Clique aqui e veja as últimas notícias!

ENTREVISTA

Eriberto Leão fala sobre a importância de “Malhação – Sonhos” em sua carreira

No ar na reprise do folhetim, o ator valoriza o impacto em sua vida pessoal até hoje
16/02/2021 11:01 - Caroline Borges/TV Press


 Eriberto Leão coleciona inúmeros trabalhos de destaque na tevê. Porém, “Malhação – Sonhos” ficou eternizado na trajetória do ator de 48 anos de uma forma muito peculiar. Cerca de três anos após o fim do folhetim infantojuvenil, Eriberto reviveu o personagem Gael de um jeito bastante particular. Ele nomeou seu segundo filho, fruto de seu relacionamento com a atriz Andréa Leal, com o mesmo nome do lutador de muay thai da trama de Rosane Svartman e Paulo Halm. Os dois já eram pais do pequeno João. 

Foi um dos trabalhos mais importantes da minha vida. Meu filho caçula se chama Gael em homenagem ao meu personagem. Acho que isso dá a real ideia do quanto fui feliz como ator e como ser humano. Aprendi muito com todos os meus colegas, desde os mais experientes aos mais jovens e com os diretores, com a equipe, com o primoroso texto da Rosane e do Paulo. Éramos uma grande família e nos amávamos muito”, afirma Eriberto, que voltou ao ar com a reexibição da novela adolescente em virtude do adiamento da próxima temporada inédita da produção.

Na história, Gael é o pai das protagonistas Bianca e Karina, vividas por Bruna Hamu e Isabella Santoni. Competitivo e linha dura, ele criou sozinho as filhas após a morte de sua mulher. No fundo, é um homem sentimental e se derrete na presença de Dandara, papel de Emanuelle Araújo, a única pessoa da fictícia escola de arte e dança Ribalta que consegue ter uma conversa civilizada com ele.

A gente sonhou junto durante esse trabalho. Agora, estamos trazendo sonhos de novo no meio dessa loucura, pandemia. Nesse trabalho a gente consegue provar que a vida é sonhada através da nossa arte. Uma frase do Raul Seixas rege a minha vida: Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”, filosofa. 

P – Você ficou surpreso com a escolha da reprise de “Malhação - Sonhos”?

R – Sim. Fiquei muito feliz com o retorno desse projeto. Foi uma novela inesquecível. Com certeza foi um dos trabalhos mais importantes da minha vida. Sou grato ao universo de ter tido a oportunidade de participar de “Malhação – Sonhos”. É muito especial ver a novela retornar nesse momento que estamos vivendo. É uma trama que fala de arte e esporte.

P – O Gael é um personagem bronco e que tem um relacionamento conturbado com as filhas. O que mais chamou sua atenção no personagem?

R – O Gael era um personagem travado, viúvo, teve de criar duas filhas. Ele não sabia lidar com elas. Talvez, por excesso de amor, ele tivesse essa limitação. Fiquei muito feliz de ter um papel que falava de esporte, mas eu queria mesmo era ser da galera da Ribalta (risos). Quem abre esse universo do amor do Gael é a Dandara.

P – Como o convite de “Malhação – Sonhos” chegou até você? 

R – Foi através do diretor Luiz Henrique Rios. Quando ele me telefonou, eu disse que eu tinha de me apaixonar pelo projeto. Em contrapartida, ele também disse que só queria que eu topasse se estivesse apaixonado. Recebi os 10 primeiros capítulos para ler e me apaixonei no primeiro parágrafo. A cada diálogo que eu ia lendo, eu ficava mais encantando e envolvido. A gente fez um projeto com muita paixão, foi transformador. Depois de “Malhação”, ganhei um fôlego que todos os artistas deveriam experimentar.

P – Como assim?

R – Eu não digo que ganhei um novo fôlego, sabe? Eu digo que ganhei um grande fôlego. Esse projeto tem um espaço muito especial na minha trajetória pessoal e profissional. Me trouxe uma maturidade muito grande. Se eu fosse falar todos os detalhes que esse trabalho envolve com a minha vida, iriámos ficar conversando por horas e horas. Foi um projeto com muita consciência e significância. Tive muitos aprendizados coletivos com a direção, autores e elenco. Não imaginava que fosse aprender tanto. Além disso, antes das gravações, a gente teve uma preparação muito intensa e maravilhosa.

P – “Malhação” é conhecida por misturar gerações no vídeo. Como foi essa experiência de trabalhar ao lado do elenco novato? 

R – No telefonema do Luiz Henrique, eu já senti que seria uma troca muito intensa. Naquele momento, eu senti que seria um projeto de muita paixão. O elenco jovem abraçou essa novela. Lembro muito de vê-los em rodas de violão, tocando músicas do Legião Urbana. Isso era uma coisa que eu fazia na minha juventude também. Hoje, eu olho para o Arthur (Aguiar) ou para o Rafa (Vitti) e sei que tem muito amor na nossa relação. O amor é a única revolução verdadeira. Podemos mudar o mundo com isso. Ficamos muitos felizes gravando no nosso cafofo da “Malhação”. Essa novela também me fez lembrar muito do início da minha carreira.

P – De que forma?

R – Quando eu tinha uns 17 ou 18 anos, eu fui contrarregra em uma peça. Foi nesse espetáculo que eu entendi como funciona o coletivo. Eu tinha a função de jogar flores no final da peça. Aquele momento era meu momento de plenitude. Eu vi esse momento novamente na “Malhação – Sonhos”. Eu via aquele menino que jogava flores através daquele elenco jovem.

P – Ao longo dos capítulos, o seu personagem se envolve com a professora Dandara, vivida pela atriz Emanuelle Araújo. Como foi trabalhar ao lado dela em cena? 

R – A Manu me recebeu muito bem no projeto. Foi maravilhoso trabalhar ao lado dela. A gente nem era tão mais velho do que o elenco novato (risos). A Manu, na verdade, era do elenco jovem, mas com uma maturidade de veterana. Ela me ajudou muito durante a fase de preparação. Me ajudou muito a me conectar com todos. Ela foi praticamente uma ponte com o elenco novato.

P – Tem alguma cena que você espera rever nessa reprise? 

R – As cenas com a Emanuelle eram sempre incríveis. Tivemos sequências que eram como a criação do universo. A gente sempre tem de pensar que nosso trabalho é transformador de alguma forma. Uma cena importante para mim foi a sequência do nascimento do filho deles. Aquele bebê mostrava a fase final de uma longa jornada. Simbolizada essa família que se formou. Lembro que todo mundo estava se abraçando. Era uma sequência de esperança, que é algo muito necessário para nossa própria evolução.