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TELEVISÃO

Uma retrospectiva dos melhores e piores em "Teledramaturgia" no ano de 2020

Na lista anual da TV Press deste ano, veja quem se deu bem e quem se mal
30/12/2020 15:10 - Geraldo Bessa/TV Press


O ano de 2020 foi difícil para a teledramaturgia. Com os estúdios parados, diretores e autores levaram um tempo para idealizar novas formas de continuar a criar e produzir. Por seu caráter mais coletivo, as novelas foram as mais prejudicadas pela pandemia, com todas as emissoras cancelando suas produções atuais e recorrendo a reprises. 

Essa necessidade de adaptação chegou, inclusive, à lista anual de “Melhores e Piores de TV Press” onde, pela primeira vez, não se tem novelas inéditas na disputa. A principal categoria do ano é “Melhor Reprise”, na qual o conto de fadas moderno de “Totalmente Demais” acabou caindo no gosto dos editores dos jornais assinantes e da equipe que produz o conteúdo de “TV Press”.

Grande parte das produções lançadas ao longo da pandemia foram finalizadas antes do último mês de março, como é o caso de “Todas as Mulheres do Mundo”, bela homenagem à obra de Domingos de Oliveira que acabou sendo escolhida como “Melhor Série” e ainda aparece nas categorias de “Melhor Ator” e “Melhor Autor”, cujo os eleitos são Emilio Dantas e Jorge Furtado, respectivamente.

Em um ano onde o “streaming” entrou definitivamente na vida do brasileiro, uma série nacional fez sucesso ao redor do mundo por conta do alcance da Netflix. 

Em “Bom Dia, Verônica”, Tainá Müller pode mostrar sua porção protagonista na pele de uma corajosa escrivã da polícia civil de São Paulo, em uma atuação em ponto de ebulição que acabou a consagrando na categoria “Melhor Atriz”. 

Com uma produção mais tímida em termos de quantidade, mas não menos empolgante, em 2020, a indústria tevê realmente parou, mas conseguiu voltar a tempo de mostrar que é a partir da crise e do caos que surge a reinvenção.

Melhor Reprise

“Totalmente Demais”

A história é “batida”: uma garota simples e sem graça acaba virando alvo de uma aposta onde o grande objetivo é transformá-la em uma mulher elegante e irresistível. 

Com ecos de “Pigmalião” e “My Fair Lady”, “Totalmente Demais” se distanciou do tom cômico e por vezes ousado da faixa das sete para apostar em uma fórmula basicamente romântica e muito bem acabada pela dupla Paulo Halm e Rosane Svartman. 

Exibida originalmente em 2015, a trama dirigida por Luiz Henrique Rios já estava na fila do “Vale a Pena Ver de Novo” quando surgiu como escolha óbvia da Globo para ocupar novamente o horário das 19h, agora por conta da quarentena que paralisou os trabalhos nos Estúdios Globo. 

Em uma versão ligeiramente mais compacta, a novela protagonizada por Marina Ruy Barbosa, Fábio Assunção, Juliana Paes e Felipe Simas condensou melhor suas histórias, deu o devido destaque aos personagens mais carismáticos e conquistou novamente o telespectador com sua mensagem de leveza e otimismo.

Pior Reprise

“Apocalipse”

Há tempos que a bagunça impera no setor de teledramaturgia da Record. Reprisando constantemente suas novelas recentes, a emissora ficou sem muitas opções e, durante a pandemia, acabou tendo de recolocar no ar um de seus projetos mais controversos: “Apocalipse”. 

Misto de produção bíblica e trama contemporânea, o fiasco do folhetim tem três razões de ser: primeiramente, as novelas da emissora estão sob a responsabilidade de pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus e não de um profissional que entenda de televisão. 

Em segundo, só focada no sucesso imediato, a Record esquece de programar e pensar suas futuras produções com antecedência. Por fim, como forma de baratear custos e utilizar seus estúdios de forma mais apropriada, a empresa se rendeu a uma parceria com a Casablanca Filmes, terceirizando seu setor de teledramaturgia sem qualquer preocupação com a qualidade final das produções. 

“Apocalipse” é o fruto mais pretensioso deste “casamento” e tanto na exibição original quanto na quarentena passou quase despercebida pelo grande público. 

Com trama confusa, direção de elenco pouco eficaz e estética de gosto duvidoso, a escolha de uma produção com temática tão “fatalista” em tempos de coronavírus foi mais um equívoco promovido pela emissora em sua grade de programação.

 
 

Melhor Atriz

Tainá Müller

Tainá Müller passou cerca de 10 anos à espera de um papel realmente relevante na Globo. Apesar de ter tido destaque em tramas como “Insensato Coração”, de 2011, e “Em Família”, de 2014, as personagens da atriz raramente engrenavam de fato ao longo das produções. 

Contratada apenas por obra nos últimos anos, Tainá aproveitou a liberdade motivada pela nova forma de vínculos da emissora para experimentar realmente algo novo: o posto de protagonista a partir de um convite da Netflix. 

Em “Bom Dia, Verônica”, Tainá ressurgiu segura e renovada em uma trama policial bem idealizada. Equilibrando bem o instinto maternal e a postura justiceira, Tainá dominou a ação e as viradas do roteiro escrito por Ilana Casoy e Raphael Montes. Grande sucesso nacional da Netflix em 2020, “Bom Dia, Verônica” já está com uma segunda temporada garantida.

