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DIÁLOGO

O "golpe das panelas", que, de 2020 a 2022, causou muitas vítimas em MS...Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo deste sábado (1º) e domingo (2)

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Vini Willian - poeta de MS

"Sentir não cabe no hífen da palavra. Sentir é tão anterior que parágrafo. Sentir é um inexplicado que, se explicado, acaba”

Felpuda

O “golpe das panelas”, que, de 2020 a 2022, causou muitas vítimas em Mato Grosso do Sul, teve sentença proferida em Campo Grande. Foi condenada uma empresa de utilidades domésticas de São Paulo que cedia máquinas de cartões de crédito e débito registradas em seu nome para terceiros, que percorriam o País vendendo o produto como da mais alta qualidade, mas entregavam a mais baixa qualidade. As representantes da empresa também foram julgadas culpadas. E foi mantido o bloqueio de valores e bens delas, já decidido.

Segundo a Embratur, nos primeiros nove meses deste ano, o total de chegadas de turistas internacionais à Bahia superou o de todo o ano de 2024. De janeiro a setembro, a região registrou 149.648 entradas, quantidade 58% maior que a do mesmo período do ano passado. Somente em setembro, aquele estado recebeu 15.940 visitantes estrangeiros, 29,6% a mais que no mesmo mês de 2024.

A Argentina encabeçou o ranking dos emissores de turistas internacionais para a Bahia de janeiro a setembro deste ano, com 68.130 chegadas. Em segundo lugar, Portugal registrou 5.366 desembarques. Na terceira posição, o Uruguai enviou 13.547 viajantes.

A França teve o maior aumento porcentual, com 11.465 entradas, valor 216% maior que o do mesmo período anterior. Em quinto lugar, a Itália teve 9,5 mil entradas, representando 46,93% a mais que o registrado entre janeiro e setembro do ano passado. Na foto, Porto da Barra.

Eduardo e Cristina KatayamaEduardo e Cristina Katayama
Victoria CeridonoVictoria Ceridono

Três poderosos

Três partidos que, em épocas distintas, deram as cartas, hoje, amargam posição muito diferente de quando “reinaram”. É o caso de MDB, PT e PSDB, que já administraram MS. O MDB foi o primeiro partido a conquistar, em 1982, o comando político-administrativo pelo voto popular. Atualmente, aguarda “carona” para 2026 no grupo político do governador Riedel (PP).

Inanição

O PT também teve seu tempo de glória. Durante oito anos, esteve à frente do governo, que conquistou nas urnas em 1998. Ao longo dos anos, porém, ficou enfraquecido em MS, em função dos desacertos do partido em nível nacional. Nos dias de hoje, chegou a tal ponto que nem sequer está conseguindo anunciar nome consolidado para disputar o governo do Estado em 2026.

Esfacelado

O PSDB, por sua vez, esfacelou-se com a saída do governador Riedel e do ex-governador Azambuja e espera, também, ter espaço no grupo político dessas duas lideranças. Com a abertura da janela partidária em 2026, a previsão é de que aconteça uma “revoada” de parlamentares para o PP, de Riedel, e o PL, de Azambuja. Os tucanos completaram 11 anos administrando MS.

Aniversariantes

SÁBADO (1º)

