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CINEMA

Festa do Cinema Italiano Brasil exibe 20 longas da recente produção do país

Edição 2020 da 8 ½ Festa do Cinema Italiano Brasil segue on-line e gratuita até 10 de setembro.
07/09/2020 07:00 - Marcos Pierry


Comédias, dramas, aventuras infantojuvenis, episódios da Segunda Guerra Mundial, a realidade contemporânea no registro documental e histórias de amor proibidas ou impossíveis. 

São apenas duas dezenas de longas-metragens, mas a curadoria mantém a diversidade, e a qualidade, na edição 2020 da 8 ½ Festa do Cinema Italiano Brasil, que segue, on-line e gratuita, até 10 de setembro.

É a primeira vez que a mostra dedicada aos filmes da terra de Marcello Mastroianni e Sophia Loren está ocorrendo de forma não presencial. 

E se não oferece o prazer da tela grande e da sala escura, como nas outras edições realizadas em várias cidades brasileiras desde 2014, há, pelo menos, duas vantagens: não precisar pagar ingresso para assistir aos filmes e o conforto de fazer a sessão em casa, no estilo home theater, a qualquer hora.

Uma terceira vantagem desta festa cinematográfica permanece desde os tempos do cinema presencial, e pode ser apontada, inclusive, como a grande responsável pelo sucesso do evento, que contabilizou um público de mais de 200 mil pessoas em 16 cidades brasileiras no ano passado: não abrir mão de filmes recentes e de impacto emocional certeiro junto ao público.  

É assim que Stefano Savio, diretor da 8 ½ Festa do Cinema Italiano, costuma resumir os critérios que orientam o processo de escolha dos títulos a serem exibidos.

“Queremos trabalhar nesse meio termo entre os polos mais artísticos e comerciais, não sendo blockbuster ou hermético, assim como alguns festivais franceses já fazem com sucesso mundo afora”, afirmou Savio durante uma entrevista para o portal www.papodecinema.com.br.  

Italiano de nascimento, o produtor cultural é radicado em Lisboa e criou a festa em 2008, na capital lusitana.

Até a pandemia chegar, ao longo de mais de uma década, o evento se multiplicou em versões locais por diversos países, inclusive na Ásia. 

O “8 ½” que aparece na frente do nome desde o início da mostra é uma homenagem a Federico Fellini (1920-1993) e faz menção a “Oito e Meio” (1963), 10º filme do aclamado cineasta italiano, que até então tinha dirigido seis longas, duas produções de menor duração e mais um longa-metragem, “Mulheres e Luzes” (1951), o primeiro de sua filmografia, em codireção com Alberto Lattuada. Daí a soma dos oito e meio.

Bem que o diretor de “La Dolce Vita” (1960) mereceria uma homenagem com filme na tela, ainda mais neste 2020, quando se comemora o seu centenário de nascimento. 

Mesmo sem Fellini, a festa que começou no dia 28 de agosto promete ser de arromba. 

 
 

Confira dicas do que assistir

Escolhemos alguns destaques para você fazer a sua programação e montar uma agenda. Para assistir aos filmes, basta acessar a página do evento – br.festadocinemaitaliano.com – ou a plataforma Looke na internet.

A começar pela comédia, um dos gêneros de maestria do cinema italiano, a festa exibe “Bendita Locura” (2017), de Carlo Verdone, e “Os Mosqueteiros do Rei” (2018), de Giovanni Veronesi.  

No primeiro filme, um homem não segura o tranco dos encontros amorosos absurdos que surgem quando ele passa a usar um aplicativo de relacionamentos, buscando a superação de um fora que levou da esposa. 

O segundo, um dos grandes sucessos de bilheteria dos últimos tempos na Itália, é uma paródia do clássico romance escrito por Alexandre Dumas (1802-1870), “Os Três Mosqueteiros”, com D’Artagnan como um criador de gado, Athos, um guarda de um castelo, Aramis, na pele de um padre, e Porthos, vivendo um bêbado que cuida de uma estalagem.

 
 

Mais comédia

“Como um Peixe Fora d’Água” (2017), de Riccardo Milani, também se vale da chave cômica para mostrar o desespero e estratégias de Giovanni e Monica, desconhecidos que fazem de tudo para superar suas realidades tão diferentes em Roma e evitar o namoro de seus filhos.  

 

Crime, paixão e documentário

 

A seara dos amores impossíveis volta a ganhar a tela, mas desta vez com uma trama de crime e paixão, em “Nápoles Velada” (2018), do turco naturalizado italiano Ferzan Ozpetek. 

