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ESPECIAL

No dia internacional da mulher, especial “Falas Femininas” viaja pelo Brasil

Foram escolhidas cinco protagonistas para mostrar diferentes realidades
08/03/2021 16:25 - Geraldo Bessa/TV Press


Com bandeiras como inclusão, respeito e diversidade na ordem do dia, a Globo, desde o ano passado, vem se apropriando de importantes datas do calendário para colocar em prática o Projeto Identidade. 

A iniciativa cria projetos especiais com o objetivo de valorizar temáticas sociais específicas, como foi o “Falas Negras”, exibido no dia da Consciência Negra, em novembro do ano passado. 

O segundo fruto da iniciativa chama-se “Falas Femininas” e vai ao ar hoje, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. 

Com uma equipe majoritariamente feminina, liderada pelas diretoras Antônia Prado e Patrícia Carvalho, o especial destaca trajetórias inspiradoras, ressalta a potência da mulher brasileira e provoca uma conversa franca sobre alguns dos dilemas femininos da atualidade. 

Em formato documental, a equipe acompanhou, em um primeiro momento, o dia a dia de cinco mulheres, que representam o país em sua diversidade cultural, social, racial e religiosa. 

“Mergulhamos na rotina de cinco mulheres que representam a brasileira real: batalhadoras que trazem dinheiro para dentro de casa, cuidam dos filhos, da limpeza, da comida. Apesar de serem as mais numerosas proporcionalmente na nossa população, são as menos vistas, as menos ouvidas, as menos representadas. O programa quer ampliar essas vozes, ao mesmo tempo em que serve como um espelho, para que elas enxerguem e reconheçam seu próprio valor”, acredita a diretora Patrícia Carvalho

A busca por essas personagens começou em novembro do ano passado. 

Com tudo definido, no último mês de janeiro, as equipes se dividiram para iniciar as gravações nas cidades de origem das protagonistas escolhidas. 

Do Rio de Janeiro vem a rapper e estudante universitária Carol DallFarra, de 26 anos. 

Nascida em Bonsucesso, Zona Norte da capital, mas criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, trabalhou para pagar o próprio cursinho pré-vestibular e hoje está concluindo a faculdade de Geografia na prestigiada Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua trajetória estimulou a própria mãe, Eliane, a voltar para a escola. 

De São Paulo chegam a auxiliar de enfermagem Cristiane Sueli de Oliveira e a diarista Tina. Separada há dois anos, Cristiane mora com os quatro filhos e se divide entre a rotina no hospital e o cuidado com eles. 

Já Tina é natural da Bahia, onde desde cedo começou a trabalhar em casa de família como empregada. Quando um dos irmãos se mudou para São Paulo, pegou o mesmo rumo. 

Na capital paulista, faz faxina em residências, empresas, cozinha para eventos. 

“A gente se divide em muitas para dar conta de viver. A mulher é forte mais do que o gato, que tem sete vidas. A mulher é ilimitada”, defende Tina, com o bom humor que lhe é peculiar.

Completam o time, a ambulante Gleice Araújo Silva, mais conhecida como Ruana, e a agricultora Maria Sebastiana. 

Aos 29 anos, Ruana mora em Salvador com o marido e as três filhas e tem uma barraca de drinks na praia. Fora da alta temporada, complementa sua renda cozinhando em eventos ou por encomenda. 

Na longínqua e pequena São Raimundo Nonato, no Piauí, a equipe do “Falas Femininas” encontrou Maria Sebastiana e se emocionou. 

Ao longo de seus 59 anos, não frequentou a escola porque tinha que trabalhar na roça, mas aprendeu a tocar sozinha uma sanfona que encontrou abandonada. 

Foi conciliando o trabalho na lavoura com apresentações em festas que ela conseguiu dinheiro para sustentar a família. Em 2019, entrou em uma escola para alfabetização de adultos, onde aprendeu a escrever seu nome. 

“A escolha das personagens partiu do desejo de mostrar histórias ainda desconhecidas, mas fortes e extremamente representativas da população brasileira. No especial, vamos conhecer melhor as pessoas por trás dos postos de trabalho ou status social e mergulhar fundo nas suas vidas. Todas essas mulheres carregam marcas e cicatrizes de uma história dura e muito batalhada. Entretanto, isso não impede que tenham alegria, espontaneidade e leveza para superar os problemas e enxergar a vida com esperança”, pontua a diretora Antônia Prado.

As cinco protagonistas do “Falas Femininas” se encontraram e se conheceram em São Paulo no fim de janeiro em uma emocionante roda de conversa, na qual se identificaram em suas vivências e lutas cotidianas. 

“Quando começamos a escutá-las, nos reconhecemos em muitas dessas histórias, nas dores, nas vontades, nos receios, nos desejos e isso traz sororidade. Todos vão se sentir contemplados com a beleza desse especial e com todo o conteúdo que vamos oferecer. Na verdade, conteúdo que elas têm para oferecer, já que elas são as estrelas”, empolga-se Fabiana Karla, que foi a mediadora do papo e também está na equipe de criação do programa. 

Para valorizar a trajetória do quinteto, o especial termina prestando uma grande homenagem a cada uma delas. 

Ao final do encontro em São Paulo, elas foram convidadas a participar de um ensaio fotográfico.

 “A narrativa antecipa ao espectador que algo vai acontecer e o leva até a revelação ao final, ao desfecho da história, com uma grande surpresa”, adianta Patrícia Pedrosa. 

Além da exibição na tevê aberta, o especial também será veiculado dois dias depois pelo GNT, ao final do “Saia Justa”.