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ENTREVISTA

Juliana Paes revisita momentos distintos da carreira com reprise de novelas

A atriz está no ar em “A Força do Querer” e “Laços de Família”, ambas na Globo
30/11/2020 16:14 - Caroline Borges/TV Press


Juliana Paes precisa de bastante tempo para classificar seu trabalho em “A Força do Querer”. A atriz, que voltou ao ar na pele da intensa Bibi na edição especial da novela, dificilmente consegue ser sucinta para falar da estudante de Direito que se envolve com o mundo do crime. Inclusive, para Juliana, foi justamente a complexidade da personagem que chamou a atenção do público durante a exibição original do enredo. 

Essa complexidade toda que fez a personagem ganhar uma dimensão que a gente não esperava. A Bibi tinha muitas camadas. Até onde tudo o que ela faz pelo marido é amor? É um querer realmente dela? É uma doença? São muitos caminhos e reflexões. A riqueza da personagem foi importante para montar a Bibi degrau por degrau. Pareceu fácil, mas não foi”, defende Juliana, que até hoje é chamada de Bibi nas ruas. “Mesmo depois da Maria da Paz, de ‘A Dona do Pedaço’, ainda escuto Bibi pelas ruas. Principalmente entre o público jovem. Isso me deixou surpresa”, completa.

Natural de Rio Bonito, no Estado do Rio de Janeiro, Juliana Paes estreou na tevê na trama de “Laços de Família”. A novela de Manoel Carlos voltou ao ar recentemente no “Vale a Pena Ver de Novo”. Na história, ela viveu Ritinha, empregada de Alma e Danilo, interpretados por Marieta Severo e Alexandre Borges. A jovem ingênua acaba se envolvendo com o patrão “bon vivant”. 

Eu me lembro que todas as vezes que tocava ‘Samba de Verão’ eu me emocionava. A cada capítulo tinha um frisson e uma expectativa na minha família para saber se eu iria aparecer naquele dia. Agora, tanto tempo depois, poder escutar essa música com outra sensação, é muito bom. É muito gostoso ver como a vida vai conduzindo as coisas”, reflete.

P – Além da reprise de “Laços de Família” e da edição de “A Força do Querer”, você também esteve no ar na reexibição de “Totalmente Demais”, em que vivia a antagonista Carolina Castilho. Essa exposição intensa é sinal de que você trabalhou bastante ao longo dos anos?

R – Depois de “A Dona do Pedaço”, eu planejava descansar minha imagem em 2020. Meu fã-clube brinca que não aguenta mais me ver na tevê (risos). Na verdade, me sinto muito envaidecida. Ou os projetos e personagens que fiz foram muito legais, ou trabalhei sem parar, emendando produtos, e a casa já não tem mais produções sem a minha escalação. Brincadeiras à parte, eu estou muito feliz e lisonjeada. Isso tem a ver com a minha trajetória de dedicação. Dentro dessa rotina de gravações a gente abdica de muita coisa. 

P – Você tem conseguido acompanhar todas as reprises?

R – Então, agora que estou em casa tenho conseguido acompanhar as novelas com as redes sociais. Isso é muito doido porque as pessoas ficam perguntando se há alguma maneira de mudar o final. Em “Totalmente Demais” isso foi muito forte. É chato frustrar o público, mas não há como gravar nada inédito e, provavelmente, não há como fazer algum malabarismo na edição ao ponto de mudar o final de algum personagem. 

O gostoso é perceber que, conforme a novela é reexibida, acaba pegando um público que não assistiu e outro que até assistiu, mas começa a ler a novela de uma forma diferente. Lança um novo olhar. Eu penso que a trama da Ivana (Carol Duarte) pode repercutir muito mais agora na reprise de “A Força do Querer”. O público quer ouvir mais sobre esses assuntos importantes. O brasileiro amadureceu ao longo dos últimos anos.

P – Teve alguma cena ou momento que foi mais marcante em “A Força do Querer”?

