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SÉRIE

O universo doméstico de “Diário de um Confinado”

A produção cômica inaugura novo método de produzir teledramaturgia
02/07/2020 10:44 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Com o fechamento dos Estúdios Globo por conta da pandemia, a emissora e o aplicativo Globopay têm buscado novas formas de produzir em sintonia com os novos tempos. A primeira produção fruto desse período foi o “Sinta-se em Casa”, “pílula” cômica diária protagonizada por Marcelo Adnet. Em seguida, “Sterblitch Não Tem um Talk Show: o Talk Show”, brinca com o formato de programa de entrevista, onde convidados e plateia interagem virtualmente com as ideias mirabolantes e divertidas de Eduardo Sterblitch. Faltava à Globo exercitar na quarentena o que faz de melhor: dramaturgia. E a resposta para essa lacuna surge com “Diário de um Confinado”, série já disponibilizada na íntegra no aplicativo e com exibições garantidas na emissora aberta e no canal pago Multishow, além de “teasers” especiais no GNT. O esquema multiplataforma evidencia o orgulho da Globo com o projeto.

Criado por Bruno Mazzeo e Joana Jabace, roteirista e diretora casados desde 2012, a produção, de seis episódios, foca nas mudanças cotidianas provocada pelo coronavírus na vida de Murilo, personagem interpretado por Mazzeo, que resume a montanha-russa de sentimentos, com pitadas de melancolia, paranoias e incertezas que se fazem presentes nos lares mundo afora. Como uma espécie de “lente de aumento”, “Diário de um Confinado” mergulha em questões antes simples, como pedir pizza via aplicativo ou jogar o lixo fora em local apropriado, mas que agora carregam um peso maior com o medo de uma possível contaminação. O tom da comédia se aproxima muito do utilizado por Mazzeo em um de seus grandes sucessos televisivos, a série “Cilada”, exibida pelo Multishow entre 2005 e 2009, com Murilo “quebrando a quarta parede” e conversando diretamente com o público, que assume o posto de confidente do protagonista. A performance solo de Mazzeo até agrada, mas o papel cresce mesmo quando interage com os outros personagens, especialmente a vizinha propagadora de “fake news”, vivida por Débora Bloch, além da terapeuta com problemas familiares, papel de Fernanda Torres.

A presença de nomes do primeiro escalão da Globo confirma o prestígio de “Diário de um Confinado” internamente. Além das Débora e Fernanda, nomes como Lázaro Ramos, Arlete Salles, Renata Sorrah e Lúcio Mauro Filho, entre outros, também aparecem em cena. Aparentemente simples, o belo trabalho de edição privilegia o texto e exibe a expertise tecnológica da emissora e da equipe técnica coordenada por Joana Jabace, que garante a unidade artística da produção em termos de cenários, figurinos e fotografia. A mesma sintonia acontece com a direção de elenco, que articula muito bem o desempenho dos atores que trabalharam a partir de videoconferências ou utilizando um kit de gravação disponibilizado pela Globo. O “timing” de humor do texto do Mazzeo nem sempre segura a ação, mas nada que interfira no bom resultado final do projeto de alto teor experimental.

 

Felpuda


Lideranças de alguns partidos estão fazendo esforço da-que-les para fechar chapa com o número exigido por lei de 30% do total de vagas para as mulheres. Uma dessas legendas, por exemplo, tenta mostrar a “felicidade” das suas pré-candidatas, mas teme o fracasso, tendo em vista que o “chefe maior” é aquele que já mandou mulheres calarem a boca e disse também que a importância da sua então esposa na campanha eleitoral era porque apenas “dormia com ele”. Ô louco!