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NOVELA

Estreia da trama vingativa “Fera Radical”, de Walther Negrão, no Globoplay

Misturando agropecuária e tecnologia, o folhetim de 203 capítulos já está disponível
17/08/2020 08:12 - Geraldo Bessa/TV Press


A versatilidade fez Walther Negrão um dos novelistas mais funcionais da tevê. Com mais de cinco décadas de carreira nas costas, o autor foi inúmeras vezes escalado por sua habilidade em se adequar ao gosto popular e às demandas das emissoras. Com uma longa lista de “missões”, Negrão já aproximou o público masculino dos folhetins em “Cavalo de Aço”, revitalizou a relação entre as crianças e o horário das seis em “Era Uma Vez...” e viajou por diversos estados brasileiros, de acordo com a necessidade da Globo, em produções como “Tropicaliente” e “Como Uma Onda”, ambientadas no Ceará e em Santa Catarina, respectivamente. No final de 1987, a Globo cancelou a produção de “Amor Perfeito”, trama de Alcides Nogueira na faixa das seis, por conta do alto custo de produção. Com pouco mais de três meses para pensar em uma novela do zero, a direção artística da emissora chamou Negrão às pressas com a incumbência de apresentar uma sinopse a ser produzida em tempo recorde. Inspirado pela peça “A Visita da Velha Senhora”, de Friederich Durrenmatt, e pelas novidades tecnológicas da informática, o autor concebeu a vingativa trama de “Fera Radical”, novela que acaba de chegar ao aplicativo Globoplay. “O tempo era curto para criar algo original. ‘Fera Radical’ tem a mesma história base de ‘Cavalo de Aço’. Só que em vez de um motoqueiro vingador, coloquei uma motoqueira no papel principal. E, por fim, com a ideia dos computadores também dei um ar de novidade ao trabalho”, conta o autor.

Na trama, 15 anos depois da misteriosa chacina que matou seus pais e irmão, a bela Cláudia, de Malu Mader, ainda tem recorrentes pesadelos com as imagens desesperadoras de tudo o que viveu. Mesmo morando no conforto de Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, ela não esquece as injustiças ocorridas na fictícia cidade interiorana de Rio Novo e não pensa em perdoar seus algozes. Obstinada, prepara-se para voltar ao lugarejo, empregada em uma das fazendas provavelmente envolvidas no seu triste passado. No meio a tantas dúvidas, apenas uma certeza: quer descobrir os verdadeiros culpados e se vingar de cada um deles. Mas o grande mistério está em descobrir a real razão e mandante dos assassinatos. “Cláudia era uma mocinha diferente de tudo o que já tinha visto até então. Além de forte, ela era focada em seus objetivos. E nem mesmo a história romântica foi capaz de apagar esse desejo dela por justiça”, valoriza Malu, que teve apenas um mês de preparação para viver sua primeira protagonista em novelas. “O convite foi feito em fevereiro e a novela estreou em março. A correria foi grande”, relembra.

A fictícia Rio Novo cresceu apenas o suficiente para manter o agronegócio, centralizado nas fazendas Olho D’Água, comandada por Altino Flores, e Gaibu, de propriedade de Donato Orsini, os dois poderosos da região, papéis de Paulo Goulart e Elias Gleizer, respectivamente. São os jovens desses dois clãs que conduzem a história. De um lado, os irmãos Fernando e Heitor Flores, papéis de José Mayer e Thales Pan Chacon. Do outro, Marília Orsini, de Carla Camurati. Para selar a paz entre as famílias, Marília e Heitor estão noivos. Isso não impede que Cláudia maliciosamente flerte com os dois irmãos. Entretanto, a mocinha acaba mais encantada por Fernando. Esse envolvimento desperta a ira da mãe do galã, a prepotente e ambiciosa Joana, personagem da saudosa Yara Amaral, principal vilã da trama. A única real aliada da mocinha é Marta, de Laura Cardoso, espécie de mãe adotiva que apoiou e criou Cláudia depois da morte de sua família. “Já perdi as contas de quantas vezes participei de novelas do Negrão. É um autor que sabe como me envolver como atriz e já me deu diversas belas personagens. Essa novela foi um sucesso estrondoso”, conta a experiente Laura, do alto de seus 92 anos.

Sem tempo hábil de ter uma cenografia mais elaborada, “Fera Radical” investiu alto em cenas externas. Iniciadas em fazendas na região de Vassouras, interior do Rio de Janeiro, as gravações foram concentradas em locações rurais dos bairros de Paciência e Jacarepaguá, na capital do estado. Embora fosse ambientada no campo, Fera Radical era diferente de outras produções focadas no interior. Seus personagens não eram caipiras e a história abordava assuntos como exportação de carne e inseminação artificial de gado. “Atribuo o sucesso da novela a algo novo que experimentávamos ali. Houve um rompimento com a linguagem tradicional das novelas rurais”, acredita Denise Saraceni, que dirigiu a novela ao lado de Gonzaga Blota. Exportada para mais de 30 países e já reprisada com sucesso pela Globo no “Vale a Pena Ver de Novo” e, recentemente, pelo canal Viva, “Fera Radical” agora tem a chance de conquistar o público do “streaming” ao ser disponibilizada com todos os seus 203 capítulos. “Esse resgate das novelas antigas é bem-vindo. Há tempos que o público pedia por isso e agora está acontecendo”, destaca Negrão.

 
 

Felpuda


Partido político está vivendo processo de autofagia cá por essas bandas. Nada de ideologia ou defesa dos interesses dos filiados. O problema, segundo os mais observadores, é que lideranças não se contentaram em ter cada uma o seu pedaço e decidiram tomar conta com exclusividade do espólio, que, aliás, é regado com cifras milionárias. A legenda deverá se transformarem uma máquina de lavar, no caso, cheia de roupas sujas. E dê-lhe!