Melhor Ator

Emílio Dantas

Emílio Dantas levou exatamente uma década para chegar ao posto de ator mais cobiçado dentro da Globo. A estreia foi na Record, onde chamou atenção a partir de trabalhos como “Sansão e Dalila” e “Dona Xepa”. 

Depois de cinco anos de contrato, resolveu não renovar com a emissora. Na sequência, em 2015, estreou na Globo no posto de vilão de “Além do Tempo” e seu bom desempenho o levou direto para o horário das nove, onde viveu o Rubinho de “A Força do Querer”, atual reprise da faixa, e Beto Falcão no sucesso “Segundo Sol”. 

Em 2020, Emilio brilhou como protagonista de “Todas as Mulheres do Mundo” e ainda dividiu com sua mulher, a também atriz Fabiula Nascimento, um dos episódios mais inspirados de “Amor e Sorte”, projeto feito durante o isolamento. 

Colocando sua inteligência emocional sempre a favor do texto e evitando atuações protocolares, Emílio já mostrou que vai além da carinha de bom moço e dos olhos azuis que poderiam enquadrá-lo na figura isenta do galã. 

De contrato recém-renovado com a Globo pelos próximos três anos e envolvido em diversos projetos, ele pode sim ser o mocinho da novela, mas tem talento, opinião e carisma de sobra para ocupar o espaço que bem entender.

 
 

Melhor Autor

Jorge Furtado

Jorge Furtado é o autor mais prolífico do “casting” da Globo. Sempre com um projeto em mente, Jorge se equilibra muito bem entre filmes mais conceituais – feito sob a grife da Casa de Cinema de Porto Alegre –, e as séries televisivas para as massas que surgem a partir do contrato que mantém com a Globo desde os anos 1990. 

Só nos últimos anos, ele desenvolveu produções de prestígio como “Doce de Mãe”, “Mister Brau” e “Sob Pressão”. 

Neste ano, além de lançar “Todas As Mulheres do Mundo”, onde homenageou o amigo Domingos de Oliveira, ele foi também o responsável por “Amor e Sorte”, série que elevou o patamar de produção da Globo durante a pandemia. 

Internamente, os projetos do autor têm a força de movimentar elencos recheados com os melhores nomes da casa, caso de Fernanda Montenegro e o casal Lázaro Ramos e Taís Araújo. Com uma assinatura forte e sempre a serviço da versatilidade, Jorge Furtado é certeza de produções de qualidade no horário nobre da emissora.

Melhor Diretor

Andrucha Waddington

Cineasta premiado por filmes como “Eu, Tu, Eles” e “Casa de Areia”, Andrucha Waddington evitou a tevê por muitos anos. Essa postura ficou para trás com a adaptação encomendada pela Globo de “Sob Pressão”, filme dirigido por ele em 2016, que virou série e ganhou uma primeira temporada, em 2017. 

Com o orçamento robusto e o elenco da emissora à disposição, a série aprofundou seus dramas em torno do caos da saúde pública brasileira e conquistou público e crítica, a ponto de ser “descancelada” pela Globo ao final de sua terceira temporada. Com a pré-produção do quarto e do quinto ano da série em suspenso por conta da quarentena, Andrucha acabou dirigindo dois episódios especiais focados na pandemia de coronavírus, onde sua condução segura valorizou as emoções do elenco e do texto idealizado por Lucas Paraizo. 

Depois dessa experiência, isolado em família, ainda dirigiu sua mulher e sua sogra, as atrizes Fernanda Torres e Montenegro, em “Lúcia e Gilda”, episódio de “Amor e Sorte” e no especial de fim de ano derivado da produção “Lúcia, Gilda e o Bode”. 

Em um ano onde a tevê tateou saídas para continuar a criar, Andrucha foi incansável nessa busca por entreter e valorizar a programação, apesar das condições adversas.

Melhor Série

“Todas as Mulheres do Mundo”

O texto de Domingos de Oliveira sempre tratou o amor com propriedade e liberdade. Falecido em março de 2019, aos 82 anos, o dramaturgo mostrou suas crônicas românticas e revolucionárias pelo cinema, teatro e televisão ao longo de mais de cinco décadas de carreira como produtor, diretor, autor e ator. 

O ano de 2020 foi o momento de “coroar” toda essa dedicação a partir de uma justa homenagem em forma de série com “Todas as Mulheres do Mundo”. 

Produção homônima e também baseada no filme lançado em 1966, protagonizado por Leila Diniz e Paulo José, a série roteirizada por Jorge Furtado, com colaboração de Janaína Fischer, conseguiu captar não apenas o “espírito” sempre inspirado do homenageado, mas atualizar sua “verve” dramatúrgica aos olhos do agora.

Dirigida por Patrícia Pedrosa, a série equilibra bem a prosa e a poesia que envolve os encontros e desencontros de Paulo e Maria Alice, pela vivida dupla Emílio Dantas e Sophie Charlotte. Além dos protagonistas em fina sintonia, o projeto ainda contou com participações especiais luxuosas de Matheus Nachtergaele, Fernanda Torres, Lilia Cabral, Felipe Camargo e Fábio Assunção.