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ENTREVISTA

Emílio Dantas atualmente está no ar na reprise de “A Força do Querer”

O ator relembra trajetória errante do traficante Rubinho, um de seus personagens de maior sucesso
02/11/2020 19:00 - Caroline Borges/TV Press


Emílio Dantas completou uma década na televisão este ano. De folga da tevê desde o fim de “Segundo Sol”, o ator não esperava grandes surpresas profissionais na televisão para 2020. Mas a pandemia do novo coronavírus subverteu rapidamente essa ordem. Além de encarar novos processos de produção remota ao protagonizar um dos episódios da série “Amor e Sorte”, Emílio viu um de seus personagens de maior sucesso retornar ao ar. Desde o final de setembro, ele relembra os esquemas e crimes de Rubinho, de “A Força do Querer”, no horário nobre da Globo. “É muito bom ver essa reprise com um olhar de três anos depois. É uma novela que tem assuntos para a gente prestar atenção. Eu até tenho muita autocritica sim, mas nunca fiquei revendo os trabalhos com essa dimensão. Nunca tive um ‘Vale a pena ver de novo’ ou algo do tipo. É a primeira vez que vivo essa experiência”, valoriza.

Na trama, Rubinho é marido da passional Bibi, papel de Juliana Paes. Excelente professor, ele quase se formou em Química e batalha para conseguir sustentar a família. Bibi e a mãe acreditam que ele é dedicado ao emprego e que está conseguindo se destacar, mas, na verdade, Rubinho está cada vez mais embrenhado no tráfico. “Foi incrível fazer essa parceria com a Juliana. Desde o início sabia que a história a ser contada era a história dela (Bibi) e ela sempre foi muito enérgica, da troca, com muitas ideias sempre e respeitando a opinião dos amigos e dos colegas. A gente sempre teve um jogo bacana”, elogia.

P – A trama de “A Força do Querer” foi ao ar há três anos. Como você recebeu a notícia da reprise durante o período da pandemia do novo coronavírus?

R - Fiquei muito feliz! É um trabalho que tenho muito orgulho de ter feito. Acho que a novela tem arcos de extrema relevância para serem debatidos hoje, como por exemplo a história da Ivana (Carol Duarte) e a do Nonato (Silvero Pereira). E alguns maus exemplos também, como o do próprio Rubinho. Mas acho que é uma novela que, apesar de não ser tão antiga, cabe a gente voltar nos assuntos. Essa novela mexeu com o universo de pessoas próximas de mim.

P – Como assim? 

R – Eu tenho um casal de amigos que tem um filho que é transexual. Então, dentro da casa deles, esse era um assunto que não era nem uma questão porque o assunto chegava a ser debatido. Esse casal já sabia que o filho era transexual, mas não sabia como abordar a questão, sentar para conversar, sabe? Ninguém falava nada. Depois da novela, eles conseguiram sentar, conversar e deixar tudo claro. A novela tem temas que vão além do atual.

P – O que chamou sua atenção na história do Rubinho?

R – O Rubinho foi um cara muito ambicioso e que se perdeu na sua própria ambição. Um cara que tinha pouco e esse pouco foi construído com esforço e amor, mas não era o suficiente para ele. Então, ele vai atrás desse sonho, dessa riqueza que ele mesmo desconhece. Não à toa, tem um fim trágico.

P – O Rubinho foi seu primeiro protagonista no horário nobre. Você sentiu uma repercussão diferente durante a exibição original? 

R – Eu acho que a repercussão ficava bastante com a Bibi (Juliana Paes), o Rubinho era a escada. Ele dava o brilho pra Bibi fazer o jogo dela acontecer. O jogo dela que dava o movimento. Também essa picuinha com o Sabiá (Jonathan Azevedo). Acho que foi uma repercussão bem louca. As pessoas gostavam desse bandido. Acho que agora vai ser um pouco diferente, acho que as consciências mudaram, apesar do pouco tempo, mas mudaram um pouco. Então, vamos ver... Eu já não simpatizo tanto com o Rubinho, por exemplo.

P – Tem alguma cena específica que você pretende rever nessa edição especial?

R – Todas as fugas do Rubinho (risos). As fugas exigiam bastante. Havia uma dificuldade prática mesmo de realizar essas sequências. A primeira fuga eu lembro que a gente gravou atrás dos Estúdios Globo. Já foi uma maratona de desce e sobe, caí na lama, caí de um barranco... Na terceira fuga, eu já estava dentro de um esgoto na Cinelândia. Foi então que eu descobri que o Rubinho iria fugir o resto da novela toda (risos). Falei: “vamos nessa”. Mas eu também quero muito rever a cena final da novela.

P – Por quê?

