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STREAMING

Estreia da série “Boca a Boca", produção brasileira destinada ao público jovem

Netflix se aproveita da pandemia e lança a série de seis episódios, sem muito alarde
04/08/2020 10:22 - Geraldo Bessa/TV Press


Maior serviço de “streaming” do mundo, a Netflix há muito deixou de ser uma mera reprodutora de séries e filmes para se tornar uma poderosa produtora de conteúdo original. Além de pensar em títulos com apelo mundial, um dos grandes méritos da empresa é também manter um olhar regional de acordo com o mercado local. No Brasil, a Netflix vem preenchendo importantes lacunas audiovisuais, com produções que, dificilmente, teriam acolhida e bons orçamentos em emissoras abertas ou canais pagos. Títulos como a futurista “3%” e o suspense zumbi “Reality Z” mostram que o potencial dos realizadores brasileiros pode ir muito além das ótimas novelas feitas por aqui. Sempre em parceria com cineastas e roteiristas em ascensão, o lançamento da vez é a misteriosa “Boca a Boca”, série de seis episódios criada por Esmir Filho, que também dirige a produção ao lado de Juliana Rojas. Ele é conhecido pelos fãs de filmes alternativos por conta de uma instigante abordagem sobre sexualidade e drogas na adolescência em longas como “Os Famosos e os Duendes da Morte” e “Alguma Coisa Assim”. Já Juliana tornou-se uma diretora celebrada por seus inusitados filmes de terror, casos de “Trabalhar Cansa” e “As Boas Maneiras”. Respeitando seus currículos, a dupla faz de “Boca Boca” um trabalho híbrido, valorizando o que cada um faz de melhor em suas carreiras solos.

Lançada sem alarde, mas de forma muito conveniente em plena pandemia de coronavírus, a trama de “Boca a Boca” é ambientada em uma cidade pecuarista do interior de Goiás, onde adolescentes entram em pânico quando são ameaçados por um surto epidêmico causado por uma infecção contagiosa transmitida pelo beijo. Aglutinando diversas referências a séries “teenagers” recentes como “Riverdale” e, especialmente, “Euphoria”, da HBO, a série retrata os desejos de uma juventude conectada pelas redes sociais e que vive em uma realidade repleta de opressão e desconfiança. A primeira infectada é Bel, de Luana Nastas, que se desespera ao despertar de uma “noitada” com os sentidos confusos e os lábios manchados, principais sintomas da doença que logo se populariza como o “vírus do beijo”. Protagonizada pelo trio Fran, Chico e Alex, papéis de Iza Moreira, Michel Joelsas e Caio Horowicz, respetivamente, “Boca a Boca” percorre diferentes caminhos para tratar conflitos familiares, diferenças de classes e direitos individuais. Quando o espectador acha que já entendeu tudo, o roteiro promova uma curiosa alteração de curso.

É preciso realmente “embarcar” na viagem proposta por “Boca a Boca” para se conectar à história. Principalmente, quando os conflitos mais densos são largados em prol do enredo de ficção científica que se desenvolve a partir da metade dos episódios. Misturando seitas curandeiras, lendas sobrenaturais e experiências genéticas no meio agropecuário, a série exige demais da paciência do público para se fazer valer. Com elenco jovem com desempenhos oscilantes, a produção acerta ao investir em talentos mais maduros para equilibrar as atuações. Distante de produções mais relevantes há alguns anos, Bianca Byington, Denise Fraga e Julia Feldens brilham em cena. No time masculino, que conta com reforços como Bruno Garcia e Flávio Tolezani, o destaque fica por conta da presença de Thomás Aquino, que fez sucesso no longa “Bacurau”. Na série, Thomás vive Maurílio, sujeito que subverte a figura do “cowboy macho” de forma inventiva. Produzida em parceria com a Gullane, “Boca a Boca” apresenta efeitos especiais coerentes com seu enredo, funciona bem nos bons momentos, mas não salva as sequências onde o roteiro soa vago e simplista.

 
 

Felpuda


Depois de se “leiloar” durante meses, e afirmando que estava até escolhendo o município para se candidatar a prefeito, ex-cabeça coroada não só não recebeu acenos amistosos, como também não encontrou portas abertas com tapete vermelho a esperá-lo. 

Assim, deverá pendurar as chuteiras e fazer como cardume em seu pesqueiro: nada, nada...