O filme apresenta uma médica-legista apaixonada por um homem mais novo que entra em crise após envolver-se em um assassinato.

Na lista dos inéditos, ainda há três documentários: “O Aprendizado” (2019), de David Maldi, sobre a experiência de um garoto de 14 anos em uma rigorosa escola de garçons; o celebrado “Normal” (2019), de Adele Tulli, que discute gênero e sexualidade a partir de cenas cotidianas; e “Selfie” (2019), de Agostino Ferrente, exibido no Festival de Berlim, sobre a ação da máfia e os abusos da polícia em um subúrbio napolitano, retratados exclusivamente com imagens de smartphone.

 

Casamento e guerra

 

Fortunata (2017), de Sergio Castellitto, rendeu à musa romana Jasmine Trinca o prêmio de melhor atriz em Cannes pelo desempenho como a cabeleireira que sonha com o próprio salão de beleza em meio a um casamento fracassado e a dedicação ao filho. E, resgatando os fantasmas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), A Passagem (2019), de Federico Ferrone e Michele Manzolini, que foi destaque no Festival de Veneza, põe em cena a agonia de um soldado italiano ao relembrar o front de batalha contra a União Soviética.

Jack London e Caravaggio

Outra adaptação é Martin Eden (2019), de Pietro Marcello, baseado no romance do norte-americano Jack London (1876-1916), precursor da literatura beatnik. O enredo se concentra nos sonhos e desilusões de um escritor, papel que rendeu o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza para Luca Marinelli. Baseado em um dos mais intrigantes desaparecimentos do mundo da pintura, o suspense Um Caravaggio Roubado (2018), de Roberto Andò, fabula em torno do roubo de uma tela do renomado artista milanês do período barroco, que viveu entre 1571 e 1610.

Irmãos Taviani

Talvez os diretores mais célebres desta edição, os irmãos Paolo e Vittorio Taviani - de Pai Patrão, A Noite de São Lourenço, Afinidades Eletivas e César Deve Morrer - pavimentaram, em parceria criativa de fôlego, uma filmografia que os distingue desde os anos 50 por belos lances de engajamento humanista e franco ativismo. Uma Questão Pessoal (2017), selecionado para essa edição da FCI, mostra, uma vez mais, o impasse vivido por um militar durante a Segunda Guerra. Estamos em 1943, nas colinas do sul de Piemonte, e Milton hesita entre a luta contra os nazi-fascistas, a amizade com os comparsas do exército e um amor clandestino. Vittorio Taviani morreu em 2018 e este é o último trabalho da dupla.

Nico

Por último, uma cinebiografia bastante aguardada pelos fãs da banda Velvet Underground, ponta de lança na vanguarda nova-iorquina dos anos 60 ao combinar rock, cinema e artes plásticas: Nico, 1988 (2017), de Susanna Nicchiarelli. O filme se detém no último ano de vida da alemã Christa Päffgen (1938-1988), a quem Andy Warhol batizou de Nico, anagrama de “icon” (ícone em inglês). Depois de fazer a cabeça da juventude, e fisgar o coração de vários roqueiros, a hipnótica e glamourosa cantora, atriz e modelo, que, na verdade, empresta a voz apenas em quatro das 11 faixas do disco de estreia do Velvet, encerra a carreira com uma turnê improvisada na Europa. A dinamarquesa Trine Dyrholm brilha no papel principal ao viver uma Nico lutando contra a depressão e a dependência química enquanto tenta um acerto de contas com o filho rejeitado, fruto de um relacionamento com o ator Alain Delon, que também não reconhece a paternidade.

Completam a 8 ½ Festa do Cinema Italiano: as comédias E Agora? Mamãe Saiu de Férias! (Alessandro Genovesi, 2020), O Rei de Roma (Daniele Luchetti, 2018) e A Vida em Família (Eduardo Winspeare, 2017); o thriller Testemunha Invisível (Stefano Mordini, 2018); e o drama Desafio de Campeão (Leonardo D’Agostini, 2019).

 
 

Felpuda


Depois de se “leiloar” durante meses, e afirmando que estava até escolhendo o município para se candidatar a prefeito, ex-cabeça coroada não só não recebeu acenos amistosos, como também não encontrou portas abertas com tapete vermelho a esperá-lo. 

Assim, deverá pendurar as chuteiras e fazer como cardume em seu pesqueiro: nada, nada...