  • Daniel Cavassa Daude,
  • Alanis Netto Lopes,
  • Dr. Periperis Rodrigues do Prado,
  • Melissa de Carvalho Sone Tamaciro,
  • Roberto Tarashigue Oshiro Junior,
  • Andrea Torres,
  • José Cândido de Paula Neto,
  • Maria Aparecida Paim Lima,
  • Fábio Theodoro de Faria,
  • Antonio Roberto de Mello Netto,
  • Vespaziano Almeida de Assis,
  • Diomedes Hirochi Yasunaka,
  • José Roberto Mangieri,
  • Lucas Alves do Valle Filho,
  • Samir Nammoura,
  • Luiz Cesar Penteado Ferreira,
  • José Carlos de Oliveira Robaldo,
  • Dalva Viegas Gomes da Silva,
  • José Darmanceff,
  • Ronaldo Barbosa de Oliveira,
  • Ramão Santo Barbosa de Brito,
  • Dr. Carlos Augusto
  • Fernandes de Souza,
  • José Gomes de Alencar,
  • Dra. Mariza Felício Fontão,
  • Carla Regina Seba Rahe,
  • Dr. Luiz Alexandre Lani,
  • Valéria Alberton,
  • Leonardo Costa da Rosa,
  • Bruno Monges,
  • Antonio Cezar Lacerda Alves,
  • Izabel de Fátima Duailibi,
  • Eliana Minari Cividini,
  • Daniel Silva de Souza,
  • Waldomiro Santos Pancini,
  • Marta Maria de Araújo,
  • Hilda Abussafi dos Santos,
  • Dra. Rozeli Dolor Galego Rodrigues de Barros,
  • Dra. Vanessa Silva Baes,
  • Marly Marques Mattos,
  • Júlio Furlaneto Bellucci,
  • Carlos Eduardo dos Santos,
  • Agenor de Figueiredo,
  • Rosana D´Elia Bellinati,
  • Marcos Tadeu Pedroso,
  • Carlos Gilberto Gonzales,
  • Manoel dos Santos Medeiros Vargens,
  • Carmem Lúcia Esteves do Nascimento,
  • José Carlos Lopes da Silva,
  • Ronaldo Saab da Rosa,
  • José Maurício Albuquerque,
  • Lina Lemes de Oliveira,
  • Marilú Campos Seba,
  • Vanessa Correa Stuhrk Gorski,
  • Carlos Alberto Charbel,
  • Arnaldo Kiyomura,
  • Priscila Castro Rizzardi,
  • Fábio Eiji Hirakaza,
  • Nivaldo Shigueru Shirado,
  • Thaís Yumi Komiyama,
  • Luzia Mineko Kamiya Coppini,
  • Fernanda Ferra Finocchio,
  • Ricardo Seiji Shiguematsu,
  • Carlos Haguiuda,
  • Bruno Pina Santos,
  • Márcio Bassani,
  • Marilda Vieira Trefzger,
  • Laerte Junqueira de Andrade Filho,
  • Fábio Nahas Pereira dos Santos,
  • Dennis Dionel,
  • Rosa Carvalho Ribeiro,
  • José Lorenzi,
  • Carmem Lopes Salomão,
  • Alcino Fernandes Carneiro,
  • Sandro Cézar Oliveira Prado,
  • Gelson Lemes Tavares,
  • Ernesto Rodrigues,
  • Higino Manoel Figueiredo Maciel.

DOMINGO (2)

  • Dr. Nelson Mendes Fontoura Júnior,
  • Therezinha de Jesus dos Santos Samways,
  • Marinho Cogo,
  • Paulo Sérgio Ota,
  • Sílvio Eduardo Orro da Silva,
  • José Carlos Garcia,
  • Maria Inês Queiroz Tomaz,
  • Felipe Jorge Saab,
  • Neusa Kamiya,
  • Patricia Correa Peixoto de Azevedo,
  • Lucas Lemos Navarros,
  • José Marcos Queiroz Junior,
  • Nilvana Silveira Moreno Mujica,
  • Jhonny Luis de Souza,
  • João Evângelo Vavas,
  • Dr. Carlos Augusto Longo Pereira,
  • João Baptista Pinto de Arruda,
  • Wilson Berton,
  • João Carlos Leite Nogueira,
  • Lincoln Pereira Mendes,
  • Fernanda Cristieli Pupim,
  • Ruy Otonni de Mendonça,
  • Yolanda Pinheiro,
  • Gleidy Garcia Antero da Silva,
  • Bruno Pedrossian Dorileo,
  • Dr. Felipe Marcelo Gimenez,
  • José Atanásio Lemos Neto,
  • Raquel de Figueiredo Rocha,
  • José Henrique da Silva Vigo,
  • Juliane Perondi,
  • Maria Cristina Monteiro Nascimbeni,
  • Eudi Vitorino Bachiega,
  • Adailton Castilhas,
  • Ilson Rossini Vilanova,
  • Jurema Marques de Arruda,
  • Pedro Celestino Ângelo de Oliveira,
  • Dr. Oswaldo Rodrigues,
  • José Ricardo Soares,
  • Alberto Saburu Kanayama,
  • Sérgio Bianchi Mascarenhas,
  • Oneide Terezinha Mozzo,
  • Lênio Ben Hur,
  • Noêmia Gonçalves dos Santos,
  • Generci Cantu Silva,
  • Nelsi Francisco de Oliveira,
  • Alcides Sussumu Oguma,
  • Flaviano Cantacini,
  • Dra. Marlene Lemos,
  • Marle Karnopp,
  • Luiz Antonio Lemes Tenório,
  • Armindo Ramão Medina Júnior,
  • Shirlei Aparecida Boretti,
  • Eronildes Sabino Nery,
  • Arlindo Brazilino da Conceição,
  • Munder Hassan Gebara,
  • Epaminondas Martins,
  • Bruno Galeano Brandão,
  • Maria Helena Simão Dantas Zanchet,
  • Francisco Luis Nanci Fluminhan,
  • Elvídio Martins de Siqueira,
  • Adina Lopes Sobrinho Franco,
  • Osório Caetano de Oliveira,
  • Marilza Massae Matida
  • Kubota de Freitas,
  • Lilian Greyce Souza,
  • Masaaki Yano,
  • Raimundo Nonato Oliveira,
  • Elza Lima do Amaral,
  • Maria Aparecida Marques de Sá,
  • Jackson Daniel do Nascimento,
  • Gilson Amorim Gomes,
  • Rosely Margarido Queiroz Prado.

