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CRÔNICA

Leia a crônica deste sábado da jornalista Theresa Hilcar

Alugam-se pés de Jabuticabas
10/07/2021 00:00 - Theresa Hilcar


Houve um tempo, lá no século passado,  em Minas Gerais, que a gente podia alugar pé de jabuticaba para comer a fruta no pé. Contei essa história para o colega à minha frente e ele, com olhos arregalados, diante do inusitado perguntou desconfiado: “Como assim, alugar pé de fruta como se aluga bicicleta? ”.

Adoro a reação das pessoas – sempre os mais jovens – quando conto as histórias de antigamente, digamos assim. E dê-lhe explicar que nem sempre as crianças tiveram TV, computador, shopping centers, brinquedos e todo tipo de diversão.  

Portanto, subir num pé de jabuticaba e saborear cada frutinha sentindo aquele líquido doce escorrer pela garganta era quase poesia.  

Isto sem contar que subir na árvore, disputar o galho mais bonito era sinônimo de muita diversão e aventura.  

Costumávamos ir sempre em grupo de amigos, às vezes íamos depois da aula ainda vestidos com uniformes escolares. Ou seja, um programa e tanto para a época. Muito melhor que qualquer jogo eletrônico ou viagem à Disney, coisas que sequer sonhávamos.  

O tal sistema de “aluguel” funcionava assim: o dono do terreno ou da chácara, que na minha cidade era o seu Xandinho, cobrava uma pequena quantia à guisa de ingresso. Você entrava na propriedade e chupava quantas jabuticabas aguentasse. Podia passar a tarde toda no local se quisesse – e se aguentasse. Só não podia levar para casa.