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Entrevista com Rafael Cardoso

Em “Salve-se Quem Puder”, o ator celebra trabalho mais leve como o mafioso bonzinho Renzo
24/03/2020 05:30 - Márcio Maio/TV Press


 

Até que “Salve-se Quem Puder” se encerre, Rafael Cardoso pretende despertar muitas reações controversas no público com o misterioso Renzo. Afinal, na novela das 19h da Globo, o “playboy” já se apaixonou perdidamente por Aléxia, papel de Deborah Secco, e sofre por achar que a moça está morta. Porém, esse envolvimento começou justamente quando ela testemunhou um assassinato cometido pela tia do jovem, Dominique, vivida por Guilhermina Guinle, que lidera uma organização mafiosa, que criou o rapaz e introduziu-o em seus negócios criminosos. “Tem um caminho torto de herói aí, mas não sei completamente como isso vai se desenhar. Acho que as pessoas vão torcer por ele, mas também podem ficar bravas em alguns momentos”, avalia. 

Na história, o rapaz já usou um helicóptero para jogar dinheiro “sujo” ganho no crime para população carente em São Paulo. E, sentindo-se culpado pela suposta morte de Kyra, papel de Vitória Strada, se aproximou de Rafael, vivido por Bruno Ferrari, para tentar ajudar o novo amigo a superar a perda da noiva. Rafael assume: esse clima de comédia romântica, com boas doses de humor, foi um ponto que o seduziu assim que foi chamado para a trama. “É bom poder mudar e eu tive uma transformação física para esse personagem. Mas, além dela, tem também a interna, que mexe com emoções e com a nossa própria experiência”, explica ele, que não atuava em uma trama das 19h desde 2010, quando integrou o elenco do remake de “Ti Ti Ti”.

 

P – Renzo passeia pela vilania, nos negócios, com Dominique. Mas não é um cara mau. Você acha que o público tende mais a gostar ou sentir raiva dele?

R – As duas coisas! O Renzo é um “bon vivant” que foi criado pela tia e teve a melhor educação, tudo do bom e do melhor. Uma vida de iate, bons carros e vinhos, até que começa a se envolver nos negócios dessa mulher, em coisas como assassinatos. E ficou verdadeiramente apaixonado pela Alexia (Deborah Secco), foi a primeira mulher que mexeu mesmo com ele. Vamos ver o que vai acontecer nessa situação, porque Renzo não sabe que ela está viva. Ele é um personagem que passa por uma trajetória de herói.

P – Você está mais forte nesse papel. Por quê?

R – Foi um pedido da direção da novela. Justamente por se tratar de um “bon vivant”, entendo que é um cara que pode fazer tudo o que eu gostaria, se tivesse tempo para isso. Como, por exemplo, ficar andando de lancha por aí, numa boa, tranquilo... Ou praticando esportes e malhando muito. 

P – Como foi essa preparação física?

R – Malhando e voltei a surfar. Surfava quase todo dia e corria na praia de manhã. Voltei às minhas atividades, que adoro. Antes de “Salve-se Quem Puder”, eu estava malhando umas duas vezes por semana e sempre fazendo algum exercício, um funcionalzinho. Mudei um pouco meu peso com essa troca de rotina, ganhei cerca de seis quilos de massa muscular. Foi bom, porque são muitas cenas sem camisa! Mas 80% da minha alimentação vem da minha fazenda. Me exercitar se tornou um vício bom. Brinco que é meu projeto para os 60 anos, para ficar bem e poder jogar um futebol com meu filho.

P – Como tem sido a troca com a Deborah Secco?

R – Eu ganhei uma irmã para a vida! A Mariana (Bridi, esposa de Rafael) já a conheceu. Viramos amigos e juntamos as crianças, está sendo bom demais.

P – Você é um ator que emenda muitos trabalhos, mas passou um tempo fora do ar nesses últimos meses. Quis desacelerar um pouco?

R – Muito. Mas muito mesmo! Além da novela, eu tenho restaurante, uma fábrica de suco, uma fazenda de orgânicos, torrefação de café... E não uso Whatsapp, graças a Deus! 

P – Como você concilia tantos trabalhos?

R – Eu amo tudo o que faço e tento dividir o máximo de tempo para fazer um pouco de cada coisa. Mas deleguei tudo. Contratei pessoas para gerenciar operações de cada coisa, assim posso ficar mais com minha família.

P – Como surgiu essa vontade de investir em fazenda?

