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ENTREVISTA

Isis Valverde fala sobre sua trajetória e a personagem que deu um “boom” na sua carreira

A atriz mineira exalta a liberdade da “sereia” Ritinha de "A Força do Querer"
16/11/2020 18:00 - Geraldo Bessa/TV Press


A carreira de Isis Valverde pode ser facilmente dividida entre antes e depois de “A Força do Querer”. Ao longo de quase uma década, Isis colocou sua disciplina e versatilidade à disposição das mais diversas produções da Globo. Sem pestanejar ou negociar, acertava suas participações em novelas e séries confiando nas decisões da direção de teledramaturgia e no talento dos autores e diretores da casa, tudo para ganhar repertório. Com a carreira bem desenvolvida dentro da emissora, em 2015, pediu um tempo para si. Ao longo de dois anos, estudou, viajou, descansou e se envolveu com outros projetos distantes dos Estúdios Globo. Apesar dos inúmeros convites, manteve-se firme no propósito de só regressar às novelas com um papel que realmente fizesse diferença em sua trajetória. Esse momento só chegou com o inusitado convite de Glória Perez para Isis interpretar a sereia libertária Ritinha. “Fiquei muito encantada. Ritinha acredita que é uma sereia e filha de um boto. E, sendo uma sereia, a forma de ela amar e se apaixonar é diferente. Não dá para enquadrá-la como mocinha, nem como vilã. Ela é uma força da natureza, criadora de suas próprias leis. Não poderia deixar essa personagem nas mãos de outra atriz”, brinca.

Natural da pequena cidade mineira de Aiuruoca, Isis contrariou a vontade de seus pais ao sair de casa, aos 15 anos. Nos dois anos que morou em Belo Horizonte, trabalhou como modelo de campanhas publicitárias, mas sempre teve a carreira de atriz como meta. Na busca por novas oportunidades, acabou mudando-se para o Rio de Janeiro, onde se dividia entre cursos de atuação e intermináveis testes para a tevê. “É preciso ser muito perseverante. Tive de ouvir muitos ‘nãos’ antes do primeiro ‘sim’. A partir disso, soube aproveitar as oportunidades”, garante a atriz, que estreou na Globo como a misteriosa Ana do Véu do “remake” de “Sinhá Moça”, de 2006. Em pouco tempo, Isis foi escalada para papéis de destaque em produções como “Caminho das Índias” e “Avenida Brasil”, além de protagonizar microsséries como “O Canto da Sereia” e “Amores Roubados”. Atualmente, ela grava as emoções finais de “Amor de Mãe”, onde vive a destemida Betina, e aguarda o retorno da trama ao horário das nove. “Muito antes da quarentena, eu já buscava fazer as coisas com mais calma. Dois anos separam a Ritinha da Betina, por exemplo. São duas personagens que refletem essa minha nova relação com a tevê, de muito mais entrega e intensidade”, ressalta.

P - Qual foi a importância de “A Força do Querer” em sua carreira?

R - Ritinha foi minha primeira protagonista das nove e era um tipo bem difícil, que misturava o universo das lendas amazônicas com a realidade. O que mais me encantou nela foi a questão da liberdade. Primeiro ela seguia seus impulsos, depois lidava com as consequências. Além disso, ela era uma sereia! Interpretei uma sereia com cauda e tudo que tinha direito (risos).

P - Como foi a preparação aquática para viver a Ritinha?

R - Foi um processo intenso de construção. A cauda que eu usava era muito pesada e dentro d’água ficava mais ainda. Fiz aulas de apneia e consegui evoluir e ficar até dois minutos em apneia em movimento, mas comecei com 12 segundos. Em estática, consegui ficar quatro minutos. Foi uma dedicação grande, achei no início que não conseguiria. Eram duas horas de treino por dia durante três meses.

P - Como recebeu o retorno da trama pouco mais de dois anos depois da exibição original?  

R - Acho que é uma confirmação do bom trabalho que foi feito. Fiquei muito feliz com essa novidade, com a chance de matar um pouco de saudade dessa história. Muitos dos temas que Glória trouxe à tona continuam atuais e são muito pertinentes de serem discutidos.

P - Como assim?

R - A mensagem feminista da novela como um todo já era maravilhosa e ainda se mostra essencial nos tempos estranhos que a gente ainda vive. A Ritinha é uma personagem que escancara e passa por cima do machismo o tempo inteiro.

P - Você já sofreu muito com o machismo no trabalho?

R - Não apenas no trabalho, mas na vida em geral. A sociedade é machista e muitos homens e mulheres agem dessa forma por condicionamento. Se os homens soubessem o quanto o feminismo também é benéfico para eles, muitos deixariam de pensar e falar as besteiras que divulgam por aí.

P - Em que sentido?

R - Muita gente acha que a luta feminista é sobre a mulher se tornar superior ao homem. Quando, na verdade, é a busca pela igualdade de forças e oportunidades. Os homens também lucram com o feminismo ao terem a chance de se mostrarem mais sensíveis. Conheço muitos que não choram em público apenas por uma convenção social e isso é triste. Ainda criança, tive a primeira noção de importância do feminismo quando eu via que os meninos da família tinham muito mais liberdade que eu. Nunca vou esquecer da minha mãe olhando pra mim e falando: “que pena que nasceu mulher”. Ela estava ironizando as atitudes das pessoas ao nosso redor e isso foi muito esclarecedor. Sigo engajada na causa e a Ritinha me ajudou muito nisso.