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Frejat é a grande atração do Araruna Fest, dia 30 de maio, em Campo Grande

Festival reúne mais de seis horas de shows no Bosque Expo, com programação que vai do School of Rock ao headliner que definiu o rock nacional

23/05/2026 15h00

Frejat é a grande atração do Araruna Fest, dia 30 de maio, em Campo Grande

Frejat é a grande atração do Araruna Fest, dia 30 de maio, em Campo Grande Foto: Divulgação

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Frejat é a grande atração da segunda edição do Araruna Fest, que acontece no dia 30 de maio, no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande. O músico encerra a noite com o show Frejat Ao Vivo, revisitando parcerias com Cazuza, como Exagerado, Bete Balanço e Pro Dia Nascer Feliz, além de canções de carreira solo como Por Você, Amor pra Recomeçar e Segredos.

Em sua segunda edição, o festival reúne nomes históricos do rock brasileiro, artistas da cena de Mato Grosso do Sul e promove encontros que não acontecem regularmente no circuito de shows do Centro-Oeste.

Um dos destaques da programação é a participação de Alec Haiat, integrante da formação clássica da Metrô, banda que ajudou a definir a estética pop-rock dos anos 1980 no Brasil com músicas como Beat Acelerado, Johnny Love e Tudo Pode Mudar. No Araruna Fest, Alec sobe ao palco ao lado de Erica Espíndola. Além dos clássicos do Metrô, o show inclui o lançamento de um single inédito.

"Vai ter mais clássicos do que músicas novas, claro. Mas eu nunca parei de compor. Já são quase 50 músicas inéditas. As pessoas vão ver que não é só uma experiência nostálgica. Existe uma continuação", afirma Alec Haiat. Para Erica Espíndola, a participação no festival representa também uma mudança para a cena cultural local.

"Nem nos meus sonhos mais selvagens eu imaginaria viver um momento como esse. E eu não falo só da minha carreira. Eu falo de Campo Grande estar entrando nesses movimentos grandiosos da música e abrindo espaço para diferentes estilos", diz a cantora.

Outro momento especial da noite é o retorno de Clemente Nascimento, das bandas Plebe Rude e Inocentes. Na primeira edição do Araruna Fest, o músico passou mal antes do show e precisou ser submetido a uma cirurgia cardíaca de emergência na Santa Casa de Campo Grande.

Recuperado, ele volta ao festival com o projeto Violões em Fúria, com versões de clássicos do rock nacional e internacional, e também como mestre de cerimônias da noite, ao lado da jornalista Maria Cândida, curadora do evento. A abertura fica por conta da School of Rock. Na sequência, O Bando do Velho Jack sobe ao palco. O grupo completa 30 anos como uma das principais referências do blues e do rock de Mato Grosso do Sul.

Os ingressos estão em reta final de lote e podem ser parcelados em até 12 vezes. A Área VIP Pista tem valores entre R$ 75 e R$ 150. O setor Bistrô, com quatro lugares, varia entre R$ 95 e R$ 190. Os Setores A, B e C têm preços entre R$ 160 e R$ 420.

