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COMPORTAMENTO

Festa Incômoda: Com audição 300 vezes maior do que a humana, cachorros são os que mais sofrem com os fogos de artifício

Veterinária dá dicas de como diminuir o impacto dos fogos de artifício na audição dos animais durante o Ano-novo
30/12/2020 10:30 - Naiane Mesquita


Toda virada do ano é a mesma situação. Enquanto alguns ficam felizes de ver as luzes no céu, pessoas que têm animais de estimação precisam lidar com o transtorno que o barulho excessivo causa.  

“Os fogos são uma situação muito complicada para todos os animais, tanto cachorros quanto gatos e passarinhos. Os cachorros sofrem muito porque eles têm uma capacidade de audição 300 vezes maior que a nossa, ou seja, o barulho é muito alto para eles”, explica a médica-veterinária Mônica de Souza.  

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Para a especialista, a grande questão é que, enquanto os seres humanos entendem o porquê do barulho, os animais não têm noção do que está acontecendo. “Eles não têm consciência. A gente se incomoda com os fogos também, principalmente as crianças e os idosos, mas compreendemos o que está acontecendo, que é por conta de uma celebração e vai passar. O animal, não”, frisa.

Mônica explica que já atendeu cachorros machucados por cacos de vidro, por romperem portas e janelas, ou atropelados por fugirem das residências.

“Os fogos vão ativar uma área do cérebro dos animais que é a área do medo, e eles vão ficar extremamente desesperados com o barulho. Isso coloca todas as funções do organismo deles em colapso. O animal que tem tendência a ser cardíaco ou é mais agitado e ansioso pode ter esse problema de colapsar e até morrer”, pontua.

Além dos cachorros e gatos, os pássaros, inclusive os silvestres, também se assustam e podem falecer em razão do medo extremo.

A jornalista Yara Dosso, 36 anos, tem sete cachorros em casa, mas dois sofrem mais com o barulho dos fogos. 

Meg, de seis anos, e Velho Barreiro, de 16 anos, precisam de cuidados especiais, e a tutora não mede esforços para evitar o estresse dos cães. 

Durante o Ano-Novo, Yara evita sair de casa para poder ficar ao lado deles. 

“Mas quando não tem jeito, porque nossa família mora perto, eu deixo a porta da cozinha aberta, deixo o corredor liberado e eles ficam dentro de casa. Eu tenho sete, mas tem dois que são muito medrosos. Agora há pouco soltaram uma bomba [fogos de artifício] aqui perto, e pensa em uma tristeza”, explica a jornalista.