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ENTREVISTA

A leveza sustentável de Fábio Assunção, que completa 30 anos de tv este ano

O ator se empolga com reprise de “Totalmente Demais” e “Tapas & Beijos”
11/09/2020 14:26 - Geraldo Bessa/TV Press


Fábio Assunção é do tipo que evita grandes doses de saudosismo. No entanto, em casa por conta do isolamento, superou a extrema autocrítica para acompanhar algumas cenas de “Totalmente Demais” e “Tapas & Beijos”, produções que retornaram à grade da Globo por conta da pandemia, onde vive o mimado Arthur e o atrapalhado Jorge, respectivamente. Apesar das muitas diferenças entre os papéis, Fábio consegue uni-los a partir do humor e da leveza com que os personagens encaram os percalços cotidianos. “Eles foram se modificando ao longo das histórias e o amor teve muito a ver com a transformação deles em pessoas melhores. É muito bacana ver essas produções levando uma mensagem otimista em um momento onde o público precisa sorrir um pouco”, valoriza.

Natural de São Paulo, os olhos claros e a cara de bom moço fizeram de Fábio um galã instantâneo. A estreia na tevê foi aos 19 anos, como mocinho de “Meu Bem, Meu Mal”, de 1990, e a partir daí, seguiram-se sucessos como “Vamp”, “O Rei do Gado”, “Por Amor” e “Celebridade”. No final dos anos 2000, problemas de saúde acabaram o afastando de “Negócio da China” e, lentamente, o ator foi se distanciando do ritmo frenético dos folhetins. Com exatos 30 anos de serviços prestados ao vídeo e próximo dos 50 anos, Fábio segue cheio de projetos inéditos e aguarda o fim de quarentena para retomar as gravações de “Fim”, nova série da Globo. “O mundo parou para todo mundo, se observar um pouco. Acho que essa volta ao trabalho será diferente e especial. Enquanto isso não acontece, que bom que temos ótimas produções de arquivo para amenizar e divertir quem está em casa”, ressalta.

P - Dois de seus principais trabalhos da última década acabaram voltando ao ar por conta da pandemia: a novela “Totalmente Demais” e a série “Tapas & Beijos”. Como você encara esses retornos?

R - Com muita surpresa. Mas também com a sensação de que fiz boas escolhas ao longo dos últimos anos. A série tinha um elenco incrível, texto afiado e era impressionante a felicidade de todos os envolvidos. Acabamos no momento certo. Logo depois, me chamaram para a novela, que acabou me aproximando novamente do público jovem. Em comum, são duas produções que escolhem o caminho da leveza para falar sobre a agruras da vida.

P - São dois personagens bem errantes também, não é?

R - Sim, mas com possibilidade de salvação (risos). O Jorge e o Arthur são sentimentalmente complicados e escorregadios. Jorge é um empresário da noite decadente de Copacabana que se leva a sério demais. O Arthur sempre tratou as pessoas de forma descartável e se transforma a partir de uma história de amor. São caras possíveis e que me deram muitas possibilidades de atuação.

P - Você está sempre dando dicas ou lendo trechos de livros em suas redes sociais. Esse “background” literário o aproximava do texto de “Totalmente Demais”?

R - Sim! Acho texto da Rosane (Svartman) e do Paulo (Halm) de uma sensibilidade muito rara. Meu personagem era inspirado de forma lúdica nas questões do Rei Arthur e da espada Excalibur. Apresentar essas histórias ao público jovem é um grande acerto. “Totalmente Demais” é uma comédia romântica que cumpre muito bem sua função, mas vai além.

P - Como assim?

R - É uma produção feita com muito cuidado e que respeita à inteligência de todos os tipos de público. Acho que é por isso que fez e voltou a fazer sucesso. Como o alvo é uma galera muito conectada nas redes sociais, me impressiona o alcance e a repercussão de cada cena mais forte ou engraçada. Até hoje existem diversos fã-clubes da novela, que “shippam” os casais e colocam sempre a trama nos “trending topics”.

P - Sua carreira está muito ligada às novelas. Mas, nos últimos tempos, você tem se envolvido pouco com produções de longa duração. Você cansou do formato?  

R - Adoro fazer novelas, elas são a minha base. Mas precisava fazer outras coisas. Até mesmo para me renovar como ator. Privilegiei coisas mais curtas para poder também atuar fora da televisão. Gravar novela de segunda a sábado acaba com qualquer projeto no teatro. Neste ponto, o esquema de trabalho de “Tapas & Beijos” foi essencial.

P - Por quê?

R - Cinco temporadas, 30 programas por ano, um encontro semanal com o público e tempo livre para desenvolver as coisas no teatro. Fiquei por dois anos com “Adultérios”, de Woody Allen. Na sequência, dirigi duas peças: “O Expresso do Pôr do Sol” e “Dias de Vinho e Rosas”. Foi uma época muito produtiva, onde pude mostrar um pouco mais de versatilidade.

P - Você acha que o posto de galã de tevê acabou o limitando neste sentido?

R - É claro que os convites eram mais direcionados, mas acho que foi a maturidade que me fez bem. Hoje me entendo melhor e sei bem o que quero ou não para a minha carreira.  Este ano completo 30 anos de Globo e me sinto muito instigado como profissional. Estou só esperando me chamarem para voltar aos estúdios.

P - Qual projeto o mantém alerta durante o confinamento?

R - Então, é a série “Fim”, baseada no livro da Fernanda (Torres), de quem fiquei mais próximo durante as gravações de “Tapas e Beijos” e esse carinho dura até hoje! As gravações foram paralisadas no início de março e devem ser retomadas assim que as coisas tiverem realmente mais seguras. Enquanto isso, busco conhecimento e sabedoria para sair desse período melhor do que entrei.