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CINCO PERGUNTAS

Entrevista com Leandro Hassum sobre seu programa “2000 e Vishhh”, da TNT

O apresentador e produtor repassa os “perrengues” da quarentena no retrospectivo do canal pago
26/11/2020 15:57 - Geraldo Bessa/TV Press


Leandro Hassum é só orgulho das duas décadas em que se dedicou às mais diversas produções na Globo. No ano passado, no entanto, não renovou seu contrato com a emissora. Sem mágoas aparentes e com muita vontade de usar essa repentina liberdade a seu favor, aos 47 anos, Hassum pode colocar em prática projetos pessoais e aceitar os convites de trabalho antes inviáveis. O resultado de tantas mudanças é um 2020 de contrastes: mesmo com o mundo em pausa por conta da pandemia, ele não parou de produzir. 

Além de parcerias com o Comedy Central e Netflix, ele estrela seu segundo projeto para o canal pago TNT, o “2000 e Vishhh”, especial de quatro episódios feito para relembrar, de forma leve e divertida, fatos curiosos e os “aprendizados” de um ano complicado. “Nosso ponto de partida é a criatividade do brasileiro em driblar os perrengues do dia a dia mesmo com tantas coisas ruins acontecendo. O ano foi pesado e difícil, mas é possível fazer uma retrospectiva a partir de uma outra perspectiva”, garante.

P - Por conta da pandemia, a nova temporada do “Tá Pago”, programa que você apresenta na TNT desde o ano passado, foi adiada para o ano que vem. Produzir o “2000 e Vishhh” foi uma forma de você não se sentir estagnado?

R - Exato. Fiquei em casa com a cabeça fervilhando de ideias. A decisão de tirar o “Tá Pago” do ar foi em comum acordo com a TNT, muito porque o formato do programa é uma mesa com pessoas comendo e conversando, o que seria inviável neste momento. Então, tive a ideia de fazer uma retrospectiva diferente deste ano difícil. Focar no isolamento mesmo e nos perrengues que ele nos trouxe. Todo mundo se identifica um pouco com essas mudanças de rotina e as situações atípicas que temos que enfrentar. Levei a ideia para o canal e ela foi prontamente abraçada.

P - Você apresentou um projeto parecido à Globo, mas que não foi aprovado. Essa falta de espaço para suas ideias causou sua saída da emissora?

R - Quando se tem um contrato, é normal apresentar diversas propostas. Algumas são acolhidas e outras não. Minha ideia era fazer um programa curto depois do “Fantástico”, que seria uma retrospectiva da semana brincando com as notícias que aconteceram no cenário político, econômico e social do Brasil nos últimos dias. Não rolou, mas agora a ideia nasceu e cresceu.

P - Além do programa na TNT, recentemente, você estreou um projeto no Comedy Central e também estará em um especial de fim de ano da Netflix. Não renovar com a Globo tem a ver com um desejo de ter mais autonomia?

R - Sem dúvida. Preciso estar em constante vivência da arte. É o meu oxigênio. Colecionei nestes 30 anos de trabalho muitos parceiros incríveis. Me considero um privilegiado por todas as organizações, produtoras e contratantes que tive. Mas acho que o melhor formato para desenvolver o meu ofício e dar vazão à criatividade é em um esquema de maior liberdade. Estou feliz assim e acho que essa independência se tornou um caminho saudável no audiovisual brasileiro.

P - Por ser inspirado no isolamento causado pela pandemia e todas as suas consequências, o roteiro tem algum cuidado para não ser desrespeitoso ou ofender quem foi diretamente afetado pela doença?

R - É essencial pensar por esse ponto de vista. Respeitamos a doença, não falamos em momento algum dela e nem focamos em todas as dores que ela causou a tanta gente. Nosso foco é o isolamento em si. Também usamos muitos memes da internet. Só pela quantidade de memes gerados no ano, já vemos que o brasileiro é um povo muito criativo. Então, abordamos questões ligadas ao home office, reuniões virtuais, máscaras, pães, lives e gafes em geral.

P - Desde 2016, você mora nos Estados Unidos, mas seu campo de trabalho é o Brasil. Como é ficar entre os dois países e viver a rotina dos aeroportos em um momento onde os casos de Covid-19 aumentam aqui e lá?

R - Agora não é mais possível ficar indo e voltando toda hora. Vou adaptando minha agenda de trabalhos e tudo tem funcionado muito bem. Tenho em mente que o Brasil é meu lar e meu lugar! Fiquei um período grande em casa com a minha família entre janeiro e maio deste ano. Logo depois, vim para o Brasil e aqui estou. Ainda tenho muitas coisas para desenvolver até o final do ano.