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TELEVISÃO

Minissérie “Hebe” mostra o por trás da fama

A trama explora aspectos mais pessoais da grande dama da televisão brasileira
31/07/2020 14:34 - Márcio Maio/TV Press


Quando se pensa em retratar a vida de uma figura pública, quase sempre o que mais chama atenção é justamente os detalhes mais íntimos dessas personalidades. Em “Hebe”, minissérie da Globo, não é diferente. A personagem-título é até hoje, quase oito anos depois de sua morte, a figura feminina mais emblemática da televisão brasileira. É claro que isso, por si só, já tornaria o projeto interessante. Mas a cereja do bolo ali é a oportunidade de conhecer o lado mais humano de Hebe, cuja trajetória é explorada desde a adolescência sofrida ao estrelato.

A maneira como a trama foi desenvolvida é um dos pontos fortes da produção. A história de Hebe é contada em uma narrativa que foge da linearidade. Ao longo dos capítulos, o tempo vai e volta. Poderia ter sido um grande desastre, se a sintonia entre Andréa Beltrão, que dá vida a uma Hebe mais madura, e Valentina Herszage, que encarna a menina inocente, sonhadora e que transborda talento, não fosse tão boa. Aos 56 anos, Andréa já deu provas de que é uma das atrizes mais convincentes do país. Há quase 20 anos, se mantém presente na tevê totalmente afastada das novelas – a última foi “As Filhas da Mãe”, em 2001. Já Valentina, com apenas 22 anos, estreou na tevê só há três anos, em “Pega-Pega”, como a adolescente problemática Bebeth. Mas inexperiência é última coisa que ela transparece em suas cenas na minissérie.

Algumas peculiaridades da vida de Hebe são favorecidas pelo trabalho eficaz da equipe de direção de arte. Como seu fascínio pelas joias e pelos carros da Mercedes-Benz.  Questões importantes da vida dela ganham espaço, como o aborto que fez após engravidar do namorado casado, na juventude. E a proximidade com Paulo Maluf, muito criticada na época. Quanto às décadas exploradas, a epidemia de Aids é levemente induzida quando ela se preocupa com a magreza exagerada de um colega de trabalho.

É curioso ver atores interpretando nomes conhecidos da época, como Silvio Santos, que é encarnado por Daniel Boaventura. Karine Teles e Cláudia Missura fazem Lolita Rodrigues e Nair Belo, respectivamente, as duas melhores amigas de Hebe. Cabe a Stella Miranda a função de encarnar Dercy Gonçalves, que já teve sua biografia gravada pela Globo, mas interpretada por Heloísa Périssé e Fafy Siqueira, em 2012. O segundo marido de Hebe, o ciumento Lélio, fica a cargo de Marco Ricca, e o sobrinho Cláudio, tratado como filho por ela, é defendido por Danton Mello. De maneira geral, ninguém do elenco decepciona. Mas são Andréa e Valentina que, de fato, chamam mais atenção.  

Para quem assina o serviço de streaming Globoplay, “Hebe” não é uma novidade. Os dez episódios foram disponibilizados em dezembro do ano passado. Na tevê aberta, a emissora usou a “Tela Quente” do dia 16 de dezembro para levar ao ar os dois primeiros episódios. Agora, diante da paralisação dos trabalhos nos Estúdios Globo e em outras produções da linha de shows, a série se tornou um prato cheio para entreter os telespectadores nas noites de quinta-feira. Conteúdo de qualidade, com elenco de primeira e uma personagem principal que vale a pena conhecer.  

 

 
 

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.