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MEIO AMBIENTE

Em 30 anos de dedicação à natureza, Nereu Rios diz que já produziu mais de um milhão de árvores

Ambientalista coleta sementes, faz mudas e espalha pelo cerrado para proteger o meio ambiente
28/10/2020 07:30 - Carol Alencar Cozzatti


“Deus disse: vou ajeitar a você um dom: vou pertencer você para uma árvore.

E pertenceu-me”. É com esta frase do poeta Manoel de Barros que Nereu Rios, 61 anos, se inspira para coletar sementes de árvores do nosso cerrado.

Há mais de 30 anos ele se dedica aos viveiros, onde produz mudas das sementes que coleta por onde passa. “Falar de árvore é falar de poesia, é falar de Manoel de Barros, que tem centenas de versos falando de árvore. É falar sobre os valores da vida, do bem-estar que dá ter uma árvore no jardim, em uma avenida, na cidade, é cultural, emocional e poético”, acredita. 

Por ano, Nereu afirma que produz 50 mil mudas. “Já devo ter plantado um milhão de árvores em Campo Grande, na nossa região e também em outros estados”, explica.  

 

 
 

Além de todo o contexto ambiental, coletar sementes é uma forma de preservar a história do ecossistema brasileiro. “Muitas dessas sementes fazem parte da memória das pessoas, remetem à infância ou a uma ocasião. A árvore tem esse poder de integrar o ser humano, e hoje parece que essa realidade já está distante da nova geração. O que faço é justamente manter esse sentimento vivo”, explica.

Ele ressalta ainda que as sementes estão muito mais presentes em nossas vidas do que imaginamos. Na gastronomia, por exemplo, elas têm cada vez conquistado mais espaço. “O baru é uma semente nutritiva e rica em proteína. Muitas pessoas a utilizam em bolos e saladas. O ideal mesmo é comer o baru torrado, já que, assim, é possível inativar os fatores antinutricionais. E tem também o pequi, que vem de uma semente e é muito utilizado na culinária local, além de ser bom para a imunidade e ajudar a diminuir o nível de colesterol”, alerta Rios.

Sobre ter uma vida dedicada a coletar, separar, organizar e encaminhar sementes, Nereu explica que, para ele, o sentimento é de gratidão. “Elas são embriões de vida, só quem trabalha com isso, respira isso e sabe da importância de ver uma semente germinando na secura do nosso cerrado entende este valor. É demais de gratificante você plantar e zelar por algo que daqui 10 anos, 15 anos terá mais de 15 metros de altura e ainda fará sombra. Isso é mágico”.

 

 

 
 

Técnica de coleta

Sobre o processo de coleta, Nereu afirma que há todo um cuidado em pedir autorização para entrar em matas dentro de áreas privadas e cautela na escolha das sementes. “A gente tem algumas rotas mapeadas na região da Serra da Bodoquena, Bonito e Jardim. Nossa seleção é criteriosa, até porque optamos por novas matrizes para não ficar perpetuando a mesma espécie”, explica.

Depois de retirada, a espécie é removida da vagem para depois ser secada e embalada em vidro. Ele ressalta ainda que mantém a espécie em uma geladeira para melhor durabilidade de germinação da semente.

Quanto às queimadas que assolaram o Pantanal nos últimos meses, o ambientalista reforça ainda mais o poder de preservação das árvores. “Neste momento em que se queima tudo e que a questão ambiental está jogada no Brasil, a gente vê o desmonte do Ibama, a gente vai vendo que é preciso falar mais sobre a preservação e ampliar a conscientização das futuras gerações”, acredita.

 

Felpuda


Comentários ouvidos pela “rádio peão”, em ondas curtas, são de que figurinha só ganharia apoio dos colegas caso pessoa agregada fosse “curtir a aposentadoria” de uma vez por todas. Como seu acordo político acabou naufragando nesta campanha, agora dito-cujo estaria querendo recuar e não ceder o lugar. 

Isso até poderia acontecer, se não fosse a sua, digamos, eminência parda. Afe!