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PSICANÁLISE

Livro de psicanalista retoma um dos conceitos mais populares de Sigmund Freud

Livro de psicanalista retoma um dos conceitos mais populares de Sigmund Freud, que “não deve ser entendido ao pé da letra”, adverte psicóloga

Marcos Pierry

29/06/2022 10:00

 

Um dos conceitos mais populares da psicanálise, o complexo de Édipo é recorrente no enredo de filmes, séries e outras produções audiovisuais, marcando presença também em contos, romances e, sobretudo, em montagens teatrais, que, ao longo de séculos, tomam como referência o texto original – “Édipo Rei” – que Sófocles (406 a.C.–497 a. C.) escreveu, justamente, para ser encenado.

Lançamento recente da Aller Editora, “O Complexo de Édipo” (2021, 112 páginas, R$ 49,90 ou livro digital por R$ 34,90), do psicanalista Ivan Ramos Estevão, retoma o debate sobre o conceito propondo abrir os horizontes da discussão.  

Voltada para o público mais neófito no assunto, a publicação foi pensada com o objetivo de mobilizar leigos e novos estudantes em torno de uma perspectiva que se estabelece a partir de um panorama das construções de Freud e Lacan sobre o Édipo.

DIVÃ E PALCO  

A teoria pioneira do austríaco Sigmund Freud (1856-1939), que transforma o personagem da tragédia grega em nome de um conceito polêmico dentro de um universo, por sua vez, já bastante controverso como o da psicanálise, esboçaria os fatos fundamentais do complexo de Édipo somente no finzinho do século 19; ou seja muito depois de a peça de Sófocles, escrita por volta do ano 427 da era pré-cristã, ter chegado aos palcos.

Na peça, ao consultar o oráculo, o rei Laio descobre o seu infortúnio. Segundo a previsão, o monarca será assassinado pelo filho, Édipo, que então se casaria com a própria mãe e esposa de Laio, a rainha Jocasta.  

Édipo sobrevive à tentativa do pai de eliminá-lo e, mais adiante, já homem-feito, ao saber da tragédia iminente, foge, mas acaba matando o pai em um duelo. Em Tebas, resolve o enigma da esfinge e salva a cidade.

Sua recompensa é a mão de uma rainha, que somente 15 anos depois descobre ser sua mãe. Jocasta, então, comete suicídio, e Édipo fura os próprios olhos e torna-se um andarilho errante.

O COMPLEXO

Na psicanálise, de modo resumido, o complexo de Édipo é aquele em função do qual o menino embute no amor pela mãe sentimentos de ciúme ou aversão pelo pai. Essa manifestação costuma ocorrer em uma das fases do desenvolvimento psicossexual do indivíduo, o estágio fálico, dos três aos cinco anos.

Embora contestada por Freud, a contrapartida feminina foi conceituada por outro célebre psicanalista, o suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Outro detalhe: por transferência, o complexo pode ocorrer também na interação com quem cuida da criança, e não somente com pais e mães biológicos.

Ivan Estevão inicia seu livro esclarecendo que a teoria edípica, embora amplamente conhecida, vai muito além do que se ouve falar sobre ela; uma coleção de arriscados chavões que muitas vezes confundem e deturpam toda a formulação. Resumi-la à relação dos pais na vida psíquica da criança e aos afetos de amor e ódio é simplório e caricatural, aponta Estevão.

O autor escreve que, segundo a psicanálise, a resolução do conflito edípico é estruturante para o sujeito. Para tornar o conteúdo do livro acessível a quem se aproxima do tema pela primeira vez, o especialista divide “O Complexo de Édipo” em duas partes.