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CRÔNICA

Muito além da Pandemia

"Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão nunca foram tão bem ou mal aproveitadas quanto agora"
24/04/2020 14:35 - Theresa Hilcar


 

Em todos os lugares, plataformas, noticiários, redes sociais, o tema é a pandemia de Covid-19. As pessoas falam sem parar. Dezenas de especialistas de diversas áreas são chamados a opinar sobre o atual cenário. Nos jornais, blogs, sites de notícias os artigos se multiplicam. 

E para além, muito além, dos inúmeros efeitos colaterais desta Pandemia (que são inúmeros), é impossível não perceber aqueles efeitos que, felizmente, só fazem mal à estética e à comunicação. É o efeito “live” nas redes sociais. Espaço onde habitam principalmente aqueles que querem usufruir dos famosos 15 minutos de fama, como previu o artista Andy Warhol, ainda no século passado. 

Qualquer pessoa que tenha na mão um smartphone, ou possui uma câmera no computador, pode se tornar famoso. E nem precisa de grandes atributos. Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão nunca foram tão bem ou mal aproveitadas quanto agora. Principalmente quando temos ambas, doença e pauta extremamente democráticas. Ainda que alguns insistam tratar-se vírus comunista. Nesta espécie de universo paralelo tem de tudo um pouco. 

Compartilhar o dia a dia tornou-se algo trivial. Há pessoas que se filmam desde o café da manhã, comentam sobre o jantar, dão aulas de vinho e conselhos sobre nutrição. Na outra ponta existem aqueles que ensinam fazer máscara usando a cueca do marido ou a própria calcinha. Bizarro, eu sei. Também tem gente que faz desabafos ao vivo e uma multidão que adora propagar mentiras. Mas sigamos que isto é assunto para outra crônica.  

Apesar de existir uma parcela, mínima que seja de vida inteligente na Web, sinto que a maioria das pessoas, que se desnudam e se expressam com a palma da mão, não vivem no mesmo planeta em que eu vivo. Meu dia a dia, tedioso que só, certamente não daria uma “live” nem mudando o “dress code”, que, hoje em dia, não passa de um pijama velho e um kit sobrevivência que uso para descer até o portão, pegar a compra e voltar correndo.

Deixando a crítica de lado, digamos que esses personagens, famosos ou anônimos, estão fazendo o que chamam de “reinventar-se” em tempos de crise. Talvez estejam tentando driblar o mal-estar e a desesperança através da criatividade. Vai saber. Mas também pode ser que ainda estejam na fase da negação. Ou da desinformação completa e absoluta. O que, convenhamos, tornou-se o novo normal principalmente em Brasília. O que não tem nada a ver com os brasilienses, bem entendido.

Outro dia, num dos raros momentos em que assisto telejornal, ouvi de um cientista bem reputado que é impossível saber o tamanho desta tragédia causada por um vírus impetuoso e voraz. “Apenas os coveiros sabem dizer o número de mortos”, disparou com firmeza em rede nacional de televisão.

No mesmo dia o ocupante do Planalto, quando perguntado por jornalista sobre aumento nos números de vítimas, ele prontamente respondeu: “não sou coveiro”.

Só para esclarecer a situação, infelizmente nem eles, os pobres coveiros, conseguem mais fazer essas contas. Há lugares em que as vítimas fatais estão sendo colocadas em valas comuns. Essas coisas estão acontecendo hoje, agora. Basta ligar a TV ou consultar sites de notícias. Mas quem se importa? Aqui é um lugar onde se criam memes na Internet com caixões, enquanto milhares no mundo todo estão nas filas de comida ou de hospitais. 

Dizem que ao final esta pandemia pode nos ajudar a refletir sobre a vida vivida até agora. Que voltaremos a valorizar as pequenas coisas, que seremos mais solidários, amorosos, conscientes, desapegados, mais humanos enfim.

Tenho minhas dúvidas. Pode ser que isto só aconteça com uma parte da humanidade, em especial com aqueles que já conseguem ver além do próprio umbigo. Assim como o vírus, a ignorância é invisível. Mas ambos deixam sequelas que podem ser devastadoras. 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.