P - Como ela se destaca entre as outras mocinhas que você já viveu?

R - Associam a figura da mocinha a uma mulher doce e apaixonada à espera do “felizes para sempre” ao lado do herói. A Ritinha rompe com isso ao ser verdadeiramente apaixonada apenas por ela mesma. Ela é uma sereia que enlouquece e encanta os homens ao redor. Não se prende a esses amores porque olha mais para seus desejos. Ritinha subverte o que as pessoas em geral acham correto e inverte a ordem das relações de poder entre homens e mulheres.

P - Em “A Força do Querer”, você dividiu o protagonismo com outras quatro atrizes. Quais foram os prós e contras de compartilhar o “peso” de uma novela?

R - Só percebi os benefícios. Adoro o mosaico de histórias que a Glória criou com essa novela. E o mais empolgante é que todas as atrizes brilharam ao mesmo tempo. As pessoas acham que tivemos menos trabalho com essa divisão, mas as tramas foram tão bem trabalhadas e desenvolvidas que a exigência acabou sendo a mesma de uma novela com protagonista solo. Era cada bolão de texto para decorar! Além de muitas cenas diárias.

Síndrome de Ariel

A primeira coisa que Isis Valverde ficou sabendo sobre “A Força do Querer” é que sua personagem, Ritinha, acreditaria ser uma sereia. Tomada pela curiosidade e com ajuda da equipe da novela, Isis correu atrás de referências e pessoas ligadas ao “sereísmo”, estilo de vida que, à época, angariava cada vez mais adeptos. Em comum, todos têm uma forte conexão com a água e os seres marítimos. “São pessoas que têm uma forte consciência ambiental e que, em alguns momentos de seu cotidiano, se dão a possibilidade de colocar uma calda e interagir com a natureza”, resume a atriz.

Muito antes de qualquer preocupação com o estofo emocional da personagem, Íris foi para uma piscina aprender a controlar a respiração e a nadar com leveza e beleza, tudo sob a orientação da também atriz e sereia profissional Mirella Ferraz. “Foram três meses de preparação. Cheguei totalmente crua e aguentando ficar submersa por apenas 12 segundos. Por fim, depois de muitos exercícios, hoje consigo ficar embaixo d’água por 2 minutos nadando e 4 minutos parada”, detalha.

Retorno em segurança

Meses depois do final de “A Força do Querer”, Isis Valverde teve de se afastar novamente da tevê. O motivo era nobre: em abril de 2018, ela anunciou a gravidez de seu primeiro filho, Rael. De licença-maternidade por quase dois anos, ela decidiu voltar ao trabalho para viver a batalhadora Betina de “Amor de Mãe”, novela que foi paralisada por conta da pandemia. “O Rael mudou ainda mais minha relação com o trabalho. A Betina foi um convite irrecusável. A novela estava no auge quando veio a pausa. A decisão da emissora foi muito correta”, ressalta.

A volta às gravações de “Amor de Mãe” aconteceu de forma gradativa no último mês de agosto. Com todo um aparato de segurança, Isis se sentiu totalmente à vontade para voltar aos estúdios. A reestreia da trama está prevista para o início de 2021 e, por conta do coronavírus, sua personagem ganhou algumas alterações: Betina será uma das infectadas pela covid-19. “Conversei com pessoas que tiveram coronavírus e com profissionais de saúde para entender mais intimamente a situação e conseguir passar isso na Betina. Estamos imersos na pandemia, vivendo isso de uma maneira intensa. Para mim, faz todo sentido abordar o assunto na novela”, elogia.

Instantâneas

# Isis Valverde começou a carreira como modelo aos 15 anos, quando foi descoberta por um olheiro em um shopping de Belo Horizonte.

# O sonho da família de Isis é que ela fosse médica. Caso sua estadia no Rio de Janeiro não surtisse grandes efeitos, o combinado com seu pai é que ela voltaria para Minas e prestaria vestibular para Medicina.

# Antes de se tornar conhecida, Ísis passou por 17 testes na Globo. Ela chegou a perder o papel de Giovanna, em “Belíssima”, para Paolla Oliveira.

# Os anos que separam “Boogie Oogie” de “A Força do Querer” foram de muito estudo para Isis. A atriz passou uma temporada em Nova Iorque aperfeiçoando o inglês e frequentando as aulas da prestigiada escola de atuação The Actors Studio.

 

Felpuda


Figurinha cuja eleição estava sub judice trabalha intensamente para ter a votação legalizada. Isso acontecendo, garante uma das cadeiras de vereador. Assim, quem hoje foi proclamado eleito vai para a fila da suplência.

Caso isso ocorra, a figurinha que corre o risco não deverá ficar desamparada, pois deixou secretaria municipal para disputar as eleições e poderá ter a cadeira de volta em 2021. Agora, resta esperar para ver onde vai parar.