do Fundo Municipal de Investimento Cultural. 

“Pelo tempo de carreira que nós temos, fazer esse filme foi um prêmio gratificante”, afirma a cantora Betinha, que, como a irmã, passou a se dedicar ao artesanato.

 

Felpuda


Depois de se “leiloar” durante meses, e afirmando que estava até escolhendo o município para se candidatar a prefeito, ex-cabeça coroada não só não recebeu acenos amistosos, como também não encontrou portas abertas com tapete vermelho a esperá-lo. 

Assim, deverá pendurar as chuteiras e fazer como cardume em seu pesqueiro: nada, nada...