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BEM-ESTAR

No isolamento, cuidar da mente é essencial

Conversar, ler e praticar exercícios são importantes para manter a saúde emocional e proteger o corpo
23/03/2020 07:00 - Naiane Mesquita


Os últimos dias não foram fáceis. Com a confirmação de 16 casos de Coronavírus em Mato Grosso do Sul e mais de mil contaminações no País, o isolamento social se tornou imprescindível para a contenção da pandemia da Covid-19. 

A campanha do Ministério da Saúde para permanecer em casa é forte e tem o apoio de artistas – muitos infectados pela Covid 19 – e de uma parte da população que leva a sério a pandemia. Contudo, com praticamente todas as opções de lazer fechadas, como praças, parques, cinemas e a restrição para o convívio social, é comum que os pensamentos ansiosos e tristes se tornam mais frequentes na população.

A psicóloga Keyth Gimenez de Barros explica que até mesmo o descuido de alguns em relação à pandemia pode ser entendido como a fase psicológica, a de negação. “É uma questão mundial, com um problema que não se vê aos olhos, e muitas pessoas estão na fase da negação, acreditando que é um exagero. A ficha está caindo aos poucos”, ressalta.

O incômodo de permanecer em casa é natural, segundo Keyth, afinal o confinamento foi imposto. “Alguém mandou fazer isso, não tinha uma alternativa e não estamos acostumados na nossa sociedade com essa questão de mandar, de obrigar a fazermos algo. Em outro ponto, somos uma sociedade muito ansiosa, esse é o nosso perfil social. Vivemos no futuro, pensando e refletindo sobre o que vai acontecer, quando acontecer, quanto tempo até que ocorra. Além disso, não conhecemos nosso inimigo”, reflete a psicóloga. 

O psiquiatra André Barciela Veras concorda. “O cotidiano já é tão estressante, tão cheio de variáveis, ainda mais na nossa vida moderna, com tantas situações cada vez mais novas e inesperadas para lidar, e a inclusão de uma situação como essa que coloca tudo de um jeito diferente, lidar com as diferenças, no sentido da mudança, já é um desafio cotidiano. É uma mudança de absolutamente tudo, que gera, sem dúvida, um estresse excepcional. As pessoas precisam ter muito recurso e muita sabedoria para lidar”, explica.

Viver uma pressão como esta pode ser a gota d’água para quem está exausto, mas, ao mesmo tempo, combater o vírus exige uma imunidade forte. “A mente não adoece sozinha, ela é integrada ao organismo. Todo esse estresse produz um contexto de um adoecimento físico e psicológico. As pessoas precisam ter essa preocupação com o autocuidado, para que o organismo não fique desgastado. Um organismo desgastado fica mais vulnerável para um provável adoecimento. É importante levar tudo isso em consideração”, ressalta.

O ideal é o autocuidado. “Se poupar, diminuir a chance de contrair uma infecção, cuidar do organismo para ele estar prontificado para combater”, frisa Veras. 

Saúde

Pode parecer impossível, mas manter uma rotina em casa pode ajudar no processo de isolamento, tornando-o tranquilo na medida que for possível. “Manter uma organização é essencial, principalmente em mudanças muita intensas. Como tudo está suspenso, manter as coisas minimamente familiares, previsíveis, tranquilas e estáveis ajuda muito”, explica o psiquiatra.

Keyth explica que o excesso de informação e as fake news – notícias falsas – sobre falta de suprimentos ou atendimento médico podem ativar o nosso instinto de sobrevivência e, consequentemente, o estresse. “O ideal é ter uma boa medida para tudo. Tudo que é demais faz mal, seja a comida ou o trabalho. Nesse caso, informar demais também pode fazer mal. Se a pessoa é do grupo de risco, a presença da morte deixa tudo mais forte e difícil”, indica. O melhor é encontrar algumas mídias seguras e confiáveis e ler em um horário específico para evitar o bombardeamento de informação, que gera ansiedade. 

