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Iniciativa Campão Preto convoca jovens negros para oficina de roteiro

Resgatando narrativas e ampliando vozes, o projeto reunirá especialistas do universo audiovisual e streaming, como Maíra Oliveira e Francine Barbosa

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Jovens negros, com idades entre 16 e 30 anos, residentes em Campo Grande, terão a chance de participar de um workshop presencial, realizado em dois dias, totalizando 12 horas de atividades, com intervalo de uma hora para o almoço.

Durante esse período, os participantes serão introduzidos aos fundamentos do roteiro e envolver-se-ão em exercícios individuais e em grupo para desenvolver seus próprios projetos de curtas-metragens.

O projeto cultural Campão Preto é uma iniciativa conjunta do Coletivo Aiê de Cinema Negro e da produtora ORUM Estúdio. Movido pelo desejo de dar voz às suas próprias histórias, o projeto busca capacitar jovens negros em Campo Grande. Financiado pela Lei Paulo Gustavo, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur), na edição de 2023.

A oficina de roteiro contará com a participação de profissionais respeitados do campo audiovisual. Entre eles está Francine Barbosa, uma roteirista experiente que contribuiu para o desenvolvimento de séries de destaque, como "A Revolta dos Malês" (SescTV), "Irmandade" (Netflix), "As Five" (Globoplay) e "Sentença" (Prime Video). Seu trabalho em "Shine Your Eyes/Cidade Pássaro", de Matias Mariani, evidencia seu compromisso com narrativas autênticas e impactantes.

Francine destaca a importância da iniciativa em uma região fora do eixo Rio-Sudeste, já que a maioria das formações em roteiro estão concentradas no Sudeste.

"Então, projetos como o Negros na Cena são essenciais, onde jovens cineastas em início de carreira podem aprimorar seus conhecimentos em roteiro de forma gratuita e começar a desenvolver seus primeiros projetos. Estou ansiosa pelos dias de workshop, acredito que a troca de experiências será muito enriquecedora entre os participantes", afirma.

Outro destaque do workshop é Maíra Oliveira. Roteirista, diretora e educadora, tem obras marcantes como o filme “Encruza” (vencedor do Festival Afronte!), “Um Ano Inesquecível” e “Primavera” e “Verão” (Panorâmica/Amazon).

Sua obra mais recente é a série “A Magia de Aruna”, disponível na Disney Plus. Com um currículo diversificado, Maíra atuará como mentora dos participantes, acompanhando os trabalhos por eles criados.

Sua vasta experiência em projetos para plataformas como Prime Video, Netflix, HBO e Paramount, além de sua passagem anterior como presidente da Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA) e sua atuação como conselheira da Associação dos Profissionais Negros do Audiovisual (APAN).

Além de promover o desenvolvimento das habilidades de escrita de roteiro entre jovens negros, busca também fomentar a inclusão, representatividade e valorização das histórias e memórias da comunidade negra local. Todas as 12 vagas serão reservadas para indivíduos pretos e pardos, sendo que 3 delas serão destinadas a estudantes do IFMS.

Segundo o diretor-geral do projeto, o cineasta Raylson Chaves, o workshop oferece a oportunidade de retratar as vivências e desafios enfrentados pelos jovens negros sul-mato-grossenses.

“Como um roteirista de São Paulo ou Curitiba vai escrever sobre a experiência de um corpo negro vivendo na linha 080 de Campo Grande? Negros na Cena é sobre incentivar nossos próprios jovens a escreverem e fornecer as ferramentas necessárias para transformar suas ideias em filmes, e pensar 'eu sou capaz, não é mesmo?!'. Além da formação, nosso projeto proporciona a oportunidade de fortalecer-se com os seus pares, conhecer e conectar-se com outros roteiristas que existem na cidade e descobrir que você não está sozinho”, explica.

No contexto brasileiro, o setor audiovisual se destaca não só por sua expressividade cultural, mas também pelo impacto econômico significativo. Um estudo encomendado pela Netflix revela que para cada R$10 milhões investidos diretamente na indústria, há um retorno indireto de R$29 milhões para a cadeia produtiva.