SERVIÇO:

Araruna Fest
Data: 30 de maio de 2026
Local: Bosque Expo, Shopping Bosque dos Ipês, Campo Grande/MS
Abertura dos portões: 17h30
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/115842
Valores: a partir de R$ 75 + taxas

Cinema Correio B+

Legends: a inacreditável história real que inspirou a série da Netflix

Baseada na vida do agente infiltrado Guy Stanton, série britânica acompanha homens comuns transformados em identidades falsas para combater o tráfico internacional

23/05/2026 13h00

Legends: a inacreditável história real que inspirou a série da Netflix

Legends: a inacreditável história real que inspirou a série da Netflix Foto: Divulgação

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Entre as muitas séries policiais lançadas pelo streaming nos últimos anos, poucas começam de maneira tão desconfortável quanto Legends. A produção britânica, disponibilizada internacionalmente pela Netflix, até poderia ser confundida inicialmente com mais um thriller sobre tráfico internacional, infiltrações perigosas e agentes secretos vivendo vidas duplas.

Mas a série rapidamente deixa claro que seu verdadeiro interesse não está na adrenalina da espionagem, mas no desgaste psicológico provocado por ela.

E talvez o aspecto mais impressionante seja justamente o fato de que quase tudo ali parte de histórias reais.

A série se inspira nas operações secretas conduzidas pela HM Customs and Excise, equivalente à alfândega britânica, durante os anos 1990. Na época, o Reino Unido enfrentava um crescimento alarmante da entrada de heroína e cocaína no país, especialmente através de redes internacionais ligadas ao tráfico vindo do Afeganistão, Oriente Médio e América do Sul.

A resposta das autoridades foi criar uma unidade de infiltração formada não por agentes cinematográficos à la James Bond, mas por funcionários aparentemente comuns transformados em identidades falsas ambulantes.

O título original da série ajuda a entender muito desse universo. No vocabulário das operações infiltradas, “legend” é o nome dado à identidade falsa construída para um agente sobreviver.

Não se trata apenas de um nome inventado, mas de uma biografia inteira cuidadosamente fabricada: profissão, passado, contatos, hábitos, histórico financeiro, pequenas histórias pessoais e até traços emocionais que precisavam resistir à convivência diária com criminosos reais.

A lógica era simples e ao mesmo tempo aterrorizante: a persona precisava parecer tão convincente que até o próprio agente precisava acreditar nela. Caso contrário, morreria.

É exatamente aí que entra Guy Stanton, homem cuja trajetória serviu de inspiração para um dos personagens centrais da série.

Stanton não vinha do exército, da inteligência militar ou do universo glamoroso normalmente associado à espionagem britânica.

Funcionário da HM Customs and Excise, ele foi recrutado para integrar a unidade secreta justamente porque parecia comum o suficiente para desaparecer dentro daquele mundo sem chamar atenção.

Uma de suas primeiras missões envolveu infiltrar redes de traficantes turcos, curdos e cipriotas responsáveis por levar enormes quantidades de heroína do Afeganistão para o Reino Unido. Assim como acontece em Legends, Stanton precisou atuar ao lado de um informante para conseguir acesso ao grupo criminoso.

Na série, esse parceiro é o personagem Mylonas, interpretado por Gerald Kyd. Na vida real, era um dono de cassino grego-cipriota conhecido pelo apelido de Keravnos, ou “Thunderbolt”.

Foi através de Keravnos que Stanton passou a circular entre alguns dos maiores traficantes do mundo em operações extremamente perigosas que o levaram inclusive à América do Sul. Em determinado momento, segundo relatos posteriores, ele foi vendado e levado para um galpão remoto por um primo de Pablo Escobar.

O encontro fazia parte de negociações ligadas ao tráfico internacional de cocaína e acabaria levando à apreensão de uma grande carga da droga no Brasil.

Embora muitos detalhes permaneçam protegidos por sigilo, o episódio ajuda a entender como o Brasil já aparecia nos anos 1990 como peça estratégica nas rotas internacionais do narcotráfico monitoradas por autoridades europeias.

Décadas antes do país se consolidar publicamente como um dos principais corredores globais da cocaína rumo à Europa, agentes infiltrados britânicos já operavam dentro dessas conexões sul-americanas extremamente violentas.

Stanton descreveu essas operações como algumas das experiências mais perigosas de sua vida infiltrada. Para sobreviver, precisava convencer traficantes ligados a organizações internacionais de que realmente pertencia àquele universo. Qualquer hesitação, inconsistência ou falha significaria morte imediata.

Ao longo dos anos infiltrado, Stanton escapou da morte inúmeras vezes. Em Curaçao, por exemplo, enquanto tentava concluir um acordo criminoso, um homem passou de carro atirando contra ele com uma submetralhadora Uzi. Em entrevistas recentes, Stanton afirmou que sequer consegue calcular quantas vezes teve armas apontadas para sua cabeça.

