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MEMÓRIA DE FAMÍLIA

Laila recuperou projetor da década de 70 e exibiu fotos antigas no Dia das Mães

Com pandemia e distanciamento social, fotografias projetadas na parede foram presentes perfeitos para relembrar o amor em família
13/05/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Quando Fernando Orempüller Pulchério desembarcou no Brasil, há 48 anos, após seis meses na França, trouxe a tiracolo uma máquina fotográfica analógica e um projetor. O período longe de casa dedicado aos estudos dos aviões Mirage motivou as aquisições do campo-grandense, na época, militar da Aeronáutica. Do período, Laila lembra de quase tudo, das fitas cassetes que o pai enviava à família até a comoção ao conhecer as tecnologias capazes de registrar o tempo.  

“Meu pai foi militar da Aeronáutica e em 1972 ele viajou até a França, onde permaneceu por seis meses para fazer um curso sobre os aviões Mirage. Quando ele voltou, trouxe um monte de equipamento supermoderno, inclusive uma maquininha Yashica, um projetor e um gravador de fita cassete. Na época, ele gravava as fitas lá na França e mandava para nós. Demorava para chegar. Nessas fitas, ele conversava com a gente, com a minha mãe, lembro que era um evento quando chegava, mas não tínhamos toca-fitas, então íamos até uma tia para ouvir”, conta a filha e produtora cultural Laila Saad Pulchério, 57 anos.

Ao manter o amor pela fotografia do pai, Laila também herdou a case com todos os slides fotográficos antigos da família, assim como o projetor. As máquinas, que são de um tempo em que tudo era feito para durar, foram as “estrelas” de um Dia das Mães diferente, em que a memória foi o grande presente da noite. “Tudo na casa dos meus pais dura, eles conservam as coisas a vida inteira, e ele me deu esse projetor porque eu trabalho com fotografia. Os slides vieram em uma case, uma maleta muito bonitinha”, conta.  

De sábado para domingo, na madrugada do Dia das Mães, Laila passou vasculhando a maleta com os slides. “Eu não fui para a rua comprar nada, não arriscaria por conta do coronavírus. Então, tive a ideia. Fiquei de sábado para domingo testando tudo. Liguei o projeto no meu quarto, botei os slides, lembrei que tinha que ser de cabeça para baixo, tem um sentido certo, uma posição correta, comecei a experimentar e deu certo. Nem acreditei que funcionava mesmo”, ri. 

 
 

A homenagem para a mãe fez todo o sentido. Dona Julieta Saad Pulchério, 82 anos, tem uma memória de ouro. “Minha mãe, assim como eu, gosta de contar histórias. Ela tem uma memória incrível, a gente lembra de tanta coisa. Ela sempre tem uma história para contar. Então, quis dar esse presente para ela”, pontua Laila.  

Fernando e Julieta estão com 85 e 82 anos, respectivamente, e praticamente em uma “bolha”, como afirma a filha, por conta das medidas de prevenção contra a Covid-19. Morando na mesma casa onde Laila cresceu, o casal tem evitado ao máximo sair. “Então, decidi arrumar aqui a surpresa. Montei na varanda, para podermos manter a distância, não chamei ninguém. Montei o projetor na mesa, coloquei um pano em cima para esconder, avisei que tinha uma surpresa, busquei os dois na casa deles. Desinfetei tudo, a casa toda, até a cadeira para eles sentarem. Fiz uma cena, apaguei a luz e comecei a projetar”, conta a filha.  

Nem mesmo a demora da máquina para trocar cada fotografia fez o momento perder o brilho. “Foi muito legal, ficamos pouco mais de 1h vendo, eles lembrando, esse era fulano, ciclano, isso era naquele lugar. Eles começaram a se recordar de um monte de histórias. Foi supergostoso”, afirma.  

Na plateia, Fernando e Julieta, Laila, sua filha e os netos, quatro gerações da família celebrando o que há de mais importante: o amor. “Lembrar de passagens como estas das fotos antigas é reviver a história. Acalma a nossa alma nestes tempos sombrios”, acredita Laila.  

 
 

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!