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NOVELA

Edição compacta de “Totalmente Demais”

O especial com menos capítulos, evidencia o melhor da trama simples e tradicional
23/06/2020 09:03 - Geraldo Bessa/TV Press


 

O sucesso de uma novela quase sempre vem acompanhado de capítulos adicionais para prolongar o êxito. Em 2015, com a audiência de “Totalmente Demais” em torno dos 30 pontos, Rosane Svartman e Paulo Halm tiveram a ingrata missão de espichar o folhetim em cerca de duas semanas. A obra, que já carecia de rumos mais criativos e já tinha seus pontos de desgaste ao longo de 160 capítulos previstos na sinopse, simplesmente, passou a enrolar ainda mais o público com o interminável concurso de beleza que movimenta a história. Além disso, teve de apelar para uma história de suspense sem qualquer sintonia com o resto da trama. Já conquistado, o telespectador embarcou nos novos capítulos. A coerência da história centralizada no quarteto, Eliza, Jonatas, Arthur e Carolina, personagens de Marina Ruy Barbosa, Felipe Simas, Fábio Assunção e Juliana Paes, é que ficou comprometida. De volta ao horário das sete durante a pandemia de coronavírus em uma edição especial, “Totalmente Demais” vem fazendo o mesmo sucesso da exibição original e mostra como alguns capítulos a menos podem valorizar o andamento do enredo, que na nova edição está bem mais conciso e dinâmico.

Seguindo a receita dos contos de fada e saindo totalmente do tom realista que a Globo vinha adotando em suas tramas à época, a novela de Paulo Halm e Rosane Svartman é do tipo que consegue cativar de forma muito pontual o heterogêneo público das sete. Com ecos de “Pigmalião” e “My Fair Lady”, nada na produção das sete é tratado de forma profunda. Da ambientação no mundo da moda, passando pelas disputas do meio jornalístico e chegando à história de pobreza e superação da protagonista, tudo soa “fake” e ingênuo. “Escape” perfeito da realidade, a novela continua a servir como uma espécie de alívio necessário aos jornais cada vez mais densos da emissora em tempos de crise sanitária e política. O segredo de Halm, Svartman, e do diretor Luiz Henrique Rios, entretanto, foi assumir a simplicidade de seu produto e produzi-lo da melhor forma possível.

Totalmente Demais” fica longe dos elencos estelares que a Globo costuma escalar para suas grandes “apostas”. Com uma olhada básica em seu “casting”, inclusive, fica fácil identificar a falta de prestígio da novela com o banco de talentos da emissora. No entanto, a força e o carisma dos personagens, sobretudo os secundários, garantiram o desenrolar da história e repetem seus bons desempenhos sob o olhar da nova edição. Diluídos em diversas cenas desnecessárias no original, o casal Germano e Lili, de Humberto Martins e Viviane Pasmanter, agora ganha mais espaço e solidez É certo que a novela pertence à Marina, que na pele de Eliza pode ser vista em um momento iluminado da carreira, em uma atuação segura e carismática. No entanto, é no antagonismo cômico de Cassandra, personagem de Juliana Paiva, que a obra cresce e mostra o humor que todo mundo espera da faixa das sete. Atriz esperta e sempre atenta ao jogo de cena, Juliana chama a trama para si quando está no ar. Com elenco, história e direção eficazes, “Totalmente Demais” joga o conceitual para escanteio e mostra que uma novela não precisa ter vergonha de ser uma novela. No fim, o público se satisfez e ainda consome com prazer o mesmo “arroz-com-feijão” bem-feito.

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!