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ENTREVISTA

Jornada dupla de César Tralli

No ar na tevê aberta e fechada, o jornalista fala sobre sua intensa rotina de trabalho e as limitações em tempos de pandemia
02/06/2020 09:09 - Geraldo Bessa/TV Press


 

César Tralli sabe muito bem do poder da televisão em transformar jornalistas em celebridades. É por isso que, mesmo com exposição dupla no vídeo, à frente do local “SPTV1”, da Globo de São Paulo, e do nacional “Edição das 18h”, da Globonews, ele faz de tudo para manter sua vida pessoal distante dos sites e revistas sobre famosos. “Estou todos os dias me comunicando com o público. É normal surgir alguma curiosidade sobre minha vida e falarem comigo nas ruas. Porém, quanto mais o tempo passa, mais tento preservar a minha vida íntima. É essencial para a credibilidade de qualquer jornalista”, analisa.

Natural da cidade de São Paulo, Tralli passou pelo jornalismo impresso e pelo rádio antes de enveredar pela tevê. Após uma breve experiência no SBT e na Record, foi contratado como repórter pela Globo, onde está desde 1993. Um ano depois, aos 24 anos, acabou tornando-se o mais novo correspondente da emissora ao se mudar para a sucursal de Londres, onde ficou até 2000 e pôde cobrir dos conflitos do Oriente Médio ao acidente que vitimou a Princesa Diana. “Foi um período de muito aprendizado e muitos perrengues. Jornalismo não é glamouroso como as pessoas imaginam. Não é nada chique estar no meio de guerras ou terremotos”, ressalta o jornalista, casado com a apresentadora da Record, Ticiane Pinheiro, e pai da pequena Manuella, de apenas 10 meses.

P - Você está à frente do “SPTV1” e, recentemente, também assumiu o comando do “Edição das 18h” da GloboNews. Como você tem se dividido entre os dois jornais?

R - Eu sempre trabalhei bastante. Comecei cedo no jornalismo e meu amor e entusiasmo pela profissão nunca perderam força. Estou chegando aos 50 anos agora em 2020 com muita energia, disposição e dedicação ao trabalho. Meu sonho seria me manter assim por mais meio século (risos). Minha rotina está bem intensa, mas estou feliz. Chego por volta das oito na redação do “SPTV1”. Tenho uma pausa para almoço e, no começo da tarde, viro a chave e sigo firme na Globonews.

P - São duas produções de linguagens bem distintas. Que cuidados e adaptações você buscou para adequar o tom de sua apresentação a cada telejornal?

R - O “SPTV1” tem uma linguagem mais solta, mais coloquial. É um telejornal voltado para toda a região metropolitana de São Paulo. Então, tem muita cobrança, espaço para ouvir os dramas das comunidades, prestação de serviço e repórteres ao vivo o tempo todo. É um telejornal onde posso dar meus pitacos com uma linguagem próxima e mais sensível aos anseios da população. Já no “Edição das 18h”, o eixo de cobertura está em Brasília. Nestes poucos meses de Globonews, já peguei três quedas de ministros de Estado.

P - A relação entre a imprensa e o governo, em especial na esfera Federal, anda bem complicada. Como é ancorar um telejornal nesse esquema repleto de tensão?

R - A situação é crítica. Há muita intolerância, beligerância e agressividade para com os profissionais. A imprensa séria cumpre seu papel histórico e profissional de trazer a público os meandros do poder, de questionar gastos, atos, políticas públicas. O clima não é amistoso, mas seguimos firmes. Questionando informações oficiais e extraoficiais, sempre com respeito e educação.

P - Como a pandemia de Coronavírus tem afetado seu cotidiano?

R - Minha vida mudou radicalmente nos últimos meses. Acabaram os encontros com fontes fora da redação e minhas andanças por aí farejando notícia. Hoje, minha rotina se resume a ficar entre o trabalho e minha casa. Passo boa parte do meu dia na sede da Globo de São Paulo e sempre no telefone. A parte de ficar sempre no celular é meio difícil para mim.

P - Em que sentido?

R - Me incomoda essa dependência total do telefone para tudo. Sempre fui muito da conversa olho no olho, de rodar por aí, sentir a temperatura das coisas, das pessoas, da pulsação de São Paulo. Com a pandemia, fui obrigado a me recolher, obviamente, e me render à aplicativos de mensagens e ligações telefônicas (risos).

 

Felpuda


Candidato a prefeito de cidade do interior foi buscar “inspiração” para elaborar seu programa de governo.

Assim, não se fez de rogado em beber da fonte de prefeito que tenta a reeleição em município da Bahia.

O dito-cujo cá dessas bandas copiou as propostas e vinha as apresentando como sendo de sua autoria.

A população já descobriu o plágio e ainda aguarda uma explicação.

Se não houver, as urnas certamente a darão.