Mas talvez o aspecto mais perturbador de sua história seja justamente a dimensão emocional da infiltração. Porque sobreviver naquele universo exigia construir relações reais com homens que ele eventualmente entregaria às autoridades.

Em diversos momentos, Stanton precisou testemunhar em tribunais contra criminosos de quem havia se aproximado durante anos. Em Haia, chegou a depor disfarçado para proteger sua identidade.

A série entende algo fundamental sobre infiltração que thrillers tradicionais muitas vezes ignoram: o maior risco não é apenas ser descoberto, mas deixar de conseguir retornar para si mesmo depois.

O próprio Stanton descreveu essa transformação de forma dolorosamente direta anos depois. Em determinado momento, passou a ser investigado pela polícia sob suspeita de aceitar propinas de Keravnos, acusação que sempre negou e acabou abandonada por falta de provas.

Ainda assim, a situação marcou o fim de sua atuação infiltrada. “Eu tinha orgulho de ser um agente infiltrado, mas minha persona, Stanton, se tornou notória demais e precisou morrer”, afirmou ao jornal The Sun.

A frase parece saída diretamente da série, mas revela algo muito mais profundo sobre o impacto psicológico desse tipo de vida. Porque Legends não trabalha infiltração como fantasia de poder ou aventura glamorosa, mas como erosão progressiva da identidade.

Os agentes vivem tanto tempo interpretando personagens que a fronteira entre atuação e existência começa lentamente a desaparecer.

E talvez seja exatamente isso que Tom Burke consegue captar tão bem em sua interpretação.

Burke já vinha construindo há anos uma das carreiras mais respeitadas da televisão britânica contemporânea, quase sempre interpretando homens emocionalmente ambíguos, inteligentes e ligeiramente deslocados do mundo ao redor. Filho dos atores David Burke e Anna Calder-Marshall, cresceu cercado por teatro e televisão, mas nunca seguiu exatamente o caminho convencional do galã britânico.

Grande parte do público passou a conhecê-lo através de Strike, adaptação dos romances policiais escritos por J.K. Rowling sob o pseudônimo de Robert Galbraith, onde interpreta o detetive Cormoran Strike.

O personagem se tornou um enorme sucesso justamente porque Burke construiu algo muito mais complexo do que o típico investigador genial e torturado. Sua atuação trabalha exaustão física, trauma emocional, ironia e vulnerabilidade de forma contida, quase sempre deixando mais coisas sugeridas do que explicitamente ditas.

Antes disso, também chamou a atenção em War & Peace, da BBC, e em Mank, de David Fincher, onde interpretou Orson Welles. Mesmo em papéis menores, costuma dominar cenas por uma combinação rara de magnetismo silencioso e introspecção. Há algo muito ligado ao velho cinema britânico em sua presença: atores que parecem pensar enquanto atuam.

Isso se torna essencial em Legends. Porque a série depende justamente de um protagonista capaz de transmitir a sensação de alguém permanentemente dividido entre o personagem que interpreta e a pessoa que lentamente deixa de reconhecer em si mesmo.

Hoje, Guy Stanton está na casa dos 60 anos. Depois de deixar as operações infiltradas, trabalhou como investigador privado e passou a dar palestras para forças policiais estrangeiras sobre técnicas de infiltração e operações encobertas. Também recebeu um MBE, uma das honrarias concedidas pelo governo britânico por serviços prestados ao país.

Mesmo décadas depois, ainda evita revelar totalmente sua identidade pública. Em entrevistas recentes para divulgar Legends, afirmou que muitos dos criminosos daquela época já morreram ou envelheceram. Mas admitiu também que jamais saiu emocionalmente ileso da experiência.

“Eu costumava ser um otimista absoluto”, disse ao The Times. “Hoje, às vezes, vejo o copo meio vazio. Você olha para o noticiário e, em vez de pensar que tudo vai passar, pensa no pior. Isso me afetou. Saber que essas pessoas existem, saber que esse mundo existiu e continua existindo.”


Talvez seja justamente essa a grande força de Legends. No fundo, não é apenas uma série sobre tráfico internacional ou operações secretas. É uma história sobre identidade. Sobre o que acontece quando alguém passa anos sobrevivendo através de personagens fabricados até o ponto em que a linha entre atuação e existência lentamente desaparece.

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