R – Eu acho que toda cena de correria que a gente fazia na Tavares Bastos (comunidade localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro) eram complicadas. Ao contrário do que muitas pessoas falavam, a gente não queria glamourizar a vida no crime de forma nenhuma. Queríamos chegar o mais próximo possível da realidade, ser fiel aos fatos. Fazíamos cenas correndo em becos muito estreitos e com equipamento colado no corpo para dar a sensação de perigo e dificuldades. Eram becos apertados, com falta de espaço e luz. As cenas que tinha de empunhar uma arma também eram muito difíceis. 

P – A história da personagem é baseada no livro de Fabiana Escobar, “Perigosa”, que conta a trajetória da escritora e como ela se envolveu com o mundo do crime. Como foi sua construção para a personagem?

R – Eu não consigo chegar com um personagem pronto no “set”. Principalmente em obra aberta. Eu tinha lido o livro da Fabiana. Porém, a Gloria tinha me avisado que faria adaptações. Então, eu li e entendi, mas sabia que não seria exatamente a mesma história. A história da Bibi, na verdade, foi a última trama a ser apresentada e se desenrolar. Isso me ajudou bastante a ir calculando os passos.

P – Como assim?

R – Eu decidi guardar algumas cartas na manga. Comecei pelas beiradas. Primeiro, eu foquei na relação familiar da Bibi e as ligações afetivas. Tentei construir essa mulher batalhadora, mãe de família, estudante de Direito. Isso foi criando uma identificação com o público. Não podia revelar quem era a Bibi de cara porque a personagem se modificou muito ao longo da trama. Queria criar alguém normal e factível. A trajetória da Bibi poderia ter sido seguida por qualquer garota de classe média ou alta. O mais complexo foi dosar o que eu podia ir entregando da Bibi.

P – “Laços de Família” foi sua estreia na tevê. Como é rever esse projeto 20 anos depois?

R - É uma grande mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo em que fico feliz da vida porque estou relembrando como tudo começou, sinto uma certa insegurança porque foi o meu primeiro trabalho, e como eu estava crua (risos). Eu sou uma cria da Globo, aprendi tomando bronca e os grandes atores da casa foram meus mestres. Eu pedia muito para fazer a Oficina de Atores da Globo, mas era sempre um trabalho atrás do outro. 

Foi muito penoso até eu pegar o jeito. Eu não sabia nada de televisão, não sabia me posicionar. Lembro que cheguei a dormir no “set” uma vez (risos). Era uma cena enorme e eu estava esperando para levar uma bandeja. Era só isso e eu só precisava falar: “sim, senhora” para a Alma (Marieta Severo). A cena era enorme e eu simplesmente cochilei. Eu tinha 20 anos, né? A Marieta tem um papel fundamental na minha carreira.

P – De que forma?

R – Tem a cena em que a Alma descobre que a Ritinha está grávida do Danilo. No roteiro, estava escrito que a Ritinha chorava. Eu não tinha a menor ideia de como iria criar aquela emoção. Fiquei três noites sem dormir pensando se eu iria pensar na morte da minha avó, na briga com meu namorado, o que eu iria fazer. Quando fizemos a cena, a Marieta veio com um olhar forte, me segurou pelos braços e eu senti a emoção brotar. Não precisei pensar em nada. Naquele momento, eu entendi o que era atuar. Foi o olhar dela que me deu essa emoção. Ela me ensinou sem nem saber.

P – Quais lembranças você tem dos bastidores da novela? 

R - Essa parte foi maravilhosa, eu nunca pensei que iria ser tão bem recebida. E isso foi uma das coisas que me tiraram o sono antes de começar o trabalho. Eu achava que iria ficar deslocada, mas foi o contrário. Todos me tratavam com muito respeito e carinho, perguntavam coisas, eram interessados na minha história, queriam saber como que eu tinha chegado ali. Me senti muito querida e abraçada. Eu guardo lembranças maravilhosas. Para mim tudo era novidade, o crachá era novidade, pendurar o crachá da Globo no meu pescoço era uma sensação maravilhosa. Quando eu entrava no estúdio era como se eu estivesse na Disney, sabe?