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ENTREVISTA

Marina Ruy Barbosa demonstra leveza necessária

De férias da tevê, ela exalta o tom de superação da trama de “Totalmente Demais”
05/05/2020 08:09 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Marina Ruy Barbosa conhece bem as engrenagens da tevê. Nos estúdios desde os oito anos de idade, ela é um caso de sucesso ao ter conseguido fazer a transição para personagens adultas e, sobretudo, ter se tornado um dos nomes mais requisitados pelos autores e diretores da Globo. De férias da tevê desde meados de 2018, a atriz volta ao ar como a Eliza “Totalmente Demais - Edição Especial”, novela exibida originalmente em 2015 e que cobre a faixa das sete durante a pandemia de coronavírus. Mesmo ciente de que o motivo para o retorno da trama não é dos melhores, a atriz comemora a possibilidade de rever um dos trabalhos que sedimentaram sua relação com a televisão e acredita na força da trama para entreter as famílias em quarentena. “Nesse momento tão estranho e triste, ‘Totalmente Demais’ ser escolhida para entrar no ar me alegrou muito. É uma trama importante para a minha trajetória e que carrega uma história bacana de superação, contada de forma leve e divertida. Com tantas notícias pesadas no noticiário, a novela surge como um bom alívio para o público”, acredita.

Natural do Rio de Janeiro, Marina passou boa parte da infância se dividindo entre os estudos e testes para a publicidade e teledramaturgia. A estreia em novelas foi com uma pequena participação em “Sabor da Paixão”, de 2003. A partir daí, foi galgando novos trabalhos em produções como a série “Tudo Novo de Novo” e novelas como “Sete Pecados” e “Escrito Nas Estrelas”. Em 2014, convidada pelo autor Aguinaldo Silva, fez sua transição para tipos mais densos na pele da ninfeta Maria Ísis de “Império”. Hoje, aos 24 anos, deixou a timidez e o discurso ensaiado de outrora de lado e surge como uma das atrizes com mais prestígio de sua geração. “Não tenho medo de trabalho e me sinto cada vez mais segura para encarar convites mais ousados”, garante.

P - Você revisitou a Eliza em uma pequena participação em “Bom Sucesso” no final do ano passado. Como recebeu a notícia que a personagem iria voltar de vez à faixa das sete?

R - Achei uma coincidência maravilhosa e muito bem-vinda. Neste momento em que boa parte das pessoas está em casa, reprisar “Totalmente Demais” é um acerto e tanto da Globo. O texto é leve, divertido e carregado de um sentimento de esperança por dias melhores. Foi lindo reviver a Eliza. Sempre penso por onde andam as personagens depois que a novela acaba.

P - Como assim?

R - Foi um trabalho muito especial. Quando é assim, a gente demora a desapegar e fica mesmo pensando na sobrevida do papel. São meses contando uma história e bate uma tristeza quando ela chega ao fim. Fiquei tão feliz com o convite que nem me importei em pausar um pouco as férias para fazer essa breve volta aos estúdios.

P - O que mais chamava sua atenção nesse papel?

R - Eliza era uma mocinha do tipo muito forte. Começa a história sofrendo com um padrasto assediador - tema infelizmente sempre atual - e corria atrás de seus sonhos sem perder seus valores. Contracenei muito com a Juliana Paes, Fábio Assunção e o Felipe Simas e, honestamente, a parceria foi incrível. Acho que, para uma novela dar certo, tem de ter esse espírito coletivo de generosidade.

P - Mocinhas são muito frequentes em sua carreira. Pensando na sua trajetória, existe algum plano de maior diversificação?

R - A verdade é que eu fui vivendo minha carreira sem pensar muito. Os convites surgiam e, em comum acordo com a emissora, eu ia trabalhando. Precisava construir esse repertório e agora me sinto mais livre para selecionar melhor meus próximos passos. Adoraria viver uma vilã, por exemplo, e acho que chegou a hora.

P - Você está na tevê desde os oito anos de idade. Em algum momento teve o receio de que não conseguiria fazer a transição para papéis adultos?

R - Isso sempre foi uma preocupação. E aumentou quando entrei na pré-adolescência. Quando se é criança, todo mundo acha você fofinha e existem papéis infantis ótimos. Depois dos 12 anos, passei um tempo fazendo testes e as coisas não aconteciam. Muita gente desiste nesse ponto. Tentei um pouco mais e fui chamada para “Sete Pecados”, depois fiz “Tudo Novo de Novo” e a situação começou a se firmar. Em seguida, surgiu outro problema: trabalho eu tinha, mas já era a hora de personagens mais adultas.

