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COLUNA CRÔNICA

Fé camuflada

“Amor sem Igual” posa de laica, mas religião é inserida até na trama principal
24/02/2020 18:00 - Márcio Maio/TV Press


 

A Record passou um bom tempo apostando no nicho de tramas bíblicas e até se deu bem com isso. Porém, em movimentação recente, a direção da emissora optou por voltar a investir em histórias contemporâneas, o que trouxe um refresco para a área de teledramaturgia da emissora. Porém, com “Amor Sem Igual”, é nítido perceber que a estratégia de atrair o público pela fé não foi abandonada. O mocinho Miguel, papel de Rafael Sardão, até aparece lendo a “Bíblia” e orando. Dá até aquela sensação de “déjà vu”, de quando o ator carioca interpretou o convertido Tiago em “Apocalipse”, há três anos. Não que isso chegue a ser um grave problema, mas dá mais pano para a manga em relação às especulações de grande interferência na história com a supervisão de Cristiane Cardoso, filha do bispo Edir Macedo. A própria Cristiane apareceu, recentemente, na história, fazendo um grande merchandising de seu próprio programa na Record, o “The Love School – A Escola do Amor”.

“Amor Sem Igual” vai ao ar às 19h30. Não chega a ser um horário tão aberto para tramas mais densas, em função da classificação indicativa. Mas certamente alguns temas propostos pela autora Cristianne Fridman, como a própria prostituição feminina, poderiam ser expostos de um jeito mais visceral. No entanto, o clima de comédia romântica pesa mais que o drama das meninas que, para se sustentar e realizar sonhos de vida, precisam ganhar dinheiro realizando os desejos de seus clientes.

Surpreende, porém, a postura da mocinha Poderosa, vivida por Day Mesquita. Em inúmeras cenas, a ruiva demonstra que ser uma profissional do sexo pode não ser necessariamente uma necessidade, mas talvez uma vocação em sua vida. Tanto que a jovem sonha em dar expediente no principal clube de prostituição da história. Uma forma de ganhar mais dinheiro? Ou mera questão de status? No fundo, o que parece, é que a vontade é dar mais ênfase na redenção da heroína às avessas, algo que deve acontecer até a reta final de “Amor Sem Igual”. E é aí que a fé de Miguel é mais valorizada: o rapaz parece ser o único a acreditar que, experimentando o amor e o cuidado que sua dura realidade jamais permitiu, Poderosa pode, sim, querer uma vida diferente. 

O problema é que é justamente aí que a novela peca: na falta de romance entre os mocinhos. Miguel está apaixonado por Poderosa, enquanto ela só pensa em pagar sua dívida com ele e seguir em frente. Não são poucas as sequências em que a garota de programa afirma que não acredita no amor romântico. E até conta que, uma vez, passou um mês com um cliente que pagou por sua companhia – essa é sua experiência mais próxima de um compromisso a dois. Às vezes, é fofo e até divertido acompanhar esse conflito entre a dupla. Mas, de forma geral, a impressão que se tem é de que as tramas centrais demoram a ser desenvolvidas. 

"Amor Sem Igual” – Record – Segunda a sexta, às 19h30.

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!