R – Veio de um desejo de retomar essa relação com a terra mesmo. Eu ia sempre para fazenda do meu padrinho com meus tios e meu pai. Então, quis proporcionar o mesmo aos meus filhos. Foi ótimo! A Aurora mesmo, no aniversário dela, me surpreendeu. Eu queria chamar os amiguinhos dela para brincarem em casa, na piscina. Mas ela não quis, preferiu ir à fazenda, para plantar. A minha esposa também foi uma grande influenciadora nisso, porque ela adora. 

P – Tem 12 anos que você ganhou seu primeiro personagem fixo em novelas, interpretando um adolescente em “Beleza Pura”, na Globo, em 2008. Como lida com a passagem do tempo?

R – A gente sente que está ficando velho, mas corre atrás do tempo.

P – Aos 34 anos, você carrega rótulo de galã na Globo e é constantemente escalado para essa função. Isso incomoda?

R – Não. Eu acho que isso vai passar daqui a pouco, então eu aproveito enquanto existe o rótulo. Até porque, depois, vou ser o “ex-galã” (risos).

P – Você viajou para o México, para rodar as primeiras cenas de “Salve-se Quem Puder”. Como foi essa experiência? 

R – Foi incrível. Aquilo lá é lindo e eu nem conhecia. É claro que foi pouco tempo, não deu para aproveitar e ir aos lugares que eu tinha vontade. Porém, o pouco que vi já me deixou apaixonado. Quero voltar com a minha família.

P – Antes de “Salve-se Quem Puder”, você vinha de uma série de novelas mais densas. É um alívio poder fazer uma comédia romântica agora? 

R – “Salve-se Quem Puder” foi um presente que eu ganhei, sem querer ser piegas. Ainda mais por conhecer o Fred (Mayrink, diretor) e poder trabalhar com ele, que tem uma pegada mais para cima.

Oportunidade gringa

Em 2018, quando voltava de sua fazenda com um colega de trabalho de lá, em direção ao Rio de Janeiro, Rafael passou por um grande trauma que quase fez sua carreira mudar de direção. “Foi um assalto violento, com tiros, mas não cheguei a me ferir”, lembra, sobre o arrastão do qual foi vítima. Na época, ele gravava “Espelho da Vida”, aparecendo nas cenas de época como o jovem Danilo Breton, o grande amor da apaixonada Júlia Castelo, papel de Vitória Strada – que hoje interpreta a Kyra/Cleyde de “Salve-se Quem Puder”. E mencionou que gerava “ferramentas para poder sair daqui”, o que deu a entender que tinha vontade de se mudar do Brasil. 

Não demorou, então, a surgir o convite para gravar fora do país. Depois de refletir, porém, o ator recusou a proposta. “Chegou a sair na imprensa que eu só queria ganhar dinheiro, mas não era isso. As coisas se harmonizaram e eu percebi que a minha vida é aqui, no Rio de Janeiro. Já trabalho em algo que adoro. Tive convite de streaming, da Netflix, para fazer série fora. Mas o que tenho na vida eu devo à Globo, onde confiam no meu trabalho”, conta ele, que marcou presença em dez novelas da emissora, sempre nos núcleos principais, nos últimos dez anos.

Homem da terra

Faz três anos que Rafael optou por investir em fazenda e, assim, estreitar ainda mais seu contato com a natureza. O ator chegou a ser vegano por um tempo, mas acabou se rendendo, literalmente, aos prazeres da carne. “Fui por um tempo, mas voltei porque, para mim, é muito difícil. Sou gaúcho e priorizo tudo o que produzo: galinha, porco, cordeiro, enfim, tenho tudo lá, fora a parte de leguminosas. Minha relação é assim: eu crio, agradeço e uso com parcimônia”, confessa.

A fazenda de orgânicos fica perto de Cachoeira de Macacu, a quase 100 quilômetros da capital do Rio. De lá, ele traz itens que são servidos no restaurante do qual é sócio, além de alguns mimos escolhidos a dedo para servirem de presente a amigos mais próximos. “Agora, estamos trabalhando para reforçar a marca. Isso inclui tocar os desidratados e fazer a parte de sucos prensados com as frutas que cultivamos”, diz, visivelmente orgulhoso.

Instantâneas

# Um dos trabalhos mais polêmicos da carreira de Rafael Cardoso foi no cinema, em um filme lançado em 2009. Em “Do Começo ao Fim”, ele e João Gabriel Vasconcellos interpretam dois meios-irmãos que viram amantes quando adultos.

# Rafael é genro da jornalista Sônia Bridi, mãe da atriz e youtuber Mariana Bridi, esposa do ator.

# Em 2015, ele foi indicado ao Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como Melhor Ator de teve, por seu desempenho na novela “Além do Tempo”. 

# Antes de trabalhar como ator, Rafael ajudava o pai em uma pequena empresa de sistemas eletrônicos de segurança da família.

 

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!