P - Para você, qual trabalho representou essa transição?

R - Foi a Maria Ísis de “Império”. Agradeço ao Aguinaldo (Silva, autor) até hoje. Ficamos próximos depois dessa novela. Tanto que ele foi meu padrinho de casamento. Estava passando por um momento conturbado, de incertezas, sem saber por qual caminho a carreira poderia seguir. E Aguinaldo me chamou para fazer uma mocinha meio ninfeta que tinha um caso com um homem mais velho e muitas cenas sensuais. Ninguém esperava isso de mim. Nem eu (risos).

P - Você acha que, a partir desse trabalho, passou a ser vista de forma diferente pelos autores e diretores da emissora?

R - Sim. A tevê tem muito disso. Você precisa mostrar serviço para que outros projetos apareçam. A partir de “Império”, pude fazer protagonistas bem diferentes entre si, como a Elisa de “Totalmente Demais” e, sobretudo, a Isabela em “Justiça”.

P - Você está desde meados de 2018 fora do ar. Tem planos de fazer alguma série ou novela no curto prazo?

R - Ainda não. No momento, estou em casa curtindo minha família. Recusei alguns convites depois de “O Sétimo Guardião” e estou aprendendo a sentir melhor o que quero dizer a cada novo trabalho. Essa pausa está sendo fundamental para eu me reconectar com a carreira e voltar ao trabalho mais inspirada.

Mais referências

Comprometida com a carreira de atriz, Marina Ruy Barbosa vem adiando, há alguns anos, o sonho de ir para a universidade. Em 2013, a atriz teve de trancar a curso de Cinema por conta sua intensa agenda de trabalhos na tevê. Sempre sondada para novos projetos, a atriz ainda planeja uma pausa maior para retomar os estudos. “Esse desejo ficou para o futuro. Não consigo fazer nada pela metade e pensar a carreira e a faculdade ao mesmo tempo seria complicado”, conta.

Mesmo longe da sala de aula, a vontade de aprender e buscar novas referências de Marina é latente. A paixão pela literatura, em especial, por autores nacionais, fez a atriz lançar o livro “Inspirações - Uma Seleção Afetiva de Reflexões e Poemas”. A convite da Editora Objetiva, a atriz reuniu seus poemas preferidos e também foi incentivada a publicar criações suas. Na lista de Marina, nomes como Carlos Drummond de Andrade, Hilda Hilst, Manoel de Barros, Mario Quintana, Paulo Leminski e Vinicius de Moraes. “O processo para o livro foi muito frutífero. Aprender é sempre o melhor caminho”, garante.

Trama interna

O esperado reencontro de Marina Ruy Barbosa com o texto de Aguinaldo Silva em “O Sétimo Guardião” rendeu aquém do esperado. Depois de ser adiada por conta de acusações de plágio, a trama acabou não caindo no gosto do público e foi se esvaziando ao longo da exibição. “Gostei de verdade de interpretar a Luz, só que foi um trabalho cercado de muita pressão. Tive diversas crises de ansiedade”, conta.

Além das críticas em relação à falta de sintonia entre Marina e Bruno Gagliasso, intérprete do mocinho Gabriel, os bastidores da trama foram marcados por boatos de relações extraconjugais e brigas em plena cidade cenográfica. “Muitos fatos foram distorcidos e aumentados. Por fim, saí mais forte dessa experiência. Ficam as boas lembranças da trama”, minimiza.

Instantâneas  

# Marina é tetraneta do escritor, jurista e político baiano Ruy Barbosa.

# Em 2013, a atriz se desentendeu com Walcyr Carrasco, autor de “Amor à Vida”. Ela se recusou a raspar os longos cabelos ruivos e sua personagem acabou a história como uma fantasma.

# Pouco mais de um ano depois, durante a caracterização para a personagem em “Império”, Marina cortou 30 cm de seus cabelos, que foram doados para a ONG Cabelegria, que faz perucas para doentes com câncer que perderam os seus cabelos

# A imagem de Marina Ruy Barbosa é uma das mais disputadas pela publicidade. Além de ser o rosto de diversas marcas, a atriz fatura alto fazendo presença em eventos e com postagens patrocinadas nas redes sociais.

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.