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ESPERANÇA E FÉ

Em UTI neonatal há 50 dias, gêmeas Sara e Geovana nasceram com 26 semanas e muitos desafios

Irmãs não desenvolveram os vasos da retina a tempo durante a gestação
11/06/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Sara e Geovana nasceram no dia 17 de abril, após 26 semanas de gestação, e desde então permanecem internadas na UTI neonatal de um hospital de Campo Grande. Mesmo pequenininhas, com pouco mais de 1,4 kg e 1,3 kg, respectivamente, elas já travaram diversas batalhas pela vida. Mas, a última, a retinopatia da prematuridade, ainda precisa ser vencida. “Elas não desenvolveram os vasos da retina a tempo durante a gestação. A Geovana só desenvolveu 30%, enquanto a Sara desenvolveu 60%”, explica a mãe das crianças, Keila Amorim da Rocha.  

A retinopatia da prematuridade é comum em bebês que nasceram antes do tempo, quando os vasos sanguíneos da retina não estavam totalmente desenvolvidos. Caso não seja tratada adequadamente, as crianças podem perder a visão.  

O tratamento indicado inclui laser e medicamentos, que podem ser aplicados por meio de injeção. “Primeiro, elas estão fazendo o tratamento a laser, que o plano de saúde cobre. No entanto, o médico tinha indicado a injeção, que o plano de saúde ainda não cobre. Por isso montamos uma vaquinha na internet para arrecadar R$ 10 mil. Agora, o médico pretende esperar o resultado do laser para saber se a injeção será necessária”, explica Keila.  

Mesmo assim, o casal decidiu manter a vaquinha em aberto, por causa dos gastos futuros e iniciais com as bebês. “Então ainda temos alguns gastos, porque, como elas nasceram prematuras, não conseguimos arrumar tudo a tempo. Meu marido também é autônomo, trabalha com construção e pintura, e com a pandemia os trabalhos diminuíram”, ressalta.  

A bolsa de Geovana estourou uma semana antes do parto das duas, quando Keila havia acabado de retornar de uma fazenda, onde permaneceu em segurança e descansando durante o início da pandemia do novo coronavírus. “Eram duas bolsas e uma placenta. A da Geovana estourou, eu perdi muito líquido. Lembro que encharquei duas toalhas e dois lençóis do hospital. A bolsa da Sara nunca estourou, ela nasceu de parto empelicado, ainda envolvida na proteção”, relembra Keila.  

Mesmo com a bolsa de Geovana estourada, os médicos conseguiram adiar o parto em uma semana, para que o desenvolvimento das duas pudesse permanecer.  

Essa não foi a primeira surpresa da dupla para Keila, que já tem um filho de 4 anos. “Quando fiquei grávida, fiz um teste de farmácia que deu positivo. Depois, fui fazer um ultrassom e o médico disse que não estava vendo o bebê, só o útero maior. Ele até cogitou uma gravidez psicológica”, ressalta.

Com a dúvida na cabeça, Keila marcou uma ultrassom intravaginal. “Foi quando me disseram que eram dois bebês. Fiquei sem entender nada”, ri.  

As boas lembranças justificam a calma de Keila, que consegue explicar todas as questões que envolvem a recuperação das filhas, com fé de que tudo passará.  

Mesmo nos momentos mais angustiantes, ela ressalta que não perde a esperança de que tudo ficará bem.  

“A Geovana teve uma convulsão e uma parada cardíaca após o procedimento para a retina no sábado retrasado. Foi tudo muito tenso. Somos evangélicos, temos muita fé em Deus, acreditamos e oramos muito para que a saúde dela fosse restaurada”, relembra.  

O resultado foi melhor do que o esperado. “Elas estão melhorando a cada dia. A gente busca e orienta para poder fazer o melhor por elas, o que for necessário”, ressalta.  

Da batalha, Geovana foi direto para o colo da mãe, no dia 9 de junho. Um tempo antes, tinha sido a vez de Sara, que recebeu o carinho de Keila no dia 19 de maio.  

“Todas as mães que estão aqui na UTI neonatal são guerreiras, passam pela mesma situação que eu, ou ainda mais difícil”, ressalta.

Mesmo com outro filho pequeno, Keila e o marido, Eder, que ficam a maior parte do tempo no hospital com as duas. “Minha mãe que tem ficado mais com o meu filho. Ficamos aqui o dia todo. Tem coisas que dinheiro nenhum paga, como ver o sorriso delas na incubadora”, acredita.  

Quem quiser ajudar com a vaquinha, acesse https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-sara-e-a-geovana.  

 
 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.