Além disso, a geração de empregos é significativa: cada 100 vagas preenchidas na indústria resultam em outras 54 posições em diversos setores da economia.

No entanto, apesar dos números promissores, existem desafios consideráveis quando se trata de representatividade. Dados levantados pela Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) apontam para uma sub-representação significativa de diretores negros no cinema nacional.

De acordo com a Carta do Audiovisual Negro às Candidaturas Antirracistas da APAN, menos de 3% dos diretores de longas-metragens registrados na ANCINE em 2016 eram negros, e nenhuma mulher negra estava entre eles.

Embora não existam dados oficiais nacionais sobre curtas-metragens, a Mostra de Cinema de Tiradentes indica que, de 2019 a 2021, apenas cerca de 40% dos 613 curtas-metragens recebidos foram dirigidos por pessoas autodeclaradas negras.

Essa lacuna na representatividade motivou a criação de iniciativas como o "Negros na Cena", que busca não só promover a diversidade e inclusão no cenário audiovisual, mas também servir como uma plataforma de aprendizado e crescimento para seus participantes.

A iniciativa reflete as políticas públicas em educação e ações afirmativas que têm sido discutidas desde o início do século, com o objetivo de promover a equidade racial.

Ela é vista como um passo crucial na articulação de esforços para alcançar a transformação social e a equidade no país, considerando o Índice de Equilíbrio Racial (IER) e as particularidades locais.

O Campão Preto  não é apenas uma oportunidade para estimular o talento e a diversidade no cinema brasileiro, mas também um marco na luta por uma maior inclusão no setor audiovisual.

Conforme os idealizadores, este projeto piloto promete ser o começo de um movimento contínuo para enriquecer a indústria com vozes e histórias diversas, contribuindo assim para o crescimento do cinema sul-mato-grossense no cenário nacional.

Regulamento

O regulamento está disponível no site https://campaopreto.com/ e as inscrições podem ser feitas até o dia 8 de abril. A segunda etapa do workshop está prevista para acontecer em maio, com a orientação online de Maíra Oliveira para cada projeto iniciado na fase presencial.

Programação

A primeira fase do projeto ocorrerá nos dias 20 e 21 de abril, no campus do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), com o apoio da Coordenação de Inclusão e Diversidade (COIDI - IFMS), do Núcleo de Produção Digital (NPD - IFMS) e do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI - IFMS).

As inscrições seguem abertas até o dia 8 de abril, pelo site  https://campaopreto.com/

*Com informações da assessoria de imprensa

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Projeto cultural

Após encantar alunos, show "Pop & Poesia" chega a mais três escolas a partir de hoje

Jerry Espíndola e Ju Souc levam clássicos regionais aos estudantes do EJA da Rede Municipal de Ensino com sucesso

15/04/2024 15h23

As últimas apresentações do "Pop & Poesia" estão prontas para conquistar mais uma vez o coração dos alunos do Eja. Foto: Leandro Marques

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O projeto "Pop & Poesia" está chegando ao fim com três apresentações emocionantes programadas para a próxima semana em escolas de Campo Grande. Sob a liderança dos talentosos músicos e amigos Ju Souc e Jerry Espíndola, os próximos shows estão marcados para os dias 15, 16 e 17 de abril, sempre às 19h30.

Depois de oito apresentações bem-sucedidas em escolas de bairros periféricos da capital, o projeto continua sua missão de compartilhar cultura e emoção. As apresentações continuam a acontecer em escolas municipais de diversos bairros, proporcionando uma experiência enriquecedora aos alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

A singularidade do "Pop & Poesia" reside na excelência musical dos artistas e na interação calorosa com o público. Com um repertório criteriosamente selecionado, os espectadores terão a oportunidade não apenas de apreciar clássicos regionais, mas também de conhecer novas composições fruto da parceria entre os músicos. O objetivo do projeto é envolver as pessoas na rica cultura regional e despertar a curiosidade sobre as histórias por trás das músicas.

Marlene Barros, uma estudante de 40 anos que está concluindo o Ensino Fundamental na Escola Municipal Profª Maria Regina de Vasconcelos Galvão, expressou sua gratidão pela oportunidade de vivenciar o show.

