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COLUNA PONTO DE VISTA

O brilho perdido do "Hoje em Dia"

O programa completa 15 anos de exibição tentando recuperar credibilidade e audiência de outrora
27/02/2020 20:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Claramente inspirado pelos “morning shows” americanos, a estreia do “Hoje em Dia”, da Record, causou um barulho substancial na tevê brasileira em 2005. Enquanto as outras emissoras ainda estavam investindo na decadente programação infantil e em jornalísticos genéricos, a Record fez o “dever de casa” e realmente soube mesclar informação e entretenimento de forma leve e de olho nas necessidades do telespectador. Em poucos meses, a novidade conseguiu dobrar a audiência da produção anterior, o desgastado “Note e Anote”, e popularizar o trio de apresentadores formado por Ana Hickmann, Britto Júnior, e o “chef” Edu Guedes. Com bons números no Ibope e faturamento alto, o “Hoje em Dia” tornou-se a “galinha dos ovos de ouro”, fazendo do diretor Vildomar Batista um exemplo bem-sucedido no combalido setor de entretenimento da emissora. Sem experiência para realmente se aproveitar de todo esse sucesso, a Record não apenas se acomodou como saturou as estrelas do matutino em outros programas. No ano em que completa 15 anos de exibição, o “Hoje em Dia” colhe seus erros e acertos e luta para voltar aos dias de glória e credibilidade.

A partir de 2009, Britto assumiu “A Fazenda” e Ana substituiu Eliana no dominical “Tudo é Possível”, o time do matinal foi reforçado pelos nomes de Gianne Albertoni, Celso Zucatelli e Chris Flores. Mesmo com as contratações, ficou muito nítido o esvaziamento do “Hoje em Dia” pela própria emissora, que acabou colocando Vildomar Batista para dirigir outros programas da grade. No meio do caminho, a Record não esperava o contra-ataque da Globo com a estreia do “Encontro com Fátima Bernardes”, em 2011. Feito para recuperar a audiência perdida pela “TV Globinho” ao longo dos anos, a tão aguardada estreia da jornalista na área de entretenmento era o que faltava para o fim da tranquilidade do “Hoje em Dia”. Como consequência, a Record apelou. O lado jornalístico do programa ganhou ares ainda mais sensacionalistas, o que proporcionou momentos extremamente constrangedores para a produção, como o “furo” sobre a falsa morte do “promoter” Amin Khader e, em especial, o surgimento da Grávida de Taubaté. Com direito a lágrimas e campanha para arrecadar donativos, equipe e apresentadores foram enganados por uma mulher que dizia estar esperando quadrigêmeos, mas na verdade usava uma falsa barriga de silicone.

Mesmo com a credibilidade altamente abalada, a Record se contentou em ficar brigando pelo segundo e terceiro lugar em audiência com o SBT e só promoveu uma reformulação do “Hoje em Dia” em 2015. Além de trazer Ana Hickmann de volta, contratou os jornalistas César Filho e Renata Alves, além de promoveu Ticiane Pinheiro para o primeiro time de seu quadro de apresentadores. A repercussão nunca mais foi a mesma, mas pelo menos a produção deixou de ser alvo de tantos “micos”. Agora, com novos cenários e quadros competitivos, o “Hoje em Dia” parece ganhar uma sobrevida na grade. Principalmente, por conta do bom acabamento de “Hair”, “talento show” que promove uma competição entre cabeleireiros, formato criado pela Endemol. Entre a fofoca de celebridades, assistencialismo, jornalismo cotidiano e quadros de amenidades, o programa inegavelmente criou sua marca. Com audiência média atual entre 4 e 5 pontos no Ibope, segue firme por uma nova chance de brilhar.

Hoje em Dia” - Record - de segunda a sexta, às 9h.

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.