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COMPORTAMENTO

Paternidade ativa: os homens dividem mais as responsabilidades no cuidado com os filhos

Pais usam termo paternidade consciente para externar o óbvio: cuidar dos filhos com responsabilidade
16/11/2020 07:30 - Carol Alencar Cozzatti


A cada geração uma evolução. Durante anos, um pai ter uma presença mais participativa no cotidiano dos filhos era raridade. 

A paternidade nos séculos passados não incluía trocar fraldas, preparar o leite quente e nem saber o número do pediatra: a obrigação do pai era prover o lar e, normalmente, trabalhar fora de casa.  

Porém, com a modernidade e as mudanças nas relações pessoais e de trabalho – com a mulher assumindo novas responsabilidades – caminhos diferentes foram abertos.  

Atualmente é possível acompanhar pais mais próximos de seus filhos, na chamada paternidade ativa, que vai muito além de simplesmente prover a “ordem” financeira da casa. Os pais estão cada vez mais atuantes na criação dos filhos, tomando a frente e realizando os afazeres que antes eram apenas destinados às mães.

O jornalista Ludyney Moura, 37 anos, é um defensor da paternidade consciente. Há quatro anos, ele se tornou pai de Manuela, e há dois, de Caio. Em seu perfil do Instagram (@paternidade_no_caminho), ele se autodenomina um descobridor da “paternidade ativa”.

 “Acho que paternidade consciente, ou paternidade ativa, é o simples entendimento masculino da responsabilidade de se criar um filho. Não deveria ser algo tão ‘fora do normal’, como infelizmente ainda é, em uma sociedade tão carregada de machismo, extremismo e fundamentalismo. Todo pai deveria simplesmente agir tendo em mente que sua maior responsabilidade no mundo são seus filhos, e o resto seria apenas consequência”, enfatiza.

Ludyney afirma que todo processo de criação dos filhos deve ser compartilhado. “Alimentar, cuidar, limpar, criar, ensinar, mostrar como se faz, tudo isso faz parte de um lindo e contínuo processo de aprendizado, que é enriquecedor e transformador para pais e filhos”, explica o jornalista, que é casado com a fisioterapeuta Rafaela Monteiro.

Sobre o machismo, Ludyney explica que ainda há muito a se fazer e diz que já chegou a ser expulso do único banheiro onde havia trocador em um restaurante, que era o feminino.

 “Por que isso? Porque o mundo acha que trocar fraldas é papel da mulher. Não é! Eu me conecto com meus filhos quando troco fralda, quando dou comida, quando dou banho. E isso gera uma onda de amor que só alimenta o que há de bom”, afirma.