"Eu gostei muito do show, muitas músicas da minha infância, que ouvia bastante e me trazem muitas recordações boas."

A diretora da escola, Ângela Maria de Brito, também elogiou a iniciativa e compartilhou o encantamento dos alunos com o espetáculo.

Tem muita gente aqui que nunca foi num show na vida, nunca viu música ao vivo e todos estamos encantados com o que vimos hoje”, afirma.

Com a promessa de noites repletas de emoção, cultura e entretenimento, as últimas apresentações do "Pop & Poesia" estão prontas para conquistar mais uma vez o coração do público campo-grandense.

O "Show Musical - Pop & Poesia" é um projeto financiado pela Lei Paulo Gustavo (LPG) do Ministério da Cultura, Governo Federal, por meio de edital da Secretaria de Cultura e Turismo de Campo Grande. Mais informações podem ser encontradas no Instagram (@jerryespindola) e (@soucju).

Confira a programação:

- Segunda-feira (15 de abril) - E. M. Prof. Antônio Lopes Lins, rua Cibele, 460 - Portal Caiobá;
- Terça-feira (16 de abril) - E. M. Carlos Vilhalva Cristaldo, rua Pádua Gazal, 13 - Jardim Aeroporto;
- Quarta-feira (17 de abril) - E. M. José Mauro Messias da Silva, Rua Ivo Osman Miranda, 13 - Vila Moreninha IV.

*Com informações da assessoria

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PLATAFORMAS DIGITAIS

Confira as sugestões de filmes e séries desta semana

A dica da semana é o filme brasileiro "Rio 40 graus"

15/04/2024 14h34

"Rio 40 graus" está disponível no Globoplay e na Amazon Prime Video Divulgação

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“Rio 40 graus” é considerado um marco do cinema brasileiro, filme de Nelson Pereira mostra o Rio de Janeiro para além do estereótipo e possui críticas ainda muito relevantes para a cidade

Um dos mais importantes filmes do cinema nacional, “Rio 40 graus” (1955) foi o primeiro longa-metragem do cineasta Nélson Pereira dos Santos e um precursor do movimento chamado “Cinema Novo” no Brasil. Ao passo que as grandes companhias cinematográficas do país na época se preocupavam em tentar reproduzir um estilo hollywoodiano de contar histórias, “Rio 40 graus” inaugurou uma nova linguagem ao retratar o Rio de Janeiro – na época, capital do país – de uma forma realista, sem os floreios de “cidade maravilhosa” que povoavam o imaginário das pessoas. Atualmente, o filme está disponível no Globoplay e na Amazon Prime Video.

Uma espécie de drama com documentário, “Rio 40 graus” acompanha a trajetória de 5 meninos de uma favela carioca em um dia de domingo. Juntos, Zeca, Sujinho, Jorge, Paulinho e Xerife saem pelos pontos turísticos da cidade (Maracanã, Quinta da Boa Vista, Copacabana, Corcovado e Pão de Açúcar) para vender amendoim. Além de usarem o dinheiro para ajudar suas famílias, em especial Jorge – cuja mãe está doente e precisando de dinheiro para comprar remédios –, os meninos também desejam usar parte do valor arrecadado para comprar uma bola de futebol. Ao mesmo tempo, o filme aborda um conjunto de tramas paralelas, como a chegada de um coronel para visitar o Corcovado e a gravidez de uma migrante nordestina.

Apesar de, há muito tempo, o filme ser considerado um marco do cinema nacional, nem sempre foi assim. Na realidade, o longa sofreu com a censura na época do lançamento e a sua exibição foi proibida nos cinemas do país. O filme chegou a ser acusado de ser uma grande mentira e espalhar uma visão muito negativa da cidade – que, inclusive, nunca havia chegado aos 40° C de temperatura. Houve uma campanha para liberar a exibição do filme, que teve repercussão internacional entre artistas e intelectuais. A obra conseguiu sair da lista de filmes proibidos apenas no governo de Juscelino Kubitschek, em 1956.

