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ARTES PLÁSTICAS

Erika Pedraza e Marilena Grolli estreiam exposição com obras inéditas na Galeria de Vidro na Capital

Mostra, que tem influência da arte urbana, traz 15 obras de cada artista, em diferentes técnicas
18/02/2021 10:30 - Naiane Mesquita


As artistas Marilena Grolli e Erika Pedraza são as protagonistas da exposição Mulheres em Cena, que abre para o público amanhã, a partir das 19h, na Galeria de Vidro, em Campo Grande. A mostra, que tem influência da arte urbana, traz 15 obras de cada artista, em diferentes técnicas.  

Desenvolvidas durante a pandemia do coronavírus, as telas de Erika trazem um pouco da vivência da artista como mãe, professora e mulher restrita ao ambiente familiar. “Eu apresento uma série que desenvolvi no começo da pandemia. Sou professora e, com tudo acontecendo, fiquei com as aulas remotas. Também terminei uma relação de quase quatro anos. Tudo isso me motivou a usar a arte como terapia. Comecei a pintar artistas que eu estava escutando muito, por passar mais tempo em casa pude conhecer mais a fundo alguns que ouvia brevemente, aí nasceu”, explica Erika.

Na lista dos artistas presentes nas obras estão Emicida, Mano Brown, Raul Seixas e Elza Soares. Até Karol Conká foi retratada, mas, depois do posicionamento da artista durante a edição 21 do Big Brother Brasil, Erika decidiu substituir a obra da cantora. “Pintei a Gloria Groove em cima”, ri.  

“Intitulei [a série] de Amarelo Drama, por estar apaixonada pelo Emicida [Amarelo] e pelo trabalho do Mano Brown [Drama]. De artista para artista, percebi que a maioria era rap. Mas pintei também Raul Seixas, Elza Soares, Nina Simone, Cartola, nomes que eu considero importantes. Meu trabalho tem sido, nesses últimos quatro anos, mais voltado para um olhar de negritude, de identidade. Assim, pintei em maioria artistas negros”, frisa.

Erika nasceu em Campo Grande e fez faculdade de Artes Visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “Eu desenhava desde criança, sempre tive certeza de que seria artista. Vivia com um gibi na mão e sempre treinava copiando Turma da Mônica, depois Marvel e alguns mangás”, conta.  

A ligação com o cartum e a caricatura surgiu naturalmente. “Quando entrei na UFMS para fazer Artes Visuais, comecei a fazer mais caricaturas para conseguir me manter, comprar materiais, xerox, almoço, etc. Comecei a ficar mais conhecida e continuei pintando, consegui exposições no tempo da faculdade e depois dela”, completa a artista.

Nas obras que serão expostas, Erika aposta no movimento Pop Art. “Eu pinto acrílica sobre tela e realizei uma pintura com pegada do movimento Pop Art. São obras com cores bem vivas, bem alegres. Uma verdadeira forma de fazer da arte o meu escape emocional. Fiz na linguagem do stencil também, que apelidei de ‘falso stencil’, porque de fato eu não faço, copio a olho as manchas”, pontua.

Erika também traz uma reflexão sobre identidade em suas obras. “Em 2019, eu e os artistas Glauber Portman e Leonardo Mareco criamos um coletivo composto somente por artistas negros, chamado Coletivo Enegrecer. Meu trabalho de 2017 pra cá teve mais militância, mais identidade, me coloco como artista negra. Sei da importância da representatividade”, acredita.

A mostra tem parceria com a Nação Hip Hop Brasil MS e, no dia da inauguração, contará com a apresentação de rappers e MCs.