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QUARTA TEMPORADA

Humor despretensioso

Em meio ao caos da pandemia, “A Vila” traz respiro com comédia escrachada e sem grandes aspirações
12/05/2020 08:52 - Márcio Maio/TV Press


 

Nos últimos anos, o humor passou por mudanças na tevê. O foco nas críticas políticas e sociais passou a direcionar boa parte das produções. No entanto, ainda hoje, há quem ainda aposte na comédia escrachada, sem qualquer proposta de reflexão mais profunda. Em “A Vila”, que estreou recentemente sua quarta temporada no Multishow, a única intenção parece ser mesmo a de fazer rir. E em fase de quarentena e com tantos problemas ganhando os telejornais e a rotina dos telespectadores, a chance de não precisar pensar muito em nada acaba se tornando mais interessante.  

Quando estreou, em 2017, o programa não chegou a se destacar tanto – provavelmente pela própria proposta despretensiosa e muito próxima de outras produções do canal fechado, como “Vai que Cola”. Depois de quatro anos, dá para dizer que cada personagem – novo ou não – tem uma história ali. Porém, não importa muito conhecê-la ou mesmo ter acompanhado as levas de episódios anteriores. A dinâmica é simples o suficiente para que até quem nunca viu entenda: a cada semana, Rique e Violeta, protagonistas interpretados por Paulo Gustavo e Katiuscia Canoro, apostam em alguma forma de conseguir dinheiro fácil. O que só parece ser possível ludibriando seu Lupércio, interpretado por Ataíde Arcoverde, o único que tem sempre no bolso uma carteira recheada de notas de R$ 100.

Um dos principais pontos de destaque do programa é o carisma do elenco. A Paulo, Katiuscia e Ataíde, juntam-se nomes como Monique Alfradique, Lucas Veloso, Heloísa Périssé e Marcelo Souza, este último conhecido por encarnar a drag queen Suzy Brasil. Todos funcionam na trama, mas é justamente quando eles– propositalmente ou não – saem do texto que o melhor acontece. Fazem piadas de si próprios – se autodenominando “elenco B” do Multishow, por exemplo – e se mostram totalmente sem medo de cair no ridículo. Algo necessário nesse tipo de aposta.  

O cenário é simples, mas até pelo próprio título, vira uma atração à parte. O clima de intromissão na vizinhança é constante, capaz de criar alguma identificação em quem já experimentou viver em casas de vilas. A presença de uma drag queen em cena é também uma vantagem nesta quarta temporada, porque é uma abordagem totalmente diferente da que se vê atualmente sobre esse universo. Marcelo já se “monta” há mais de 25 anos e vem de uma geração de drags que apresentava esquetes em boates do universo LGBT, escrevendo seus próprios textos. Muitas vezes, em espetáculos em estilo semelhante ao que, anos depois, humoristas começaram a chamar de “stand up comedy”. Daí sua familiaridade com o improviso, sempre bem aproveitada – inclusive em outros programas do canal.

“A Vila” – Multishow – Segunda a sexta, às 21h30.

Felpuda


Mesmo sem ter, até onde se sabe, combinado com o eleitor, candidato a prefeito começou a apresentar nomes do seu ainda hipotético secretariado, pois parece estar convicto de que conseguirá vencer a disputa.

Os adversários dizem por aí que ele está muito distante de “ser um Jair Bolsonaro”, que, ainda na campanha eleitoral para presidente da República, já falava em Paulo Guedes para ser seu ministro de Economia. Como sonhar é permitido