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COLUNA CRÔNICA

Dose de esperança

História “batida” de “Éramos Seis” acerta ao adotar tom mais leve com direito a final feliz
23/03/2020 23:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Se dependesse do texto original de Maria José Dupré, “Éramos Seis” teria o final mais melancólico possível. Ao viajar pelas quatro primeiras décadas do Século XX, a autora retrata o Brasil recém-transformado em República, o horror de duas guerras, epidemias e os dilemas femininos do período. Extremamente dramáticas, todas as adaptações anteriores foram bem fiéis ao espírito original, em que a esperança de dias melhores se frustrava e a história terminava de forma tristonha e duramente realista. O final de Lola, protagonista agora vivida por Glória Pires, inclusive, sempre foi de uma injustiça que beira o absurdo: depois de viver o luto pelo marido, perder um filho, ser abandonada pelo resto da família e passar por uma série de provações, a matriarca termina seus dias velha e sozinha em um asilo. Felizmente, a versão de 2019 olha com bons olhos para a trama cheia de sensibilidade de Dupré. A autora Ângela Chaves conseguiu recriar com fidelidade a densidade do enredo. Mas, aos poucos, foi mostrando que uma dose a mais de felicidade não faria mal ao texto. Depois de um início “pesado”, “Éramos Seis” foi sendo suavizada de forma verossímil e chega às suas últimas emoções alterando sensivelmente a mensagem final, mas fiel à obra como um todo.

Apesar de redundante e sem muita razão de ser, o “remake” foi feito de maneira correta. Valorizado dentro da Globo por revisitar um dos primeiros textos assinados pelo atual diretor artístico da emissora: Silvio de Abreu - que escreveu a versão de 1978 ao lado de Rubens Ewald Filho -, a produção conseguiu um elenco de peso, formado por nomes como Susana Vieira e Cássio Gabus Mendes, estrelas em ascensão como Nicolas Prattes e Giulia Buscacio, além de boas novidades, casos de Julia Stockler e Rayssa Bratiliere. O maior destaque, entretanto, é bem óbvio. Na pele da protagonista, aos 56 anos, Glória Pires mostra porque é uma das atrizes mais talentosas e disputadas de todos os tempos. Confirmando a eficiência de seu nome, ela percorre com segurança todas as nuances da vida de Lola em uma atuação que a tira do lugar-comum de suas últimas personagens em novelas, caso das fracas Beatriz de “Babilônia” e Beth de “O Outro Lado do Paraíso”. Ciente de que a produção também deveria ser uma grande festa, “Éramos Seis” foi fundo no saudosismo do telespectador mais atento, garantindo participações especiais cheias de afeto de intérpretes que já participaram de outras versões da trama, inclusive Irene Ravache, a Lola do “remake” de 1995 produzido pelo SBT, e de Nicette Bruno, a Lola da adaptação exibida pela Globo em 1977.

Do ponto de vista técnico, Carlos Araújo mostra que teve seu talento como diretor por muitos anos restrito aos bastidores. Na Globo há 30 anos, Araújo fez parte das mais diversas equipes de trabalho dentro da emissora, mas só assumiu sua primeira novela como Diretor Artístico, em 2018, com a supersérie “Os Dias Eram Assim”. Ciente de que “pesou a mão” nos primeiros capítulos, a direção soube ouvir a audiência e iluminar um pouco mais as sequências da história. Por se tratar de uma “saga” familiar ao longo de décadas, as cenas apresentaram os fatos históricos de forma muito contundente e com virtuosismo estético em belos figurinos e inspirada direção de arte. Em especial, ao retratar as duas guerras, que acabaram por simbolizar algumas viradas na trama. Entregando tudo o que se espera de uma trama da faixa, “Éramos Seis” pode não ter sido um grande sucesso, mas passou pelo horário de forma digna e eficiente.

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.