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OSCAR VERDE

Pesquisadora que atua no Pantanal recebe maior prêmio de conservação ambiental do mundo

Prêmio vai permitir que estudos sejam ampliados também para a Amazônia
29/04/2020 17:05 - Fábio Oruê


 

Cientista Patricia Medici ganhou o prestigiado Whitley Gold Awards, considerado o maior prêmio da conservação ambiental do mundo, organizado pela Whitley Fund for Nature, do Reino Unido. A pesquisadora lidera trabalhos de conservação da anta brasileira e seu habitat há mais de 24 anos e 12 deles são no Pantanal e no Cerrado do Mato Grosso do Sul.

Patrícia é coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab), projeto do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), da qual é cofundadora e o seu trabalho na organização não governamental (Ong) resultou na criação do maior banco de dados sobre a anta no mundo. 

O Whitley Fund for Nature (WFN) tem apoiado o trabalho de Patrícia pelos últimos 12 anos, contribuindo enormemente para a expansão das ações da Incab por todo o Brasil. "Estou muito satisfeita por ser vencedora do Whitley Gold Award. O Whitley Fund for Nature sempre esteve por trás da expansão de nossos esforços de conservação de anta no Brasil. Após o nosso programa inicial na Mata Atlântica, vencemos o Whitley Award em 2008 e utilizamos os recursos para expandir nosso trabalho para o Pantanal. Em 2014, com um financiamento adicional do WFN, pudemos levar nossos esforços para o Cerrado. O Gold Award nos permitirá levar finalmente o nosso trabalho para a Amazônia”, comenta Patrícia.

 
 

“Receber este prêmio é extremamente importante, particularmente pelo momento pelo qual passamos. Mais do que nunca, precisamos ressaltar a importância de manter o equilíbrio de nossos ecossistemas. A atual crise com a pandemia que vivemos está intimamente conectada com a destruição de nossos ecossistemas e com a forma como lidamos com a natureza. Nunca na história vimos tantos impactos causados por nós seres humanos na natureza. Agir agora é sumamente importante para que possamos reverter os impactos das emergências climáticas e evitar futuras extinções de nossa vida selvagem. Conservacionistas, como eu, devem participar ativamente na definição da agenda ambiental na próxima década”, diz.

TRABALHO

Suas contribuições reúnem pesquisa de campo, ações de conservação, educação ambiental, comunicação, treinamento e capacitação e propostas para planos de mitigação de ameaças e políticas públicas que beneficiam a espécie e seus habitat remanescentes. Os resultados deste trabalho impacta não só na vida das antas como também de outras espécies animais, vegetais e seres humanos na Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado e, também, Amazônia.

“Ao estudar e defender a causa da conservação da anta brasileira, estamos defendendo também as nossas próprias vidas, nossos recursos naturais e nossa saúde. Considerada a jardineira das florestas, a anta promove a renovação desses ambientes através da dispersão de sementes. Diversas espécies de plantas somente existem porque suas sementes passam pelo trato digestivo da anta. A anta “brinca” com a composição e diversidade da floresta e é grandemente responsável pela formação e manutenção da integridade desses ambientes”, explicou Patrícia.

 
 

A anta é o maior mamífero terrestre da América do Sul e é considerada um fóssil vivo que sobreviveu a diversas ondas de extinção ao longo de milhões de anos de sua história evolutiva. No entanto, a espécie enfrenta agora uma variedade de ameaças causadas pelo homem, incluindo a destruição e fragmentação do habitat devido à expansão da agricultura em larga escala, pecuária, atropelamentos em rodovias, caça, mineração, entre outras.

No Estado, os estudos científicos sobre a anta brasileira já identificaram a contaminação desses animais por agrotóxicos e o número de colisões com antas nas rodovias de MS não para de crescer. “Temos que pensar que tanto os agrotóxicos quanto os atropelamentos em rodovias têm impactos sobre a vida silvestre e sobre nós seres humanos. Muitas pessoas são seriamente afetadas pelo uso indevido de agrotóxicos. As nossas pesquisas mostram também que muitas pessoas perdem suas vidas em colisões com antas nas rodovias brasileiras, sobretudo pela falta de medidas de segurança que impeçam a travessia dos animais e falta de sinalização. Juntamente com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, estamos há três anos usando nossa base de dados de pesquisa para requisitar aos governos estadual e federal a implementação de medidas eficazes para combater e mitigar essas problemáticas. É para isso que contamos com a ciência e os cientistas, para a aplicação de seus resultados na prática, para o bem de todos”, defende a engenheira florestal.

OUTROS PREMIADOS

Seis outros conservacionistas receberam Whitley Awards, uma outra premiação da WFN, para apoiar seu trabalho com uma variedade de espécies ameaçadas. Entre eles, está Gabriela Cabral Rezende, pesquisadora do mico-leão-preto e coordenadora dos estudos sobre a espécie no IPÊ, na região oeste do Estado de São Paulo.

Além dela, são vencedores: Abdullahi Hussein Ali (Quênia), Jeanne Tarrant (África do Sul), Phuntsho Thinley (Butão), Rachel Ashebofe Ikemeh (Nigéria), YokYok (Yoki) Hadiprakarsa (Indonésia).

 

Felpuda


Falatório e atitude de membro da família acenderam a luz vermelha no “QG” de candidato, pois poderão causar muitos estragos. 

A tropa de choque de defensores do candidato a prefeito já foi colocada em campo e só falta falar que os genes de ambos são diferentes. 

E com relação ao dito-cujo, sabe-se que deverá ser orientado a “baixar a bola” nos próximos dias, mais precisamente até o término da campanha eleitoral.

Afinal...