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ARTE ABSTRATA

Pintura de artista plástica de Mato Grosso do Sul será exposta em outros países

Camila Kipper investe na pintura abstrata e se prepara para estrear no circuito internacional com exposição em Paris, no próximo ano
11/08/2020 07:45 - Marcos Pierry


Podemos dizer, de modo genérico, que a arte figurativa busca a representação dos seres, de objetos e da natureza por meio de elementos e de uma expressão facilmente reconhecíveis por quem olha, ouve ou assiste. 

Vale o empenho de passar a mensagem de um jeito mais direto e, tanto quanto possível, estabelecer uma troca entre o artista e o público com base em signos concretos, que podem ser decodificados sem tanto esforço. 

Por muito tempo, até o século 19, movimentos como o Renascimento, o Barroco e o Realismo trabalhavam com essa meta, de destacar a concretude do real, como premissa ideal.

A partir daí, outras escolas artísticas, como o Impressionismo e o Expressionismo, foram bagunçando o coreto da linguagem mais organizada, levando, assim, a maneiras de sentir e projetar uma arte desapegada do conceito de belo com outras preocupações temáticas e novas opções de materiais e métodos. 

As vanguardas artísticas das primeiras décadas do século 20, sobretudo, na Europa, formam o ambiente que surge o Abstracionismo, gesto radical que rompe com o modelo tradicional da pintura de cavalete, de formas e contornos bem definidos. 

Liberta o artista de uma obrigação castradora no ato de criar: ter de representar o mundo dentro dos padrões da estética figurativa.

No Abstracionismo, a recusa da figuração ocorre em favor da valorização dos próprios elementos expressivos da obra. As cores, linhas e texturas, tudo passa a ser empenhado para uma expressão mais subjetiva, não representacional, dando a ver as formas de um possível mundo interior de quem pinta. 

Foi essa possibilidade que fisgou, nos últimos anos, o desejo da artista plástica Camila Kipper, que tem no horizonte, para setembro de 2021, a realização de sua primeira mostra internacional.

 
 

Será na galeria Le Pavé d’Orsay, em Paris, no circuito do prestigiado Musée d’Orsay. O Le Pavé, no número 48 da Rue de Lille, é considerado um espaço invejável para novos artistas que queiram ter o nome na agenda da arte francesa. 

E lá os visitantes deverão ver com os próprios olhos as obras de Camila, que têm encantado o público e especialistas em Campo Grande. São formas imprecisas, à semelhança de traços rápidos ou quase inexistentes, que se avolumam aqui e ali pela superfície da tela banhada por uma gama de cores que ganha os olhos. 

De quadro a quadro, em seu conjunto de trabalhos com tinta bastão a óleo e aquarela, começamos a acompanhar um sentimento de contenção e explosão. Uma aventura perceptiva em busca da cor e suas potências.

“A pintura é minha vida, entrei de cabeça”, resume a artista, que, para se dedicar à pesquisa criativa em direção ao Abstracionismo, reduziu a quase zero os afazeres de uma carreira consolidada como designer. 

Levam a sua assinatura, por exemplo, a logo do Pátio Central e a identidade visual de programas como o “Toda Prosa”, atração que era exibida pela TV Campo Grande (SBT). 

Graduada em Ciências da Computação pela Uniderp, Camila nasceu em 16 de outubro de 1975, no Rio de Janeiro, em uma família de arquitetos – mãe, pai e irmã atuam na área. Passou a infância em Campo Grande e, em seguida, voltou a morar na cidade natal, onde cursou o Ensino Médio antes de retornar a CG.

 
 

No vai e vem, a artista casou-se, teve dois filhos – hoje com 16 e 22 anos – e viveu alguns anos também em Rio Branco, no Acre. 

Com as criações no campo do design gráfico, surgiu a vontade de inovar e uma inquietação que só aumentou quando ela fez uma pós-graduação no Senac-MS e passou a frequentar cursos de arte no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande (Marco), na Escola Livre do Parque Lage (RJ) e outras instituições.

“A cabeça da gente está sempre produzindo, né? Tenho diagnóstico de hiperatividade e quero aprender tudo”, confessa Camila, contando ter passado por várias técnicas.

“Estudei o Figurativo com a Raquel Gomes, a escola clássica, com muita prática de observação, fotografia e uso do grafite; fiz também uma oficina com André Miranda [de xilogravura] e outra com Ana Rua”, diz a artista plástica. 

“Durante o processo de descoberta do óleo, ganhei um kit de aquarela, que era a única técnica que até ali eu não havia trabalhado, então achei que era a hora de encarar e resolvi tentar”. Essa procura por uma identidade gera, talvez, uma espécie de tensão, algo indefinido e inesperado, nas imagens que Camila propõe.

 
 

Reconhecimento promissor

Quem sabe não foi esse efeito que agradou em cheio o experiente Edson Castro, um nome celebrado no circuito da arte contemporânea de Mato Grosso do Sul, cada vez mais reconhecido em outros estados e fora do País. 

“Ela é uma colorista e está aos poucos se afirmando de um jeito bonito”, aposta o artista, um craque na pintura Abstracionista. “Tem uma ambiguidade superinteressante em qualquer obra da Camila, que é delicada e visceral ao mesmo tempo; tem o sonho, o lúdico, mas tem também um certo peso, a preocupação com o espaço”, afirma Castro, que abriu as portas do seu ateliê, no Carandá Bosque, para a artista.

Camila abriu uma galeria na Capital para dar visibilidade à sua produção e manteve o espaço por dois anos. Mas decidiu encerrar o empreendimento e, há alguns meses, trabalha e deposita suas obras no endereço do mestre. 

“Está sendo bem nutritivo dividir o ateliê pela primeira vez”, celebra Edson, o grande incentivador e responsável pela possibilidade de levar Camila para expor na França.

“Com ele entendi o que era o trabalho abstrato e fui apresentada ao bastão de óleo, que te dá mais domínio [do que o pincel] na expressão”, conta Camila, que há mais de uma década participa de cursos e imersões conduzidas por Castro. 

Para ela, a pintura figurativa tornou-se uma limitação. “Isso aqui é libertador, é outra onda”, diz ao apontar para uma de suas criações. “Tem muito mais a ver com o que gosto e é o que eu quero”.

A professora e pesquisadora Sara Grubert observa que, ao fugir do desenho, Camila oferece manchas que têm sua origem no esforço de alinhar elementos, intenções e equilíbrios no espaço da tela, “frutos de uma memória estética perpassada por uma sensibilidade cada vez mais aguçada” e “comprometida em resolver sua jornada ao desconhecido.” 

Todo esse vigor criativo logo se prepara para ganhar o mundo. 

 

Felpuda


A lista do Tribunal de Contas de MS, com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros de quando exerceram cargos públicos, está deixando muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!