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POESIA

Obra de poeta de Campo Grande cai no vestibular da UFMS junto a nomes consagrados

Vias do Infinito Ser” está entre os títulos indicados pela UFMS para o exame de 2021
24/08/2020 07:00 - Marcos Pierry


A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) divulgou, no início do mês, a bibliografia de referência para as questões de literatura brasileira do seu próximo vestibular, com aplicação das provas programada para janeiro de 2021. 

Na lista, de nove títulos, com Machado de Assis, Guimarães Rosa, Cecília Meireles e outras sumidades, aparece o nome de Rubenio Marcelo, de quem foi escolhido o livro de poemas “Vias do Infinito Ser” (Letra Livre Editora, 2017).

Marcelo nasceu na cidade de Aracati, onde fica a praia de Canoa Quebrada, no Ceará, em 1961 e é um veterano da palavra. Formado em Direito e Agronomia, o escritor vive em Campo Grande desde 1986 e já publicou uma dúzia de livros, incluindo na soma a participação em duas coletâneas. 

Mesmo com tanto tempo de chão, o autor mostra-se surpreso e celebra a indicação. 

“Me deixa feliz, principalmente por constatar que o gênero poesia está sendo prestigiado em um tradicional exame desta envergadura”, declara Marcelo, que é membro efetivo da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em que ocupa a cadeira de número 35, além de ser membro correspondente da academia literária do estado de Mato Grosso.

O escritor conta que o seu desejo ao lançar a obra indicada pela UFMS foi a expressão de mensagens voltadas para reflexões “acerca da virtude e aspectos existenciais”. 

Acostumado a deixar a inspiração tomar forma em várias modalidades, da prosa à canção musical, do soneto à métrica do cordel, Marcelo se entregou aos versos livres para compor a coleção de versos que aparece em “Vias do Infinito Ser”. 

“Os 114 poemas do livro foram escolhidos em um universo de quase o dobro dessa quantidade pelo critério da identificação com o perfil estético e a feição simbolista da obra, caracterizada no geral com rebentos da metalinguagem e reflexões acerca da condição existencial, a essencialização e humanização do ser”, teoriza Marcelo, ressaltando que tudo é apresentado “em linguagem acessível”.

 
 

Fortuna crítica

De fato, a construção poética que se encontra nas páginas das vias abertas por Marcelo neste livro não aparece refém do verbo empolado, a aprisionar a palavra em cifras e interditos cansados, desprovidos das ventanas capazes de alçar o leitor ao alto da torre do artista criador. 

Aqui, mesmo na presença de carruagens, estátuas de sal, deuses e gravitações azuis, o passeio acena com garbo de leveza e intensidade, não importa aonde for, em “incessante valsa” de “naves desenraizadas” – como tarimba em “Fetiche da Palavra” – ou “em um trem-bala” com destino à “estação nirvana” – conforme mapeia no quase haikai “Estação Nirvana”. Isso: dos vocábulos aos jogos criativos, nada é tão difícil e tudo tão intenso na proposição de quimeras, desafios, desalinhos e graças.

Não faltam especialistas para endossar o trabalho da obra. Doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais e professor de Literatura comparada, Paulo Sérgio Nolasco dos Santos, vale-se da própria “inquietante estranheza” mencionada pelo poeta para perscrutar, na introdução do livro, a lírica de Marcelo. 

Para Nolasco dos Santos, colega do poeta na ASL, os apurados exercícios de sensibilidade do autor ganham a página em distinta estruturação estrófica, que plasmam figuras metafóricas provocativas e laboriosas criações de imagens poéticas.

No prefácio, o crítico literário José Fernandes observa que “Vias do Infinito Ser” se compõe de uma poesia profunda, metafórica, reflexiva, marcada por forte dimensão metafísica, como requer a concepção de infinito a que o ser tem de conquistar durante a existência. 

Para isso, escreve Fernandes, “como fica bem claro pela estrutura dos poemas, o jogo poético, tal como o existencial, se executa entre o finito, o concreto, o físico, o essencial e o transcendente”. 

São camadas e possibilidades de apreensão, que fariam de cada poema uma mensagem que “não pode ser apreendida em uma simples sentada, mas sorvida mediante atenta leitura”, afirma o crítico, pontuando justamente o que faz da poesia uma criação digna do nome que a designa.

“Poucos escritores são capazes de prender os olhos do leitor em seus textos e mantê-lo fascinado com o que lê. O poeta Rubenio Marcelo possui essa magia, esse poder”, diz Ivone Macieski, da Academia Douradense de Letras. 

“Com seu pincel de hábil poeta, ele nos brinda com diferentes facetas de sua criação”, comenta a escritora argentina Teresa Ovejero de Vinciguerra. “Um mestre brasileiro da palavra”, exalta a mexicana Lourdes Ávila. 

“Na poesia de Rubenio Marcelo, em vez de o ser humano habitar o cosmo, é o universo que reside no homem”, elucubra o poeta Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras.

“Vias do Infinito Ser” foi publicado com recursos do Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul e contou com lançamento oficial em 2017, no Sesc Horto, levando, a partir de então, Rubenio Marcelo para feiras e encontros em outros estados e até na terra de Fernando Pessoa. 

O escritor participou de uma mesa literária na Universidade de Aveiro, Portugal, em 2018, mesmo ano em que lançou seu mais recente título, “Palavras em Plenitude – Prosa e Crítica Cultural”. 

O poeta recorre ao filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) – “a linguagem é a morada do ser” – para dar o testemunho da própria obra: “Sabemos que é por meio da linguagem que o ser se aproxima ao infinito, especialmente na relação com a arte, mormente a poética, na criação que transcende e que pode ascender à dimensão do metafísico”, fabula o autor. 

“A poesia é atemporal e é sempre necessária, pois em realização linguística instaura a forma de a substância do humano dialogar consigo mesmo e revelar-se como ser”.

Sobre o papel da poesia nos dias de hoje, Marcelo considera a arte poética, “um bem essencial ao homem”, desperta a sensibilidade e o entendimento crítico dos leitores. 

“A poesia nos mostra a hermenêutica do cotidiano e do mundo”, filosofa o autor, que ainda tem fôlego para uma movimentada carreira de músico. Ele compõe, canta e toca violão, prazeres que cultiva desde menino. 

Seu terceiro CD, “Parcerias” (2018), apresenta 22 canções de sua lavra, com a participação de Begèt De Lucena, Galvão, que produziu o disco, Paulinho Manassés, Gilson Espíndola, Joyce Moreno, um dos nomes da MPB nos anos de 1960, e outros convidados.

“Vias do Infinito Ser” está disponível para venda na Livraria Franco, Rua Maracaju, 101, fone: (67)3321-1077/99191-1139. Com a indicação para o vestibular, o interesse pela reconhecida obra de Marcelo ganha novo fôlego.

 Mas, mesmo para quem não vai prestar o exame, os poemas do autor poderão ser uma grata surpresa.

 
 

Obras que vão cair no vestibular 2021 da UFMS

  • “Marília de Dirceu”, Tomás Antonio Gonzaga – poesia;
  • “Esaú e Jacó”, Machado de Assis – prosa;
  • “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, Lima Barreto – prosa;
  • “Viagem e Vaga Música”, Cecília Meireles – poesia;
  • “Sagarana”, Guimarães Rosa – prosa;
  • “O Encontro Marcado”, Fernando Sabino – prosa;
  • “Seminário dos Ratos”, Lygia Fagundes Telles – prosa;
  • “Cinzas do Norte”, Milton Hatoum – prosa;
  • “Vias do Infinito Ser”, Rubenio Marcelo – poesia.
 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!