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CRÔNICA

Estamos no Titanic

Por Theresa Hilcar
19/04/2020 10:46 - Da Redação


 

“Não estamos no mesmo barco”. É uma frase que volta e meia circula nas redes sociais. Nas entrelinhas da mensagem lê-se: cada um de nós vai passar por esta Pandemia de uma maneira. E que o isolamento não é opção para muitos, pode ser um teste de força para a maioria, e para alguns privilegiados um tempo de férias ou de recolhimento. Sim, cada um de nós está passando pela crise do Covid 19 de maneiras distintas. Até porque vivemos no Brasil. Que cá pra nós, vem se revelando o mais distinto do mundo.

Mas não, realmente não estamos no mesmo barco, nem iate, nem canoa, no mesmo bote. A analogia aqui é outra, meus caros. Estamos no mesmo navio, em um transatlântico que lembra muito o Titanic. Quem não se lembra do Titanic? Ao menos do filme, baseado em fatos reais, levado às telas do mundo inteiro pelo diretor James Cameron em 1997, e estrelado por dois jovens atores: Leonardo di Caprio e Kate Winslet?

Pois é, a sensação que tenho hoje (dia 15) data em que o naufrágio completa 102 anos, é de fazer parte dos milhares de passageiros daquele famoso navio. Considerado o mais avançado e seguro de sua época, que saiu da Inglaterra rumo aos Estados Unidos e colidiu com um iceberg que causou o naufrágio. A bordo estavam 3 547 pessoas. E segundo os especialistas a noite era clara, o casco do navio estava perfeito e a velocidade era segura. A viagem era inaugural, mas o iceberg estava lá há milhares de anos.

O acidente, de acordo com os mais famosos especialistas e estudiosos do assunto, aconteceu por causa de uma ilusão de ótica. Segundos eles, as condições atmosféricas no momento e no local do acidente eram propícias para um fenômeno chamado “super-refração”, que ocorre quando a luz se dobra de forma a causar uma espécie de miragem, fazendo com que o iceberg não fosse visto. 

Encontrei diversos pontos semelhantes, além da ilusão de ótica, que provocaram tamanha tragédia e, no nosso caso, ao que tudo indica anunciando outra. São fatos reais curiosos que de alguma forma corroboram, digamos assim, com esta analogia do Titanic com o Covid 19. 

- A tripulação do Titanic manteve o navio na velocidade máxima mesmo depois de ter recebido informações sobre icebergs na área.

- Se o alerta sobre o iceberg chegasse pelo menos 30 segundos antes, teria sido possível evitar a colisão.

- O Capitão do navio resolveu cancelar um treinamento de emergência com os passageiros, marcado no mesmo dia em que o navio afundou. Se o treinamento agendado realmente tivesse acontecido, provavelmente mais pessoas teriam sido salvas.

- Muitos dos barcos salva-vidas não estavam com a sua capacidade máxima de pessoas a bordo. Se estivessem, seria possível salvar 53,4% dos passageiros, mas apenas 31,6% deles sobreviveram.

- Só havia 20 barcos salva-vidas a bordo do navio, mas o Titanic era capaz de carregar até 64 e o plano inicial era para que ele carregasse 48. O número foi reduzido para fazer com que o deck não parecesse desorganizado.

- O passageiro mais rico era o tenente coronel John Jacob Astor IV, com uma fortuna equivalente hoje a R$ 3,3 bilhões – ele não sobreviveu. 

São apenas alguns. Existe uma história inteira à disposição de quem queira se aprofundar no assunto. Mas é no mínimo desolador constatar que hoje, após 102 anos e inúmeras transformações no mundo, a atitude mesquinha e irresponsável de alguns humanos continuam iguais. Até o número de botes continua o mesmo.

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.