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PONTO DE VISTA

Dos males, o menor: a audiência na tevê

Pandemia do coronavírus mostra que a tv aberta e o jornalismo ainda têm muita força no Brasil
24/04/2020 08:17 - Márcio Maio/TV Press


 

Muita coisa deve ser repensada na fase pós-pandemia do novo coronavírus. Inclusive na televisão. Nunca antes, durante tantas horas seguidas e por tantos dias consecutivos, o jornalismo ganhou tanto espaço nas emissoras abertas brasileiras. E, na contramão do que se via antes da quarentena, quando a novidade e o ineditismo eram tão valorizados nas produções de entretenimento e dramaturgia, as reprises viraram a saída para diversos canais. E, para alguns, com resultados de audiência que não eram vistos há alguns anos em seus horários. A Globo que o diga: sem nenhuma novela inédita, só mesmo sua faixa das 18h deixa a desejar em relação aos números – mas nem chega a fazer feio. 

Para se ter uma ideia, das novelas em exibição no começo de março na emissora, a que tinha a melhor média geral era “Amor de Mãe”, do horário das 21h, com 30 pontos. “Salve-se Quem Puder” ia bem, beirando os 28 pontos, e “Éramos Seis” se despediu com 21 pontos de média geral. Porém, dados do Ibope indicam que o tempo médio que os brasileiros passam assistindo tevê subiu cerca de 20%. Ou seja: mesmo com a internet como opção e a enxurrada de reprises que a televisão aberta vive, não há o que se queixar. 

“Avenida Brasil”, reprise do “Vale a Pena Ver de Novo”, já era um sucesso antes da pandemia, mas a junção de sua reta final com o maior número de pessoas em casa fez da novela um dos maiores sucessos da faixa da tarde da Globo. Já chegou a dar 27,7 de média, um número surpreendente para o horário. “Totalmente Demais” também elevou os índices das 19h, passando dos 29 pontos em muitos dias. E “Fina Estampa”, que em sua primeira exibição teve média geral de 39 pontos, está sempre acima dos 30 e, em alguns capítulos, chega a ficar entre 35 e 37 pontos. A tendência, com o passar do tempo, é que esse número cresça. São números muito melhores que os alcançados pelas concorrentes, que não conseguem chegar nos dois dígitos – nem mesmo o SBT, único canal aberto com novela inédita no ar, “As Aventuras de Poliana”, focada no público infantil.

 
 

Reprisar dramaturgia com sucesso não chega a ser uma grande surpresa. Mas essa onda nostálgica, com a proibição de aglomerações, marcou gol também no esporte. Com a reexibição da final da Copa de 2002, que deu ao Brasil o pentacampeonato mundial, a Globo alcançou 20,8 pontos de média em um domingo à tarde. É mais do que muitos jogos transmitidos ao vivo até então, pelo menos quando não se tratava de uma decisão de taça, por exemplo. Crescimento também se vê nas emissoras a cabo, com atenção especial às dedicadas 24 horas ao jornalismo. A Globonews tem se saído melhor, na maioria dos horários. Mas a CNN Brasil, que estreou em meio à quarentena, vem incomodando cada vez mais sua principal concorrente. Quando Gabriela Prioli voltou a aparecer no canal, depois de deixar o quadro “O Grande Debate”, do “CNN Novo Dia”, no fim de março, o canal fechado conseguiu vencer a rival, exibindo o especial “O Mundo Pós-Pandemia”.

A quarentena também abriu espaço para uma experiência inusitada para boa parte dos telespectadores. Com o “Big Brother Brasil 20” no ar, o público teve a chance de acompanhar o confinamento dos participantes enquanto muitos também se confinavam, nas suas próprias casas. O reality já vinha mostrando fôlego antes do coronavírus – chegou a marcar 28 pontos de média em um dia de eliminação, antes da quarentena. Mas, de lá para cá, muitas são as noites em que ultrapassa os 30 pontos. A escolha acertada do elenco e o excesso de tempo livre fora da casa cenográfica fizeram muitos famosos manifestarem suas torcidas, puxarem mutirões e, para a alegria do diretor Boninho, o programa quebrou todos os recordes de votação com um paredão que contabilizou mais de 1,5 bilhão de votos.

 

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!