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CULTURA

Escritor lança livro “Compêndio de Evisceração” com 17 contos que abordam confinamento e irresponsabilidade

Henrique Pimenta recebeu por outro livro publicado, o Prêmio Guavira, em 2017
04/03/2021 10:00 - Naiane Mesquita


Nascido em Resende, Rio de Janeiro, Henrique faz questão de frisar que não é carioca. O termo utilizado para definir quem nasceu na capital não se aplica aos outros municípios, que no caso, adotam o fluminense como o correto. A verdade é que o professor de Língua Portuguesa e Literatura mora há anos em Campo Grande e já carrega a cidade também no coração, ao ponto de que, com frequência, ela apareça também na sua escrita.

As histórias passam pela Avenida Afonso Pena, asilo Dom Bosco, praça Itanhangá, Santa Casa, Rua dos Vendas, Igreja Nossa Senhora de Fátima, UFMS, Hotel Gaspar, sebos e condomínios famosos.

“Eu tenho quatro livros publicados. Para uma pessoa que começou a escrever com constância aos 15 anos, eu só comecei publicar de fato depois que já estava aqui em Campo Grande. Meu primeiro livro é de 2012, um livro de sonetos. São sonetos que abordam a sexualidade e o erotismo”, frisa.

Na obra “Compêndio de Evisceração” (Editora Chiado), Henrique Pimenta traz 17 contos trabalhados no período de aproximadamente 6 anos, até atingirem o formato ideal, no fim de 2020. Mesmo que de forma não intencional, a maioria dos contos se passa em ambientes confinados, com personagens à beira do limite, irresponsáveis e que se aproximam bastante da pandemia do coronavírus.

Em “Compêndio de Evisceração”, Henrique ressalta que há mescla de técnicas literárias com técnicas cinematográficas, como nos textos “Camerata”, “Do ponto de vista da câmera” e “Estilística das entranhas”. Também interage, caoticamente, com um amplo espectro da área musical, citando Motörhead, Mutantes, Thelonious Monk, Aldir Blanc, Galinha Pintadinha, chegando até a lendária banda de grindcore sul-mato-grossense: Dor de Ouvido.  

 

Trajetória

Henrique começou a escrever textos literários com 15 anos de idade e, como poeta, publicou o livro de fesceninos “99 Sonetos Sacanas e 1 Canção de Amor” (2012), e, mais tarde, experiências com a poesia contemporânea na obra “Alcácer-Quibir” (2019).

“Eu decidi escrever, no sentido de escrever artisticamente, com 15 anos de idade, eu era adolescente. A partir dali, tenho o certo hábito de escrever quase diariamente. Eu não sei dizer uma questão motivadora, mas era a adolescência, que é uma fase de bastante impacto”, explica.

Na época, Henrique buscava uma forma de se expressar, que acabou surgindo na poesia. “A grande base da minha literatura é a poesia e aos poucos diversificando. Em linhas gerais, a ideia é essa, uma forma de expressão de um adolescente atormentado. Não é algo tão diferente, porque é uma fase de vida que comporta esses aspectos, uma necessidade de expressão para tentar dar respostas a questionamentos íntimos. Para mim, escrever poesia era rebeldia”, pontua.

Como contista, publicou “Ele Adora a Desgraça Azul” (2016), livro que recebeu o Prêmio Guavira, Edição especial – MS 40 anos, em 2017. “Passado bastante tempo depois, eu publiquei em 2016, de forma estranha, foi um livro de contos. Foi uma questão, mais ou menos o seguinte, eu escrevia muita poesia, como eu te falei, a minha base era essa. Eu sofri uma espécie de desafio, porque eu participei de um evento e era um concurso de contos, do qual eu não fui muito bem. E eu me senti desafiado, no sentido de tanto tempo escrevendo, eu não sabia que eu teria dificuldades ao participar de um concurso. Então, eu passei a escrever muitos contos e o resultado foi que, dos contos feitos, eu mostrei para pessoas conhecidas, que gostaram”, relembra.

Com a publicação, Henrique recebeu um prêmio. “Eu acabei publicando e acabei ganhando o prêmio Guavira, em 2017, considerado o mais importante de Mato Grosso do Sul”, frisa.

 

Serviço – O livro está disponível na Amazon, na Livraria Martins Fontes, na Livraria da Travessa e na Livraria Cultura. O preço é de R$ 39. Em Campo Grande, o lançamento será no dia 18 de março, às 19h, no Sesc Cultura, na Avenida Afonso Pena, 2270.