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MODA

Estilista rompe fronteiras do mundo fashion com tradição indígena

Estilista Fábio Maurício consolida-se como diretor de arte de produções audiovisuais e sonha em rodar o País com seu projeto inspirado na cultura terena
12/01/2022 10:00 - Marcos Pierry


Do Carnaval de rua da Capital à icônica boate nova-iorquina Studio 54. De Nelson Rodrigues a vanguarda musical do Lírio Selvagem. Do samba ao cinema. Do rock à MPB. Do set à passarela. Da estética vintage à visualidade terena. 

A lista é extensa e sempre marcada por associações entre lugares, épocas, estilos e sensibilidades bem diferentes. É desse modo que trabalha, desde o início da carreira, há quase duas décadas, Fábio Maurício. Além de se dedicar a suas próprias coleções e editoriais de moda, o estilista brilha nos sets de filmagem e nos palcos.

Nos próximos dias, Maurício segue para Três Lagoas para dar suporte, como diretor de arte e figurinista, a mais um curta-metragem do Ladrak – Laboratório de Dramaturgia e Kinopoéticas, um coletivo de Dourados pilotado por seis multiartistas que trabalham com cinema, música, performance e outras linguagens. 

Assim que concluir a missão, parte para o Rio de Janeiro, onde, nas mesmas funções, participa da gravação do novo videoclipe da cantora Dani Vallejo.

Dani e o pessoal do Ladrak são velhos conhecidos do estilista. Maurício assina os figurinos da cantora sul-mato-grossense desde 2011. Com o coletivo artístico de Dourados, ele passou a colaborar em 2021 no curta “Pelos Jardins de Mylena”, dirigido por Iulik Lomba de Farias e Raquel Fernandes Canário.

TERENA FASHION

Ainda para este ano, existe um convite para um evento de moda de grande porte. 

“Por enquanto, infelizmente não posso dizer muito a pedido da produção. Porém, posso garantir que passo ultimamente em estado de êxtase ao meio de um turbilhão de ideias e inspirações para poder apresentar nesse evento”, despista Maurício. “Tenho a sorte de trabalhar com uma equipe muito boa, desde costureiras, modelos e principalmente minha produtora-executiva Caroline Garcia. Juntos pensamos e desenvolvemos projetos culturais desde 2013”, elogia.

“Em 2022, vamos levar Mato Grosso do Sul para o restante do Brasil”, revela o fashionista. Como assim, Maurício? “Entre os projetos pessoais que venho idealizando, planejo a realização de um projeto de moda com as índias terenas para circular em outros estados, apresentando a história cultural de Mato Grosso do Sul”, conta o estilista. 

Nascido em Cacoal, Rondônia, e radicado em Campo Grande, Maurício sempre gostou de trabalhar, e viver, na fronteira. Graduou-se em Design de Moda pela Uniderp em 2005.

Mas acabou estreando antes de terminar o curso. “Atuo profissionalmente desde 2004, quando trabalhei com Irany Caovilla, [a grife de moda feminina] Pimenta Malagueta e quando fiz minha primeira coleção de roupas”, afirma o designer de moda de 36 anos, que se mudou para Campo Grande em 2003. 

Maurício é um daqueles casos em que o talento orgânico não demorou a aparecer.