Os relacionamentos também devem ser mantidos, mesmo à distância. “Tem que desintoxicar a ansiedade, ou seja, praticar uma atividade física em casa, ter um olhar para o corpo. Uma atividade reflexiva também é uma boa ideia, uma leitura. Crie um conjunto de estratégias para lidar com isso”, indica o psiquiatra. 

Faxina

Em tempos de cuidado com a higiene, a faxina é uma ótima companheira. “Para diminuir a ansiedade, invista em coisas que você não tinha muito tempo para fazer, como arrumar um guarda-roupa ou uma área da casa. Gaste sua energia, organize o fora que o dentro vai se organizando, se acalmando, melhorando”, acredita Keyth.

Há vários filmes e séries disponíveis, assim como lives nas redes sociais que oferecem conteúdo ou só bate-papo. Aproveite para aprender algo novo. “Agradeça o dia de hoje. Não vamos riscar quantos dias faltam, mas sim agradecer por ter passado mais um dia com saúde. Mudar a ótica do problema pode ajudar”, frisa a psicóloga. 

Segundo Veras, ver o lado positivo do confinamento requer esforço e amadurecimento, mas é possível. “É importante que as pessoas exercitem essa capacidade de lidar com um desafio, com o amadurecimento pessoal. A crise é uma oportunidade para mudanças, para reorganizar e extrair dessa situação toda algo, pode ser a reflexão sobre os nossos relacionamentos, sobre a maturação da sociedade e de nós como indivíduos”, pontua o psiquiatra.

Como proteger a saúde mental durante a pandemia:

  • 1. Cuidado com o excesso de informações.  
    Tente não ficar conectado o tempo todo com as notícias, isso aumenta a sensação de incertezas e aumenta preocupações. Se perceber que isso te deixa mal, dê um tempo e vá ver ou fazer coisas que gerem bem-estar. Filtre a quantidade e qualidade das informações que recebe e, se possível, partilhe histórias positivas.

 

  • 2. Cuide do seu corpo.
    Tente praticar exercícios e se alimentar de forma saudável.
    Relaxar, praticar meditação e alongamento, além de evitar o abuso de álcool ou drogas, fazem diferença na saúde física e mental.

 

  • 3. Faça coisas que te agradem.
    Isso inclui ouvir uma boa música, fazer um curso on-line, ler um livro ou assistir a uma série.

 

  • 4. Pratique a resiliência.  
    Tente perceber o que pode aprender com tudo o que está passando, olhe a situação de forma realista, sem entrar em pânico. Descubra qual o seu melhor jeito de passar por tudo isso e lembre-se que isso não durará para sempre.

 

  • 5. Aproveite para colocar as coisas em ordem:  
    Sabe aquela arrumação de armário, de arquivos e fotos do computador, de e-mails da caixa postal, das plantas da casa? Aproveite o tempo e faça coisas que possam ocupar e relaxar a sua mente.

 

  • 6. Estabeleça uma rotina.
    Tente fazer as coisas nos mesmos horários e criar uma rotina de trabalho e autocuidado.

 

  • 7. Peça ajuda se precisar. 
    Se você perceber que está extremamente sobrecarregado, ansioso, depressivo, pensando em se machucar ou em suicídio, procure seu médico, psicólogo ou familiar e não esqueça do CVV (188).

 

  • 8. Converse com as pessoas.  
    Tire uma parte do seu dia para conversar com outras pessoas e interagir com os que estão na sua casa. Seja para falar sobre trabalho, estudo ou como está se sentindo. Não se isole!

 

  • 9. Não pare o seu tratamento.
    É normal se sentir nervoso ou com medo, mas se você está em tratamento médico, não pare a medicação e procure seu médico se perceber uma piora nos sintomas.

 

Fonte: Organização Mundial da Saúde, BBC News, Lancet Review e Vita Alere.

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!