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NOVELA

O retorno esperado de “Amor de Mãe”, quase um ano depois da paralisação

A novela volta em compacto bem editado e narrações especiais para reavivar a história
08/03/2021 18:00 - Márcio Maio/TV Press


Suspender uma novela repentinamente e, quase um ano depois, apresentar o desfecho da história parecia ser a fórmula para um resultado completamente desastroso antes da pandemia do novo coronavírus. 

Afinal, dividir episódios em temporadas e fidelizar seu público com ganchos surpreendentes entre pausas anuais já é uma característica das séries. 

Mas a Globo não teve escolha quando precisou interromper as gravações de “Amor de Mãe”, em março do ano passado. 

Agora, com os capítulos todos já gravados, a emissora surpreende ao conseguir instigar o público com uma trama que, pelo menos por enquanto, é inteiramente conhecida.

O acerto começou quando a programação do canal foi recheada de chamadas do retorno de “Amor de Mãe” à grade. 

Manuela Dias decidiu inserir a realidade da pandemia nessa sequência e, com isso, aguçou a curiosidade em relação a tudo que está por vir. 

Lá atrás, antes de decretar a interrupção da exibição, a autora já tinha investido em uma virada na história que caiu muito bem para se tornar o gancho entre as duas fases diferentes da novela: a transformação da dedicada Thelma, personagem de Adriana Esteves, na grande vilã do folhetim. 

Afinal, o que se viu até ali foi uma mera amostra e, verdade seja dita, Adriana já mostrou em outros trabalhos que sabe conduzir uma vilã como poucas atrizes brasileiras.

Nessas duas primeiras semanas de reprise de “Amor de Mãe”, a autora e o diretor artístico, José Luiz Villamarim, resolveram fugir do óbvio. 

No lugar de picotar a história inteira e apresentar um amontoado de cenas definidas em ordem cronológica, para avivar a memória dos telespectadores, eles apostaram em uma edição mais dinâmica. 

As próprias personagens principais narram suas lembranças, quase que convidando o público a acompanhar o que vem pela frente. 

Funciona porque, além de possibilitar a omissão de diversas passagens, a emoção é garantida pelas vozes de Regina Casé, Taís Araújo e da própria Adriana, que encarnam as protagonistas Lurdes, Vitória e Thelma, recriam laços com as pessoas que já assistiam à novela e são capazes de seduzir um novo público, que pode não ter se interessado pela trama no ano passado.

Se antes “Amor de Mãe” já fugia dos clichês da teledramaturgia, esse traço se reforçou nessa edição especial. 

Com a narração, fica mais evidente que tanto Lurdes quando Thelma e Vitória são inspiradas em mulheres comuns, encontradas facilmente em qualquer lugar. 

Os flashbacks já eram comuns antes e, agora, se tornam fundamentais para contar e recontar a história constantemente, mas com sutileza. 

Porém, é inevitável ter de deixar um pouco de lado as tramas de alguns personagens paralelos. 

Até porque “Amor de Mãe” tem um elenco primoroso e muitas atuações impecáveis. 

Em duas semanas, seria difícil dar o devido espaço que cada um merece nessa jornada inusitada.