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LITERATURA

Lígia Oizumi conta em livro como superou a depressão e encontrou a felicidade

Ela confeccionou tsurus pelo mundo, mas a maior batalha foi travada dentro dela mesma
14/09/2020 14:00 - Naiane Mesquita


Aos 36 anos, Lígia Oizumi tem muita história para contar, desde as aventuras pelo mundo, do Japão ao Nepal, até a vida que construiu em Nova York, nos Estados Unidos. Porém, de todas as experiências que viveu ao longo dos últimos anos, nada se compara à jornada que travou dentro de si.  

Mais uma sobrevivente da depressão, considerada a doença do século, Lígia também precisou tratar a ansiedade e o perfeccionismo, que de qualidade passou a ser um peso difícil de carregar. 

Toda essa jornada inspirou a administradora de empresas a escrever o livro “Felicidade na Prática”, publicado pela editora Gênio Criador.

O processo de criação da obra levou dois anos e acompanhou as várias mudanças que surgiram ao longo do caminho na vida da campo-grandense, com direito a um conto de fadas moderno e à maternidade do pequeno Luka. 

“O desejo de escrever o livro surgiu quando eu retornei a Nova York, já ao lado do Alex e após a nossa decisão de casar. 

Tudo o que eu tinha vivenciado desde que eu superei a depressão, a força que eu tive desde que eu comecei a realizar meu sonho, quando eu comecei a valorizar e seguir o que o meu coração falava me inspiraram a criar o livro”, explica.  

 
 

A depressão surgiu na vida de Lígia em 2008 e, entre crises de choro e tristeza, foi a mãe que a convenceu a procurar ajuda.

“Ela nunca desistiu de mim”, confessa a escritora. “Eu vivi um ano com depressão, que veio de uma vida inteira de ansiedade e perfeccionismo. Eu não sabia que eu era tão ansiosa, nunca tinha feito terapia e eu tinha um certo preconceito interno. Nunca tratei mal ninguém que estava doente, mas eu não entendia direito o que era depressão”, explica.  

A dor que não é vista pelos olhos foi decisiva para que Lígia mudasse os rumos da vida e arrumasse as malas para uma longa viagem.

“A dor da depressão não é algo que você consegue ver do lado de fora, como um corte. A dor é na alma, é dentro do coração. Quando eu fui ao médico, ele me explicou que é uma questão biológica, falta serotonina no nosso cérebro e acontece com muita gente. Ficamos no nosso mundo tão fechado, mas muitas pessoas passam por isso, atletas, famosos”, pontua. 

 
 

Tsurus

Em Mato Grosso do Sul, Lígia pode ser reconhecida como a menina dos tsurus. Ela confeccionava milhares de origamis para distribuir em eventos sociais para pessoas que precisavam de mensagens de paz e até mesmo pelo mundo, durante suas viagens.

O origami, que é um dos mais populares do Japão, também a inspirou a conhecer suas raízes. 

“Fui para o Japão em 2017. Fiz uma campanha de 72 mil tsurus em homenagem às vítimas das bombas em Hiroshima e Nagasaki. No Japão, decidi viver a experiência de viver lá, que é a terra dos meus pais, dos meus avós japoneses”, frisa.  

Nessa época, as fronteiras já não eram suficientes para segurá-la. Lígia visitou o Nepal, a Palestina e viu um chamado para uma conferência na ONU para jovens em Nova York. Decidida, se inscreveu e foi aprovada. 

“Eu vim para Nova York para participar de um evento da ONU, justamente por causa dos projetos dos tsurus. Eu queria conhecer a cidade, além de participar da conferência, e procurei contato de pessoas que pudessem me ajudar. Foi assim que eu conheci meu esposo”, relembra.  

Sem a permissão de residência americana na época, ela precisou sair e retornar ao país de seis em seis meses, até a decisão do casamento. 

“Comecei a escrever o livro em junho de 2018 porque eu queria compartilhar tudo o que eu vivenciei e foi como se eu cumprisse uma missão.

Escrevi durante esse processo com muitas emoções intensas, de ter que sair dos Estados Unidos de seis em seis meses e não saber quanto tempo a imigração iria me dar na nova volta”, ressalta.

Todo esse processo acabou sendo importante para que Lígia compreendesse o propósito da vida e os caminhos que cada um precisa seguir.  

Agora, com o primeiro filho nos braços, Luka, de apenas 14 dias, e o livro finalmente concluído, a escritora, administradora e mãe se sente grata.  

“Eu consegui entender e hoje eu sei administrar muito bem, conheço muito bem as minhas sensações, o que me faz bem e o que me faz mal, e eu sei falar ‘não’ para muitas coisas que não me fazem bem. A partir da depressão, eu aprendi a ter um equilíbrio na minha vida. O propósito do livro é contar a minha história de vida, como eu fiz para superar a depressão, a partir daí realizando meus sonhos, fazendo intercâmbio, morando no Japão, indo morar fora, viajando para Nova York e a oportunidade que Deus me deu de conhecer meu esposo”, frisa.  

Com o filho no braço, Lígia compreende muito bem a decisão da mãe de levá-la ao médico. “Hoje, com a maternidade, eu dou muito mais valor à minha mãe. Maternidade é sinônimo de maturidade e valor”, pontua.  

Serviço – Mais informações sobre o lançamento do livro no perfil da escritora: @ligiaoizumi.  

 
 

Felpuda


Nos bastidores, conversas, ou melhor, quase sussurros, dão conta de que compromisso assumido teria prazo de validade se acontecer a vitória de aliado.

A partir de então, o papo passaria a ser bem, mas bem diferente mesmo, pois, com acordo cumprido, novos objetivos passariam a ser fonte dos desejos, e sem nenhuma moeda de troca.

No caso, não haveria mais sequer um fio de bigode. Tipo, cada um na sua.