 

A Disney Plus disponibilizará “Under The Bridge”, um original Hulu, no dia 17 de abril

A Hulu é uma plataforma de streaming norte-americana que vem se destacando no mercado por suas produções originais bastante premiadas, como foi o caso de “The Handmaid 's Tale” (2017). O serviço da empresa não está disponível no Brasil, porém, através de parcerias com outras plataformas, é possível assistir esses originais no país. Esse será o caso com o novo original da Hulu, “Under the Bridge”, uma série de “true crime” baseada no livro homônimo da autora canadense Rebecca Godfrey. Dessa vez, a responsabilidade de distribuir o original ficou a cargo da Disney Plus, que disponibilizará a série no Brasil a partir do dia 17 de abril em sua plataforma.

A série acompanha as investigações de um crime real que chocou o Canadá, no ano de 1977.  A história começa com o desaparecimento de uma menina de 14 anos chamada Reena Virk, que saiu para encontrar as amigas em uma festa e nunca mais voltou. Quando a adolescente é encontrada morta de uma forma brutal, a investigação corre para tentar encontrar os responsáveis pelo crime. Dentre os principais suspeitos estão um grupo de 7 meninas e um menino, todos entre 14 e 16 anos de idade.

“Under The Bridge” aborda o caso pelos olhos da escritora Rebecca (Riley Keough) e da policial local Cam (Lily Gladstone), que unem forças para tentar desvendar os acontecimentos que levaram à morte da jovem. Juntas, elas começam a investigar a realidade dos adolescentes acusados e, com diferentes abordagens, conseguem fazer com que a verdade vá se revelando até que o caso seja concluído de forma inesperada. O caso de Reena Virk, na época, escancarou de forma trágica os perigos do bullying e suas consequências desastrosas para os jovens. Ajudou a mostrar o quanto era importante que o assédio moral nas escolas fosse um tópico mais discutido e combatido no país – e no mundo.

 

Nova série da Netflix mergulha mais fundo no universo de “Sandman”, criado por Neil Gaiman, e conta a história de dois meninos que investigam mistérios depois da morte

Um dos escritores mais famosos e bem-sucedidos da literatura contemporânea, o autor britânico Neil Gaiman tem uma obra bastante versátil, que vai desde livros e contos, até histórias em quadrinhos e séries televisivas. Dentre os seus trabalhos mais conhecidos, estão “Sandman” (1989) – que ganhou nove Eisner, importante prêmio da indústria norte americana de quadrinhos –, “Deuses Americanos” (2001), “Coraline” (2020) e “Good Omens” (2019). As histórias criadas por Gaiman são um prato cheio para os amantes de fantasia e do macabro, uma vez que o escritor consegue manipular com maestria o que é conhecido como “o desconhecido”, criando novas realidades a partir de um universo pré-existente.

Sendo assim, todas as vezes que as histórias de Gaiman recebem uma adaptação cinematográfica, elas recebem uma atenção especial. Continuando uma parceria frutífera com a Netflix, no dia 25 de abril chegará à plataforma de streaming mais uma parte do universo criado pelo autor em “Sandman”. Com o título de “Garotos Detetives Mortos”, a primeira temporada do original contará com 8 episódios e dará um espaço narrativo especial para dois personagens que aparecem, de relance, na edição de 1991 de “Sandman”. Depois dessa aparição, a dupla até ganhou uma série de HQs próprias, que compunham o universo de spin-offs de “Sandman”.

Em “Garotos Detetives Mortos”, os protagonistas são os personagens Edwin Paine (George Rexstrew) e Charles Rowland (Jayden Revri), dois jovens britânicos que se conheceram após a morte e se tornaram melhores amigos. Juntos, os dois fantasmas fogem do Inferno e da Morte para solucionar mistérios no plano Mortal. Ao longo das investigações, a dupla ajuda outros fantasmas a solucionar os casos que levaram às suas respectivas mortes. Os protagonistas também irão contar com a ajuda da vidente Crystal Palace (Kassius Nelson) e de sua amiga Niko (Yuyu Kitamura). Juntos, eles vão encarar diversos desafios, como bruxas poderosas e seres sobrenaturais.

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