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UNIÃO

Em tempos de coronavírus, festas ganham outros significados

Remarcar casamentos vira prova de amor, assim como videochamada transforma o parabéns em um dos melhores da vida
07/04/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

De todos os sonhos adiados em 2020, os casamentos foram os primeiros a entrar na lista de impedimentos por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Longe de ser uma medida exagerada, a proibição de eventos sociais tem fundamento, basta observar o exemplo do casamento da irmã da influenciadora digital Gabriela Pugliesi, que resultou na contaminação de diversos convidados, muitos deles famosos.  

Apesar de o confinamento social render muitas reclamações por parte da população, para a noiva Gabriela Lemos, 21 anos, a decisão de adiar o casamento, marcado para o dia 2 de maio, foi tomada antes mesmo da orientação do Ministério da Saúde. “Então, eu liguei para a minha cerimonialista, Karla Lyara, lá pelo dia 15 de março. Ela me indicou esperar até começo de abril para podermos analisar se realmente precisaríamos remarcar, mas que os casamentos de março e abril já estavam todos sendo remarcados e que ela ainda não tinha certeza se os de maio teriam de ser também. Passou uns três dias da ligação, eu e meu noivo optamos por adiar mesmo, pelo cenário que estava a pandemia”, explica.  

Ter entre os convidados diversas pessoas idosas e de outros estados pesou na decisão do casal, assim como o medo de que os fornecedores não tivessem outra data disponível para o segundo semestre.  

“Principalmente a família do meu noivo, muitas pessoas estão inseridas no grupo de risco. O meu noivo também nasceu em São Paulo, então, toda a família dele é de lá, a família da mãe é de Minas Gerais. Muitos padrinhos são de fora. Antes de cancelar, muitos vieram perguntar se manteríamos a cerimônia. Fora a responsabilidade de realizar um casamento nestas condições”, acredita Gabi.

Junto há sete anos, desde os tempos de escola, o casal – que tem até o nome parecido, Gabriela e Gabriel – superou a frustração do adiamento e decidiu se guiar apenas pelo amor. “Na data que era, nós sabíamos que ainda estaríamos no meio da passagem desse vírus e o risco de contaminação também, pois pensamos nas pessoas que vão vir de fora, pessoas de mais idade, avós, tios, crianças que iriam passar por aeroportos, não queremos que nada de ruim aconteça. Queremos nos casar em paz”, diz a noiva. Agora, o casamento deve acontecer “bem longe do coronavírus”, no dia 21 de novembro.  

Remarcar

Todo o setor de festas e eventos do País optou por adotar a campanha “não cancele, remarque”, a fim de evitar prejuízos financeiros para as empresas.  

A cerimonialista Karla Lyara explica que precisou remarcar oito casamentos que seriam realizadas no primeiro semestre de 2020. “Foi bem difícil. Como é uma situação muito incerta, uma coisa totalmente nova, nós precisamos agir com cautela. Acompanhamos as notícias internacionais e nacionais e, quando estourou em Campo Grande, foi tudo muito rápido até chegar o decreto que orientava a não realização de eventos na cidade. Eu pensei, analisei, conversei com um advogado e algumas noivas vieram falar comigo antes mesmo do decreto da Prefeitura Municipal. Chegamos à conclusão de que adiar seria realmente a melhor opção”, explica Karla.  

Como os casamentos são planejados com antecedência, Karla precisou reagendar com todos os fornecedores e, principalmente, consolar os casais que lidaram com a frustração.  

“É o momento de pensar na coletividade. Conversamos de forma muito leve e buscamos a melhor alternativa para cada uma”, acredita.

Aniversários

A frustração não ficou restrita às noivas. A jornalista e empresária Daiane Líbero, 31 anos, foi uma das arianas que precisaram lidar com a falta de celebrações no aniversário. Nascida em 31 de março, ela planejou com um ano de antecedência uma festa para os amigos regada a feijoada e cerveja, mas precisou se contentar com uma videochamada.  

“Eu tinha decidido que ia fazer uma festa este ano com meus amigos e com a minha família, em dois dias, primeiro tomando uma cerveja e depois, no sábado, uma feijoada na chácara dos meus pais. Veio a Covid-19 e não pude fazer. Fiquei supertriste, abalada, acabei não querendo fazer nada”, explica.

Ao contrário de Daiane, os amigos tinham planos diferentes. Cada um contribuiu do jeito que era permitido. “O pessoal da agência de assessoria e marketing que eu tenho me mandou uma cesta de café da manhã maravilhosa, minha prima deixou um bolo lindo no portão de casa e fez uma videochamada cantando parabéns. Recebi várias encomendas dos amigos”, conta.

Além de uma pizza feita com carinho pelo namorado. O que tinha tudo para ser um dia triste se transformou em amor. “Foi um dos melhores aniversários que eu tive, todo mundo ligou. Eu acho que não poder se ver faz com que as pessoas deem mais valor em tudo, até uma videochamada e uma ligação têm uma importância muito maior do que tinham antes. Fiquei muito grata e feliz com tudo o que recebi no meu aniversário”, diz.  

 

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.