R – É a cena do Ivan (Carol Duarte) logo após a cirurgia nos seios olhando o mar. Eu digo com toda certeza que é uma das sequências mais bonitas de fim de novela que já vi. O Ivan sem camisa e de peito aberto vendo todo aquele horizonte. Era uma espécie de rumo ao desconhecido. Foi de uma grandeza enorme e acho que representou bem todo o espírito do time da novela.

P – Durante a quarentena, você e a Fabiula Nascimento protagonizaram um dos episódios da série “Amor e Sorte”, que foi realizada de forma remota. Como foi essa experiência de gravar de casa?

R - A gente aprendeu muita coisa sobre nós mesmos, nossa profissão, sobre o ofício. Eu sou muito curioso e gosto de aprender. Não tinha um tutorial sobre como fazer cada coisa. Então, foi muito louco descobrir tudo. Foi um sentimento de muito prazer, na verdade, de muito trabalho. Foi um desafio, sim, mas também um prazer enorme. Faria tudo de novo. Uma das partes mais legais disso tudo foi a revisita.

P – Em que sentido? 

R - Eu lembrei de quando trabalhava com produção de vídeo. O primeiro cabo que a gente teve de colocar aqui em casa, com fita crepe, me deu um saudosismo muito grande do meu primeiro emprego. E, vivendo tudo isso, fiquei muito interessado em fazer a fotografia remotamente também.

P – Mas com tantas funções nos bastidores, você teve tempo para estudar o personagem da série?

R - Então, de certa forma, foi também uma desconstrução. A Fabiula, por exemplo, é muito dedicada. Ela grifa o texto. Eu tenho um outro processo, gosto de achar uma playlist para o personagem, por exemplo. Cada um tem seu processo. E nada disso aconteceu. A preparação foi colocar pilha no microfone (risos).

Troca de experiências

A quarentena em virtude do novo coronavírus foi um tempo de aprendizado para Emílio Dantas. Ao se ver diante de um isolamento forçado, a ator percebeu que o período era ideal para aumentar a reflexão sobre assuntos da atualidade, mas também um momento para expandir a conversa com outras pessoas. “Meu pai, por exemplo, é um cara das antigas, veio de uma família de militares. Falei para ele que a gente precisava conversar mais, se ouvir. Quem teve a possibilidade de ficar quarentenado ou não, trouxe esse entendimento maior com o outro. A gente vê muitos pais e filhos se ouvindo e aprendendo um com os outros”, afirma.

Para o ator, a novela de Gloria Perez também gera esses importantes debates familiares. A trama apresenta assuntos que precisam de maior visibilidade ao longo dos tempos. “A gente tem de afastar essa visão de retrocesso. Esse movimento é como de arrancar um band-aid de forma meio errada”, explica. 

Criatividade na tela

O trabalho em “Amor e Sorte” apresentou uma série de funções no audiovisual para Emílio Dantas. Ao longo das gravações, ele foi responsável por receber o figurino, se vestir, se maquiar e estar pronto para atuar e dirigir junto com a equipe de direção. Porém, o ator levou uma parte de sua rotina pessoal para a série. Nas horas vagas, Emílio se arrisca nas artes plásticas e algumas das telas criadas pelo ator e sua esposa estiveram na produção. “Eu me vi na tela que a gente teve de pintar. Foi algo que entrou nessa lista das coisas que nos deixa empolgados. De tão animados, uma tela se transformou em quatro”, afirma.

Na história do episódio escrito por Adriana Falcão e Jô Abdu, Emílio e Fabiula vivem um casal que decide se separar no exato instante que começa a quarentena e acabam sendo obrigados a ficar juntos. Apesar da temática delicada, Emílio garante que os problemas do casal ficaram apenas na ficção. “Como a gente estava nas duas linhas de frente do projeto, produção e atuação, foi achando lugares tão bem conectados dentro das funções. Em nenhum momento a questão da separação dos personagens bateu para a gente. Chamou muito mais atenção nosso acerto prático, de pensamento, entendimento das coisas”, aponta.

Instantâneas

# Emílio também pode ser visto na série original “Todas as Mulheres do Mundo”, disponível no Globoplay.

# Após “Segundo Sol”, Emílio voltou a viver o protagonista Beto Falcão. O cantor de axé fez uma participação especial em dos capítulos de “Verão 90” 

# O ator começou a carreira como cantor em 1997 como vocalista e compositor da banda de rock Mulher do Padre.

# Ao lado do elenco de “A Força do Querer”, Emílio criou uma banda com os colegas de cena e a equipe da novela. “A gente alugava um estúdio e ficava horas ensaiando, se divertindo e celebrando”, afirma.

 

Felpuda


Embora tenha manifestação de que não haverá mudanças na administração municipal que se iniciará dia 1º de janeiro, o que se ouve por aí é que a realidade não seria bem assim.

Alguns setores deverão passar por alterações, como forma de se azeitar engrenagens que estariam deixando a desejar. 

O Diário Oficial, a partir daquela data, deverá ser a publicação mais lida a cada manhã.