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SAÚDE

Nutricionistas dão dicas de como manter alimentação saudável

Apesar da ansiedade em relação à pandemia e ao isolamento social, especialistas acreditam que é possível se alimentar bem
02/04/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Como manter a vida saudável durante o isolamento social provocado pela Covid-19? A ansiedade provocada pelas dúvidas em relação à doença, à contaminação e ao medo de que tudo piore ainda contribui para a velha, e nem um pouco boa, compulsão alimentar. Tem gente que jura que o segredo é não comprar o que gosta de comer, outros já deixaram de lado os planos fitness e estão aproveitando os produtos da dispensa sem parcimônia.

Nesse jogo difícil em que há a ansiedade e os treinos para perder caloria só em casa mesmo, as nutricionistas juram que é possível manter o cuidado com a alimentação. “Apesar das incertezas e do medo do futuro que a Covid-19 nos trouxe, o isolamento social com certeza é o que mais tem angustiado as pessoas. Mas é uma ótima oportunidade para repensar, organizar-se e priorizar aquilo que muitas vezes levamos literalmente com a barriga, que é o nosso corpo. A vida cotidiana, a correria em atender todas as nossas demandas, nos fazia muitas vezes deixar de lado ou em segundo plano algumas coisas importantes e necessárias para uma alimentação mais saudável”, acredita a nutricionista Luciane Gonzalez.

A enfermeira Eliza Sampaio Cathcart, 29 anos, tem descoberto novas possibilidades durante a pandemia. Apesar de continuar trabalhando por integrar um serviço essencial, ela e o marido conseguiram manter a rotina de uma alimentação saudável para eles e o filho Miguel, de apenas um ano e sete meses. “Trabalho 6 horas por dia de segunda a sexta. Com essa pandemia, não estou consumindo comida de outro local, apenas as feitas em casa ou por alguém próximo que eu conheça a procedência. Como saio do serviço às 13h, consigo almoçar em casa”, explica.

Por conta da Covid-19, Eliza e o marido estão realizando compras quinzenais para evitar idas até o supermercado. “Fazemos as comidas à noite, para a janta e o almoço do outro dia. Dependendo do dia, conseguimos fazer alguns tipos de comida em maior quantidade e congelar, para adiantar um pouco”, indica.

Quem costuma cozinhar é o marido, Marcelo Cathcart Ferreira, e, para facilitar, nos últimos dias ele e Eliza têm comprado frutas e verduras no mercado do bairro. “Estamos conseguindo comprar tudo com maior qualidade. Não tínhamos costume de comprar no bairro. Agora estamos descobrindo a agilidade e os produtos muito bons”, diz.

Nessa vida saudável, o bebê entra na onda. “Também pensamos na alimentação dele. Atualmente, fazemos apenas um tipo de comida que atenda a família toda. Caso algum dia tenha um alimento que não seja indicado para o meu filho, faremos uma comida específica para ele”, explica.

Comida simples

Segundo Luciane, a alimentação saudável e equilibrada não precisa ser um bicho de sete cabeças. “É simples de se fazer, com alimentos como o arroz com feijão, uma proteína cozida ou refogada com pouco óleo, alho, cebola, temperos naturais, uma porção de legumes cozidos com pouca água ou no vapor. Se tiver folhas, aí está perfeito”, frisa.

O confinamento pode mostrar que os excessos não fazem falta. “Nos damos conta de que comemos muito carboidrato quando evitamos de ir à padaria ou até mesmo comprar os salgados, bolos da tarde, lanches e pizzas”, indica.

A troca pode ser igualmente simples. Em vez de doce, invista em uma vitamina de leite com fruta. Troque o pão por aveia, o salgado por fruta. “Os lanches noturnos podem ser facilmente trocados por lanches feito em casa ou até mesmo comendo o que sobrou do almoço. Medidas como essas com certeza aliviam o bolso – e seu organismo agradece”, acredita.

Tédio vai passar

A nutricionista Annelise Manfrinatti explica que o momento pode ser utilizado para refletir sobre a relação das pessoas com os alimentos. “O que mais tenho visto são pessoas postando o quanto estão comendo e/ou engordando nesta quarentena. De fato, esta situação toda tem mudado a rotina de muita gente, e a alimentação também sofre com isso. Os alimentos estão mais disponíveis, o exercício físico não continua no mesmo ritmo e a comida acaba sendo usado para aplacar o tédio, a ansiedade, a incerteza, a preocupação. Mas acho que pode também ser uma oportunidade de repensar o papel da comida em nossas vidas”, acredita.

Annelise ressalta que não é o momento para se sentir culpado. “Comida, sim, tem um papel de conforto. Traz uma sensação de prazer e bem-estar – principalmente alimentos mais ricos em açúcar e gordura. Mas a grande questão é que não ‘resolve’ nem ‘conserta’ nada. A sensação boa é momentânea – quando ela passa, tudo continua lá. Dependendo da frequência com que se busca a comida para lidar com emoções e situações difíceis, além de não resolver o problema em si, você ganha outros”, aponta.

O ideal é buscar alternativas. “Para isso é importante se perguntar do que você precisa. Se a comida não está sendo buscada para aplacar o vazio do estômago, o que de verdade você está sentindo? Se estiver ansioso, por exemplo, que outras atividades ajudam a aliviar a ansiedade que não envolvam comida?”, questiona.

Vale a pena ler um livro, tomar um banho para relaxar, brincar com o cachorro ou conversar com alguém. “Ouvir uma música que você gosta, meditar, tocar um instrumento, fazer exercício – têm vários profissionais disponibilizando treinos para fazer em casa, e na internet também tem opções”, aponta.

Um dia é organizar a despensa, deixando os alimentos saudáveis bem à vista. A limpeza também ajuda a relaxar. Preparar a própria comida também pode ser uma boa saída, até para a distração.

A empresária Mara Lúcia Nonato, 49, entrou para um grupo on-line criado por Annelise para debater justamente a relação que todos nós temos com a comida. “Quero melhorar a minha qualidade de vida, ter mais saúde, disposição e ânimo”, frisa.

Adepta da comida de verdade, ela explica que precisou se adaptar durante o isolamento. “Tenho uma pessoa que vem em casa duas vezes na semana e ela providenciava tudo para nós. Agora eu e meu marido estamos nos revezando. Comemos de tudo, mas com moderação”, indica.

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!