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TELEVISÃO

Emoções artificiais em "Troca de Esposas"

Sem grandes novidades e recheado de situações ensaiadas, o programa não convence como “reality”
18/02/2020 14:55 - Geraldo Bessa/TV Press


 

A Record adora uma disputa entre famílias. Tanto que, mesmo cancelado em 2016, o “reality” “Troca de Família” sempre estava nos planos da emissora. Com oito temporadas exibidas, o programa derivado do original americano “Trading Spouses” quase entrou na grade no ano passado. No entanto, a Record preferiu não renovar o contrato com a Fox, detentora dos direitos da produção, e levou ao ar o “Troca de Esposas”, baseado no programa britânico “Wife Swap”. Basicamente, ambos partem da mesma ideia: duas famílias de diferentes dinâmicas e personalidades são selecionadas e as matriarcas trocam de casa por uma semana. O programa cresce a partir dos contrastes entre essa “estranha no ninho” na rotina familiar. De diferente, está apenas o fato de que, no antigo formato, a família precisa se adequar às normas da “nova” dona da casa. Enquanto a versão inglesa faz a esposa se adequar aos hábitos da casa por quatro dias e nos outros é ela quem manda. No fim, na guerra entre costumes e manias, o resultado é extremamente parecido e a impressão que fica é que a Record teve preguiça de buscar um formato de “reality” realmente relevante para sua programação. Mesmo com repercussão mediana, a emissora encomendou uma segunda temporada, que volta ao ar novamente sob o comando de Ticiane Pinheiro.

É claro que existe alguma dose de manipulação por trás de qualquer “reality show”, o público, inclusive, já espera por isso. Na grande maioria das produções, roteiro e personagens são previamente definidos e a seleção de participantes segue esse “recorte”. O problema é que, mesmo que o telespectador saiba disso, é dever do programa ao menos tentar soar o mais sutil possível nas questões resolvidas nos bastidores. O grande problema do “Troca de Esposas” é justamente não fazer questão de esconder o quanto é roteirizado, o que rende momentos constrangedores, onde a produção parece ser realizada no setor de teledramaturgia da emissora. Há um cuidado excessivo com a atuação das crianças e jovens de cada família que forçam a barra na tentativa de plantar situações e questionamentos feitos para criar atritos e movimentação entre os presentes. Sem naturalidade, tudo fica extremamente “fake” e risível.

A postura ensaiada atinge até a apresentadora Ticiane Pinheiro. Por muito anos, Ticiane foi conhecida apenas por ser filha de Helô Pinheiro, a “Garota de Ipanema” cantada por Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Depois, passou a ser reconhecida como a mulher do empresário e “aprendiz” de apresentador Roberto Justus. Na última década, aproveitando-se de boas oportunidades e “brigando” por espaço na Record, Ticiane destacou-se pela versatilidade à frente do “Hoje em Dia”. Por conta de sua espontaneidade, a apresentadora era o que tinha de mais genuíno no “Troca de Esposas” e agora assume uma postura artificial e forçada na condução dos papos e “tretas” entre os familiares. Principalmente, quando contracena com nomes conhecidos do grande público, especialmente o da Record, caso do ex-integrante do grupo Polegar Rafael Ilha. Aliás, a produção marca mais uma aparição de Ilha, que reforça a repetição de personagens nos programas da emissora. Anteriormente, ele já esteve em “A Fazenda”, “Power Couple”, “Canta Comigo” e agora em “Troca de Esposas”. Pecando pelo excesso de produção, a segunda temporada evidencia os defeitos iniciais do programa e deixa ainda mais questionável a grau de realismo do projeto.

“Troca de Esposas” - Record - Quartas, às 21h30.

Felpuda


Embora embalada por vários “ex”, pré-candidatura a prefeito de esforçada figura não deslancha. É claro que ninguém ousa falar em voz alta que o apoio, em vez de alavancar os índices com o eleitorado, está é puxando para baixo. Uns dizem que o título do filme “Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado” retrata bem a situação. Outros complementam: “... na primavera, no outono, no inverno...”. Como diria vovó: “Aqui você planta, aqui você colhe!”.