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RECOMEÇO COM AMOR

Mãe de anjo e de bebê arco-íris, a médica Tayná Santiago decidiu abrir as redes para falar do luto e da família

Theo pode ser chamado de bebê arco-íris, que são as crianças que nascem após uma “tempestade”
22/09/2020 09:30 - Naiane Mesquita


“Bom dia, filha”, esta era a frase que a médica Tayná Santiago, 31 anos, repetia todos os dias para a sua primogênita. 

Na barriga da mãe, Bella foi capaz de mudar tudo, unindo ainda mais a família e transformando a compreensão que Tayná tinha da vida. 

“Na gestação da Bella, eu estava namorando há apenas quatro meses. Ela veio de surpresa, mas sempre foi muito desejada, principalmente por ser a primeira neta dos dois lados”, frisa.  

Com 37 semanas de gestação, Tayná começou a sentir que algo estava diferente. Durante os tradicionais “bom dias”, Bella não respondia com os frequentes chutes e o que era comum se tornou raro. 

“Era uma segunda-feira, eu dei bom dia e ela não chutou. Isso foi às 8h da manhã e, como tinha consulta nesse dia, eu não me preocupei. Fiz o ultrassom e apareceu tudo normal, ela estava com os batimentos e apenas um pouco acima do peso”, explica. 

 
 

De terça-feira até sexta-feira, os chutes se tornaram cada vez mais instáveis, mas, como os exames apontavam saúde, a médica tentou não se preocupar. Até que na sexta-feira à noite Bella chutou forte e depois silenciou. 

“No sábado, cheguei do plantão, falei bom dia filha de novo e ela não chutou. Pensei, bom, ela está fazendo a mesma coisa do começo da semana, quando eu tinha dado uma surtada, ficado muito preocupada. Cheguei no plantão à tarde e senti que ela estava muito quieta. Peguei o sonar e já não escutava os batimentos. Subi na sala do ultrassom e tinha a TV que fica para o paciente. Na hora que ligou eu vi que já não tinha batimentos”, conta Tayná.

O relato, agora sereno, enumera passo a passo dos últimos minutos de Bella. 

“O doutor procurou, procurou, até que eu falei: dr., não tem, né? Ele respondeu que não. Então, tudo bem, não precisa mais. Liguei para o meu esposo e disse que tinha um erro no exame da Bella. Na hora que ele chegou que eu consegui falar: a Bella morreu. Foi só aí que eu comecei a chorar”, conta.

A cesárea foi logo em seguida e, apesar da tristeza, Tayná preferiu batizar a filha antes que ela partisse para sempre. 

“Eu falo que ela viveu o que precisava viver, ela mudou tanto a minha vida, tanta coisa e o principal foi sobre amor e família. Porque até então eu era aquela pessoa totalmente centrada e egocêntrica, que só trabalhava”, explica.  

Do luto ao amor pleno

A partida da Bella ocorreu no dia 13 de maio de 2019. 

Enquanto para alguns, e grande parte da sociedade, nem todos os lutos têm o mesmo valor, Tayná garante que para uma mãe qualquer tempo de vida é suficiente para um amor que ultrapassa a compreensão humana. 

“Era um amor tão grande, tão bonito. Eu passei a acreditar em família, a querer uma família. Tanto que eu engravidei do Theo um ano e quatro meses depois. Eu sempre falo para ele, sua irmã preparou tudo para você chegar”, pontua. 

 
 

Assim como Bella é um anjo, Theo pode ser chamado de bebê arco-íris, que são as crianças que nascem após uma “tempestade”. 

O nome se popularizou nos últimos anos para denominar filhos que nasceram após um aborto ou morte prematura.  

“A gestação do Theo foi aquela tensão o tempo todo. Eu queria o parto normal, da Bella eu cheguei a me preparar para ter o parto normal também, mas no caso do Theo acabei optando pela cesárea, porque eu não teria psicológico para o processo. Isso porque eu esperei 39 semanas e cinco dias, minha família estava enlouquecida, pedindo para tirar a criança logo”, ri.  

Tayná conta que só foi perceber o quanto estava tensa quando o bebê nasceu. 

“Foi a coisa mais emocionante o parto do Theo. Quando eu cheguei na maternidade, a equipe lembrava de mim por causa da Bella. Eu percebi o quanto eu estava tensa a hora que me mostraram ele, porque eu senti um sono”, frisa.

Tudo o que a médica vivenciou em cerca de dois anos mudou, até mesmo a sua relação com os pacientes. 

“Sempre que eu atendia um paciente adulto que vinha acompanhado da mãe eu pensava: por que esse marmanjo quer ter a companhia da mãe na consulta? Hoje eu entendo. Mãe sempre vai ser mãe. Outro ponto é ter o cuidado de manter a família informada, porque existe a angústia de quem está esperando, cada pessoa é o filho de alguém, é o familiar de alguém”, acredita.  

Ao decidir contar com tanta clareza a sua história com Bella e Theo, a médica percebeu o quanto muitas mulheres sofrem com a perda precoce de um filho. 

“Eu converso com muitas mães de anjos depois que eu coloquei no meu perfil do Instagram sobre os meus filhos. De certa forma, eu acabo criando uma rede de apoio para essas mulheres que nem sempre têm com quem falar, porque a gente não quer preocupar a nossa família, então depois de um tempo você evita falar como realmente está se sentindo. É diferente ter a opção de falar com outra mãe de anjo, que te entende, que sabe que você está no fundo do poço, o quanto é difícil. Não é para todo mundo que você pode falar isso”, acredita. 

 
 

Felpuda


Ex-petista de quatro costados, que acabou se aboletando em outro partido já há algum tempo, decidiu se submeter mais uma vez às urnas na tentativa de voltar a comandar cidade do interior de Mato Grosso do Sul. O eleitorado não botou fé e decidiu reeleger o atual prefeito.

Agora, há quem diga que o dito-cujo, que é fã de Carnaval, já pode ir preparando sua fantasia: “palhaço das perdidas ilusões”. Ô maldade!